Adelson Elias Vasconcellos, Comentando Notícia
No Estadão online de hoje. Volto para comentar.
O Ministério Público aceitou, nesta quarta-feira, denúncia oferecida por 24 deputados estaduais e acatada pelo procurador-geral de Justiça, Rodrigo César Rebello Pinho, contra o ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, por crime de desacato. Segundo a denúncia, o secretário desrespeitou "tanto o parlamento estadual como um todo e, em particular, a honra subjetiva dos deputados estaduais". A decisão foi tomada pelo Órgão Especial do Ministério Público, por 12 votos a seis.
A denúncia se refere a ato ocorrido em 6 de junho de 2006, na Assembléia Legislativa, quando Saulo Castro foi convocado pela Comissão de Segurança Pública da casa para falar sobre a crise na segurança pública no Estado e dos ataques atribuídos ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Se condenado, Saulo poderá pegar pena de detenção de até três anos e meio.
No despacho, o procurador alega que Saulo "ultrapassou as fronteiras da veemência e da ironia toleráveis, ensaiou passos de danças e batucou na mesa enquanto era ouvido, desviou propositadamente, em algumas oportunidades, o olhar de seu interlocutor, chegou a erguer acintosamente o dedo médio".
A decisão foi tomada pelos procuradores mais antigos do Órgão Especial do Ministério Público, porque além de ter foro especial por causa do cargo que exercia na época do episódio, Saulo é promotor de Justiça licenciado. O estadao.com.br não conseguiu localizar o ex-secretário para que ele comentasse a decisão.
Comento:
Incrível que chega parecer uma pilhéria, não verdade? Senão, vejamos: quando os deputados desacatam a população, com ações, digamos, nada nobres e nada honestas, quando eles aprovam, na calada da noite, privilégios imorais para si mesmos, em vergonhosa tramóia para assaltarem ainda mais o bolso do contribuinte-eleitor, isto também não fere todo e qualquer código moral ? E não é um desacato e afronta à sociedade que fica obrigada a sustentar suas malandragens, vagabundagem e safadezas? Cadê o Ministério Público para denunciá-los ?
E quanto a “honra” dos deputados ser atacada, não se pode conceder honra a quem não sabe respeitá-la e mantê-la para si próprio. Como poderá alguém respeitar a honra dos nobres deputados, se são eles os primeiros a manchá-la de lama ? Quanto mais falar-se em honra subjetiva, o que não passa de uma tolice desvairada.
Que os deputados se dêem o respeito, que cumpram dignamente a responsabilidade para a qual foram eleitos, e que, empossados, honrem seus mandatos servindo ao povo que os elegeu, e não apenas se servindo deles em proveito próprio.
No Estadão online de hoje. Volto para comentar.
O Ministério Público aceitou, nesta quarta-feira, denúncia oferecida por 24 deputados estaduais e acatada pelo procurador-geral de Justiça, Rodrigo César Rebello Pinho, contra o ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, por crime de desacato. Segundo a denúncia, o secretário desrespeitou "tanto o parlamento estadual como um todo e, em particular, a honra subjetiva dos deputados estaduais". A decisão foi tomada pelo Órgão Especial do Ministério Público, por 12 votos a seis.
A denúncia se refere a ato ocorrido em 6 de junho de 2006, na Assembléia Legislativa, quando Saulo Castro foi convocado pela Comissão de Segurança Pública da casa para falar sobre a crise na segurança pública no Estado e dos ataques atribuídos ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Se condenado, Saulo poderá pegar pena de detenção de até três anos e meio.
No despacho, o procurador alega que Saulo "ultrapassou as fronteiras da veemência e da ironia toleráveis, ensaiou passos de danças e batucou na mesa enquanto era ouvido, desviou propositadamente, em algumas oportunidades, o olhar de seu interlocutor, chegou a erguer acintosamente o dedo médio".
A decisão foi tomada pelos procuradores mais antigos do Órgão Especial do Ministério Público, porque além de ter foro especial por causa do cargo que exercia na época do episódio, Saulo é promotor de Justiça licenciado. O estadao.com.br não conseguiu localizar o ex-secretário para que ele comentasse a decisão.
Comento:
Incrível que chega parecer uma pilhéria, não verdade? Senão, vejamos: quando os deputados desacatam a população, com ações, digamos, nada nobres e nada honestas, quando eles aprovam, na calada da noite, privilégios imorais para si mesmos, em vergonhosa tramóia para assaltarem ainda mais o bolso do contribuinte-eleitor, isto também não fere todo e qualquer código moral ? E não é um desacato e afronta à sociedade que fica obrigada a sustentar suas malandragens, vagabundagem e safadezas? Cadê o Ministério Público para denunciá-los ?
E quanto a “honra” dos deputados ser atacada, não se pode conceder honra a quem não sabe respeitá-la e mantê-la para si próprio. Como poderá alguém respeitar a honra dos nobres deputados, se são eles os primeiros a manchá-la de lama ? Quanto mais falar-se em honra subjetiva, o que não passa de uma tolice desvairada.
Que os deputados se dêem o respeito, que cumpram dignamente a responsabilidade para a qual foram eleitos, e que, empossados, honrem seus mandatos servindo ao povo que os elegeu, e não apenas se servindo deles em proveito próprio.