quarta-feira, outubro 10, 2007

Infiéis da oposição com Walfrido

Leandro Mazzini , Jornal do Brasil

Com a caneta para empenhar emendas orçamentárias e exaltando a amizade, o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, conseguiu o apoio de sete deputados da oposição - três do DEM, três do PPS e um do PSDB - na votação do primeiro turno da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, a CPMF. Quatro são da bancada de Minas, reduto de Walfrido, e amigos pessoais do ministro. E destes, dois tiveram emendas orçamentárias empenhadas no valor total de R$ 2,1 milhões. O ministro ainda trabalhou para levar três desses parlamentares para o PMDB, partido da coalizão governista.

Nos dois últimos meses, no calor da discussão da CPMF e às vésperas da votação em plenário, os mineiros Lael Varella (DEM) e Geraldo Thadeu (PPS) tiveram emendas empenhadas no valor de R$ 1,4 milhão e R$ 790 mil, respectivamente, de acordo com levantamento da assessoria técnica do DEM junto ao Sistema Integrado de Acompanhamento Financeiro. Outros deputados que peitaram seus partidos e votaram com o governo foram Manoel Salviano (PSDB-CE) - o único tucano na contramão da determinação da legenda na questão - os democratas Bispo Rodovalho (DEM) e Edmar Moreira (MG), além de Alexandre Silveira (MG) e Ilderlei Cordeiro (AC), ambos do PPS.

Nos bastidores, os partidos acreditavam que a movimentação de Walfrido na liberação de emendas poderia conquistar mais deputados no segundo turno, previsto para a noite de ontem. Na primeira votação, quatro deles foram seduzidos para mudar de partido, na farra do troca-troca que engordaria a base governista. Três já estavam de malas prontas até que a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a fidelidade partidária freou, semana passada, o objetivo dos infiéis. Lael recebeu convite para ingressar no PSL. Não havia decidido. Já para os outros três, a situação é delicada, e a amizade com Walfrido não vai lhes garantir estabilidade nas legendas.

É o caso de Alexandre Silveira (PPS-MG). Ex-diretor do polêmico e bilionário Departamento Nacional de Infra-Estrutura e Transportes (DNIT), apadrinhado por Walfrido, já havia anunciado sua ida para o PMDB quando teve de voltar atrás com a decisão do Supremo. A saia-justa lhe rende críticas discretas dentro do PPS. O mesmo protagonizou o cearense Manoel Salviano (PSDB). Iria para o PR, que inchou nas últimas semanas. Depois da decisão do STF, resolveu ficar e causou constrangimento entre correligionários do Estado. Geraldo Thadeu, o que ganhou de garantia de verbas quase R$ 800 mil, também sairia, para o PMDB.