quarta-feira, outubro 03, 2007

No império do atraso e do caos

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Os discursos do “vossa excelência” têm-se se pautado pela gabolice e pela mentiras. E já se tornaram lugar comum, tanto que ninguém mais liga para eles. E a tal ponto que ultimamente “vossa excelência” tem discursado cada vez mais em recinto fechado, para um público seleto, principalmente aqueles que seus programas sociais tem comprado, e comprado no sentido mais amplo da palavra, a consciência e o voto. Assim, fica fácil para “vossa excelência” manter a popularidade no seu curral eleitoral, ao melhor estilo dos antigos coronéis do nordeste. Afinal, ele vem de lá, não é mesmo ?

Uma das tantas tolices que “vossa excelência” tem se gabado é de nunca antes neste país alguém fez mais do que ele. Vamos considerar, apenas numa análise simples, que tal seja verdadeiro. Pois bem, então temos o que? Primeiro, se considerarmos apenas no âmbito dos serviços, a coisa vai mal. Nunca na história deste país, alguém podendo fazer muito, acabou fazendo muito pouco. Sob qualquer ângulo de análise, o governo de “vossa excelência” vai muito mal: saúde, educação, segurança, níveis de corrupção, infra-estrutura, transportes, grau de competitividade, a coisa é uma ladeira de dar dó. Mas vossa excelência não deixa por menos, e se gaba de que no plano econômico tudo é muito bom. De fato, a considerar-se os inúmeros indicadores, nossa economia segue em frente, sem nem ligar para as aberrações políticas que tem sido cometidas pela classe dos gigolôs, quer dizer, pela classe dos políticos.

Ora, em que isto faz de Lula o melhor ? Em nada. Primeiro, que tudo aquilo que ele combateu enquanto esteve na oposição, agora é por ‘vossa excelência” defendido. Segundo, que o período pior da economia do Brasil foi enfrentado não por ele, mas Collor, Itamar e Fernando Henrique. No que vossa excelência colaborou para por a casa em ordem? Em absolutamente nada. Quem acabou com a inflação ? Quem equilibrou as contas públicas ? Quem reestruturou a dívida externa e recuperou o crédito que a moratória canalha do menos Sarney havia declarado ? Quem reestruturou o Estado brasileiro, lhe dando um ordenamento de gestão eficiente com controle equilibrado de contas ? E quem enfrentou as turbulências de cinco crises internacionais que atingiram em cheio os países emergente ? Quem solidificou a estabilidade política, e criar todas as bases para a estabilidade econômica? Quem abriu os mercados internacionais para os produtos brasileiros ?

Todo o cardápio acima pertence ao governo Fernando Henrique, com parte das realizações iniciando-se ainda no governo Itamar Franco. Pois bem, diante disto, e com o mundo vivendo um ciclo de prosperidade econômica como nunca dantes, “vossa excelência” tinha a obrigação de fazer o Brasil um país melhor. Manter apenas as conquistas anteriores não lhe dá crédito algum, ainda mais a considerar-se o período de bonança mundial. Ora, tinha “vossa excelência” obrigação de fazer mais e melhor. Recebeu o país em uma condição invejável, e com todas as oportunidades oferecidas para avançar. E avançou ? Não, e isto não é virtude, é uma colossal incompetência. Tivesse Itamar ou mesmo Fernando Henrique recebido o país do jeito que entregaram a quem os sucedeu, de certo o país teria avançado muito mais.

Sequer no plano social “vossa excelência” mostrou competência, a não ser para desvirtuar os programas existentes de sociais em eleitoreiros. E mais: iniciou a implantação de uma canalha divisão de classes no Brasil que nunca tivemos. Mudou o processo de ensino convertendo o pedagógico em ideológico. Chutou o pau da barraca da reforma agrária, e trouxe para o campo uma guerrilha que antes não havia. Havia invasões mas não quantidade e truculência da que hoje se pratica. Atrasou as reformas previdenciária, política e tributária no mandato do governante anterior, e quando chegou na sua vez, além de não dar seqüência, na que fez, fez pior. Trouxe para o campo político o que havia de mais retrógrado e que o país já expulsara. E nas práticas políticas, disseminou a corrupção, o baixo nível, o fisiologismo rasteiro e ordinário. E está promovendo um gigantismo estatal sem limites, sem pudor, que demandará muito atraso para o próprio país, e com reflexos fiscais bastante ruins mais adiante. Ao invés de seguir na linha de se dar ao Estado maior eficiência de gestão, retrocedeu no tempo e implementou uma dosagem exagerada de patifaria, de nomeações de compadrio a inchar a máquina e tornando-a mais paquidérmica do que já era.

Tinha o “vossa excelência”, pela condições em que recebeu o país, e face às oportunidades e cenários mundiais, obrigação de fazer mais e melhor. Muito melhor. E considere-se ainda que ele já está no segundo mandato, do qual o primeiro ano já se esgota, e ainda não saímos do lugar, empacados, emburrecidos, enxovalhados.

Jamais vossa excelência poderá alegar méritos quando o que ofereceu foi incompetência, irresponsabilidade, negligência, atraso, omissão e desídia. Naquilo que tentou criar e inovar, aplicou um viés ideológico que nos levou de volta, em alguns aspectos, ao século 19, e em outros, ao século 20.

Fazer mais, e fazer melhor, seria obrigação de quem não precisou arrumar a casa, e recebeu o país com a economia estabilizada e ordenada.

Assim, quando em discurso cretino, “vossa excelência” afirma que “...qualquer economista de bom senso, com o mínimo de honradez, por mais oposição que faça ao governo, vai reconhecer que o país nunca esteve tão arrumado como está agora...", é fácil perceber que “vossa excelência” não tem a menor idéia do seja honra, do que seja bom senso. Dentro de sua atrofiada visão perturbada, “vossa excelência” lança pechas que se coadunam com a maneira como ele próprio fez oposição. Aliás, qualquer governante medianamente decente, adoraria ter por oposição a que “vossa excelência” tem tido desde 2003. Eta oposição mais aliada esta, seu moço !

Voltando ao ponto inicial, em que consideramos que o “nuncadantez” fosse verdadeiro: se assim o fosse, e não é, é preocupante quando um país tendo todas as condições favoráveis para avançar, e avançar muito, permanece estagnado e estacionado, sem saber que rumo tomar. O “vossa excelência” deve rezar muito para que o céu não fique nublado. Se diante do melhor, ele consegue nos manter estagnados, em tempos de crise imensa, que ele jamais precisou enfrentar, os anos de atraso, pobreza e miséria serão muitos, em função das políticas ou falta delas no governo de “vossa excelência”.

Então vale repetir: DESDE 2003, TINHAMOS A OBRIGAÇÃO DE CRESCER MUITO, E NÃO CRESCEMOS NADA. Portanto, no governo de “vossa excelência”, “nuncadantez” na nossa história fomos tão incompetentes como agora. Nunca nos atrasamos tanto em relação ao resto do mundo como agora, nunca o caos e a barbárie imperaram tanto como agora, e nunca o lixo imoral infestou tanto a política nacional como agora. De fato, “vossa excelência” é um espetáculo de atraso.