Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
O ex-deputado e cassado José Dirceu, semanalmente, comparece ao Jornal do Brasil com um artigo. O de hoje até vale dar uma olhada com aquela natural precaução, por ser ele quem é, e ter a ideologia que defende.
Ao longo do texto, Dirceu fala abertamente de reformas, da necessidades do país implementa-las, etc, etc. Cita a reforma tributária chegando a criticar a perversidade do poder público quanto ao montante que nos cobra, em contrapartida com o retorno zero em serviços que devolve à sociedade. Fala também da reforma política como instrumento capaz de afastar o fantasma da corrupção, apontando que “...Não há consenso social sobre essas questões vitais para o nosso futuro...”, o que particularmente duvido, uma vez que a corrupção está no político, e não no sistema e, que neste caso, o consenso de toda a nação é dar um tiro de misericórdia na safadeza e, principalmente, na impunidade com que os políticos se alimentam e exploram a sociedade que deveriam representar. Mesmo diante de um sistema frágil e com portas escancaradas para o cometimento de crimes, o honesto resiste à tentação e cumpre seu papel, aliás, para o qual ele ali está.
Depois, menciona a reforma administrativa mas sem nada acrescentar. Trata-se apenas de uma mera citação. Nada além disto.
Mas era de reformas que Dirceu queria falar ? De jeito nenhum, apesar do título do artigo ser “reformas, quais reformas?”.
A questão vital do artigo está neste trecho: “Logo, o problema é formar uma maioria no país e eleger uma maioria parlamentar a partir de uma proposta de reformas política, tributária e administrativa, o que só será possível nas eleições de 2010. Esse é o principal desafio dos partidos, particularmente do PT, que sustentaram o projeto político que levou Lula à Presidência da República por duas vezes.”
Agora, analisemos o que isto significa. Dirceu sabe que o PT, dentro de seu projeto hegemônico, não poderá ir muito longe considerando-se, primeiro, o fato de não haver sucessores naturais dentro da atual base aliada ao atual presidente. De fato, nenhum nome tem o peso, a importância e a popularidade de Lula capaz de vencer e herdar o “tesouro” já plantado. Segundo, para que as reformas apontadas por Dirceu possam ser aprovadas sem discussão e reação negativa, o partido precisaria de ampla maioria nas casas do Senado e da Câmara, com a qual pudesse aprovar qualquer mudança legal, mexer na Constituição a seu bel prazer. Assim, para Dirceu o que importa é o porto de chegada, e nunca de partida. Para a tal “ampla maioria” cumpre investir pesado.
Se agora olharmos para os pontos básicos neste segundo mandato, vamos encontrar a estratégia já devidamente delineada para a luta que se travará nas urnas. A propósito, Dirceu também sabe que não há espaço para golpismo de espécie alguma. A sustentação do poder em mãos petistas só se fará pelo voto. Daí sua preocupação com a tal “ampla maioria” congressual.
No fundo, tampouco reforma administrativa nem mesmo a tributária são para Dirceu e mesmo o governo atual e ainda o próprio PT, prioridades extremas. Pra eles o que vale é a reforma política, esta sim capaz de dar seguimento às ambições políticas com que as esquerdas sonham e se alimentam. E aqui o que importa é aplainar o caminho para reeleições sucessivas, ou até mesmo mexerem no mandato presidencial, quando tudo se apagaria e Lula ganharia de bandeja a possibilidade de concorrer em 2010. É lá que está o foco, mas o caminho começa em 2008.
Os “investimentos” estão sendo feitos a toque de caixa. Primeiro foi o balaio de pacs. Agora, vão espalhando as diferentes estratégias. Vejam: vem aí TV pública, ótimo fonte de propaganda e formação de opinião partidária petista. Depois, a luta imensa para a continuidade da CPMF, ótima fonte de recursos para bancar o programão partidário nas campanhas que virão. Seguem ainda as ampliações dos programas ditos sociais, que darão mais dinheiro para mais gente, garantindo assim o voto como a contraprestação dos serviços federais. E, nesta semana, a garantia para estados e municípios de que as verbas dos pacs estarão acima da Lei de Responsabilidade Fiscal, e terão seus repasses como obrigatórios, mesmo que, pela LRF, estados e municípios estejam impedidos, por inadimplência com a União, de serem alimentados pela ração distribuída pelo Tesouro Nacional.
Interessante ainda destacar que o artigo do Dirceu é que, apesar de mencionar reformas e mais reformas, mas não foi capaz de escrever uma linha sequer sobre “quê” medidas deveriam ser tomadas. Por exemplo, reforma tributária: quais impostos cortar, quais alíquotas reduzir. Na política, nem uma palavrinha miserável que fosse sobre representatividade. Sistema distrital misto ou puro ? E na administrativa, por que não “sugerir” que se acabasse de vez com os 23,0 mil cargos de confiança, obrigando que as vagas fossem preenchidas através de concurso ? Ou mesmo sua redução ? Ou também que tal diminuir-se o tamanho do ministério ? Nada.
Portanto, ele próprio dá a senha para o que pretende: todos os que se alinham ao esquerdismo psicopata, ou esquerdopata, devem se entregar de corpo e alma na busca de ampla e geral maioria parlamentar para que o PT possa impor uma agenda de reformas na política nacional capaz de garantir a permanência ad eternum do PT no poder. O resto é firula. Embromação, o famoso “me engana que eu gosto”. Se é para falar de reformas, e se Dirceu quer participar como cidadão brasileiro do verdadeiro e honesto debate, que ponha na mesa suas sugestões. Agora, usar como escudo o amplo sentido do que sejam “reformas” para escamotear a real intenção de aplicar um “caroço” nas instituições, convenhamos, é cretinice demais. Até para alguém como Dirceu...
O ex-deputado e cassado José Dirceu, semanalmente, comparece ao Jornal do Brasil com um artigo. O de hoje até vale dar uma olhada com aquela natural precaução, por ser ele quem é, e ter a ideologia que defende.
Ao longo do texto, Dirceu fala abertamente de reformas, da necessidades do país implementa-las, etc, etc. Cita a reforma tributária chegando a criticar a perversidade do poder público quanto ao montante que nos cobra, em contrapartida com o retorno zero em serviços que devolve à sociedade. Fala também da reforma política como instrumento capaz de afastar o fantasma da corrupção, apontando que “...Não há consenso social sobre essas questões vitais para o nosso futuro...”, o que particularmente duvido, uma vez que a corrupção está no político, e não no sistema e, que neste caso, o consenso de toda a nação é dar um tiro de misericórdia na safadeza e, principalmente, na impunidade com que os políticos se alimentam e exploram a sociedade que deveriam representar. Mesmo diante de um sistema frágil e com portas escancaradas para o cometimento de crimes, o honesto resiste à tentação e cumpre seu papel, aliás, para o qual ele ali está.
Depois, menciona a reforma administrativa mas sem nada acrescentar. Trata-se apenas de uma mera citação. Nada além disto.
Mas era de reformas que Dirceu queria falar ? De jeito nenhum, apesar do título do artigo ser “reformas, quais reformas?”.
A questão vital do artigo está neste trecho: “Logo, o problema é formar uma maioria no país e eleger uma maioria parlamentar a partir de uma proposta de reformas política, tributária e administrativa, o que só será possível nas eleições de 2010. Esse é o principal desafio dos partidos, particularmente do PT, que sustentaram o projeto político que levou Lula à Presidência da República por duas vezes.”
Agora, analisemos o que isto significa. Dirceu sabe que o PT, dentro de seu projeto hegemônico, não poderá ir muito longe considerando-se, primeiro, o fato de não haver sucessores naturais dentro da atual base aliada ao atual presidente. De fato, nenhum nome tem o peso, a importância e a popularidade de Lula capaz de vencer e herdar o “tesouro” já plantado. Segundo, para que as reformas apontadas por Dirceu possam ser aprovadas sem discussão e reação negativa, o partido precisaria de ampla maioria nas casas do Senado e da Câmara, com a qual pudesse aprovar qualquer mudança legal, mexer na Constituição a seu bel prazer. Assim, para Dirceu o que importa é o porto de chegada, e nunca de partida. Para a tal “ampla maioria” cumpre investir pesado.
Se agora olharmos para os pontos básicos neste segundo mandato, vamos encontrar a estratégia já devidamente delineada para a luta que se travará nas urnas. A propósito, Dirceu também sabe que não há espaço para golpismo de espécie alguma. A sustentação do poder em mãos petistas só se fará pelo voto. Daí sua preocupação com a tal “ampla maioria” congressual.
No fundo, tampouco reforma administrativa nem mesmo a tributária são para Dirceu e mesmo o governo atual e ainda o próprio PT, prioridades extremas. Pra eles o que vale é a reforma política, esta sim capaz de dar seguimento às ambições políticas com que as esquerdas sonham e se alimentam. E aqui o que importa é aplainar o caminho para reeleições sucessivas, ou até mesmo mexerem no mandato presidencial, quando tudo se apagaria e Lula ganharia de bandeja a possibilidade de concorrer em 2010. É lá que está o foco, mas o caminho começa em 2008.
Os “investimentos” estão sendo feitos a toque de caixa. Primeiro foi o balaio de pacs. Agora, vão espalhando as diferentes estratégias. Vejam: vem aí TV pública, ótimo fonte de propaganda e formação de opinião partidária petista. Depois, a luta imensa para a continuidade da CPMF, ótima fonte de recursos para bancar o programão partidário nas campanhas que virão. Seguem ainda as ampliações dos programas ditos sociais, que darão mais dinheiro para mais gente, garantindo assim o voto como a contraprestação dos serviços federais. E, nesta semana, a garantia para estados e municípios de que as verbas dos pacs estarão acima da Lei de Responsabilidade Fiscal, e terão seus repasses como obrigatórios, mesmo que, pela LRF, estados e municípios estejam impedidos, por inadimplência com a União, de serem alimentados pela ração distribuída pelo Tesouro Nacional.
Interessante ainda destacar que o artigo do Dirceu é que, apesar de mencionar reformas e mais reformas, mas não foi capaz de escrever uma linha sequer sobre “quê” medidas deveriam ser tomadas. Por exemplo, reforma tributária: quais impostos cortar, quais alíquotas reduzir. Na política, nem uma palavrinha miserável que fosse sobre representatividade. Sistema distrital misto ou puro ? E na administrativa, por que não “sugerir” que se acabasse de vez com os 23,0 mil cargos de confiança, obrigando que as vagas fossem preenchidas através de concurso ? Ou mesmo sua redução ? Ou também que tal diminuir-se o tamanho do ministério ? Nada.
Portanto, ele próprio dá a senha para o que pretende: todos os que se alinham ao esquerdismo psicopata, ou esquerdopata, devem se entregar de corpo e alma na busca de ampla e geral maioria parlamentar para que o PT possa impor uma agenda de reformas na política nacional capaz de garantir a permanência ad eternum do PT no poder. O resto é firula. Embromação, o famoso “me engana que eu gosto”. Se é para falar de reformas, e se Dirceu quer participar como cidadão brasileiro do verdadeiro e honesto debate, que ponha na mesa suas sugestões. Agora, usar como escudo o amplo sentido do que sejam “reformas” para escamotear a real intenção de aplicar um “caroço” nas instituições, convenhamos, é cretinice demais. Até para alguém como Dirceu...