quarta-feira, março 19, 2008

Desinformado ou mal intecionado ?

Adelson Elias Vasconcellos

Se uma pessoa com escassa informação, ou com algum distúrbio fizesse a afirmação de que ''...Crise é 30 vezes maior que a de 1998...'', a gente ainda tentaria relevar. Porém, este não é o caso de Luiz Inácio. Ele também sabe que, entre 1998 e 2008, existe uma enorme diferença.

O primeiro fato é, finalmente, reconhecer que no governo anterior aconteceram “crises internacionais” que atrapalharam, e muito, a vida brasileira, coisa que até então se negava em admitir, pelo menos para o povo.

O segundo fato, e aí é que começa a leviandade e má fé, é querer tornar a crise que ele enfrenta maior do que as cinco que o outro enfrentou. A começar que, as cinco anteriores, ocorreram em países “emergentes”. Depois, desconsiderar que o mundo ainda não havia vivido um período longo de prosperidade, e em todos os países, como o que viveu no período de 2002 a 2007. Acrescente-se, também, que em 1998, a média de crescimento mundial era de 2 a 2,5%, enquanto no período 2002-2007 foi de 5,0% nos países desenvolvidos, e de 7,0 % nos emergentes. Ora, com tamanha prosperidade, que beneficiou a todos, seria natural que todos também chegassem em 2008 mais fortalecidos diante de turbulências. Inclusive o próprio Brasil, que só se beneficiou ainda mais por conta de três razões: apagão elétrico em 2001, o risco país diante da provável eleição do próprio em 2002, considerando-se aqui todo o seus discursos de oposição, e o próprio governo Lula que, se de um lado conservou os fundamentos macroeconômicos que sustentam uma fase de economia estabilizada, por outro, não soube levar adiante um projeto de crescimento que recebera pronto. Privilegiou o aparelhamento do Estado, para a manutenção do poder em nome do seu partido. Foram quatro anos que, e os dados estão aí para provar, que o Brasil simplesmente se manteve estagnado. Somente agora no segundo mandato, recolhendo os projetos que ele próprio cuidou para interromper, reuniu tudo num pacote, deu-lhe um nome marqueteiro-eleitoral e posa pra platéia com um grande desenvolvimentista.

A crise que se abateu sobre os Estados Unidos não chegou ao Brasil é porque até aqui os Bancos Centrais da Comunidade Européia e o próprio FED, se encarregaram de apagar as chamas. Porque se a crise se alastrar e fugir ao controle tanto dos Estados Unidos quanto dos europeus, ela bata aqui sem choro nem vela. As reservas de 195 bilhões de dólares viram pó da noite para o dia, conforme já provamos. E se o preço das commodities despencaram de sua hipervalorização atual, nossa balança comercial entra no vermelho ligeirinho, e em grandes doses. Porque o que sustenta ainda o superávit do comércio exterior não é nenhuma ação do governo federal, do senhor Luiz Inácio, e sim o preço elevado das commodities, responsáveis em 2007, por mais de 60% das nossas exportações. E diga-se ainda o seguinte: deste total, 2/3 são provenientes da atividade mais demonizada pelo atual governo e partido de trambiqueiros, que é o agro-negócio.

Falamos acima dos bancos centrais americano e europeus. Pois bem: o que isto representa senão a ação dos governos para salvar o seu sistema financeiro, exatamente o mesmo que FHC fez com o PROER e do qual até hoje Lula fala mal ? Ora, não é socorro aos banqueiros, e sim ao sistema, porque se ele entrar em colapso quem perde e mais sofre são as pessoas físicas, as que menos recursos tem para se defender. Pois bem: a ação dos países desenvolvidos está justamente salvando a pele dos emergentes, e Lula parece que ainda viu isso.

Mas ter esta consciência até entendo que Luiz Inácio não chegue a yanyo, porém cretinice é querer misturar uma crise em 2008 com outras como a de 1998 dos Tigres Asiáticos. Neste caso, a cretinice tem nome, e não desinformação, e sim, pura má fé.

Um exemplo de má fé é, quando estava na oposição, não admitir sequer a discussão sobre a CPMF, fechando questão e negando sua necessidade, e depois, já no governo, empenhar a alma ao diabo para ter sua continuidade. Má fé sim da parte de quem sempre foi contra às medidas provisórias, mas isto quando foi oposição, porque, agora no governo, ele entende que são indispensáveis à governança do país. Pura má fé é, na oposição, jogar pra torcida com discurso canalha para impedir o país de reformar-se para crescer, e depois no governo, aplaudir tudo aquilo que foi contrário.

Isto do senhor Luiz Inácio dizer que “...até agora não aconteceu nada com o nosso querido Basil..." é puro discurso demagógico além de imbecil. Basta ver o quanto de prejuízo o Banco Central já acumulou com a valorização do real frente ao dólar. É só ver quantos produtos tradicionais em nossa pauta de exportação deixaram de ser vendidos lá fora ! E dizer que “... O Brasil estava desacostumado a crescer. Foram 26 anos de atrofiamento. Mas agora aprendemos. E não tem volta porque nossa política econômica foi baseada na seriedade e não com mágica..." é ser mais cretino ainda. Entre 2003 a 2006, enquanto países emergentes cresceram em médias acima de 5,5%, nossa média ficou pela metade. Em 2007, comemorar os 5,4% de crescimento do PIB é ignorar que ele só foi susperior a Guatemala e Haiti, num ranking de 39 países de mesmo status econômico. A lembrar, também, que foi preciso mudar a metodologia de cálculo do PIB para a gente ultrapassar os cinco por cento. Crescemos sim, mas na carona da prosperidade mundial, e não por obra de ações de um governo que vive ignorando a própria apenas para ostentar uma competência que não tem.

Por sorte do Brasil, o presidente do nosso Banco Central nada tem de petista, e sequer se afina com os discursos dos esquerdopata. Graças a ele, imposto que foi a Luiz Inácio pela comunidade financeira internacional, os postulados básicos de nossa economia estão sendo mantidos desde o Plano Real. É justamente a manutenção desta política que nos beneficiamos.

E o discurso é ainda mais cretino se olharmos, diante da crise atual, e tentarmos achar um único país emergente que esteja sendo atingido ? China? Rússia? Índia? Malásia? México? Chile? Portanto, melhor faria o senhor Luiz Inácio se mantivesse a boca fechada e cantasse menos marra: nunca se sabe se, um dia, precisará lamber no prato em que cuspiu.