quarta-feira, março 19, 2008

A memória curta de Alckmin

Geraldo Alckmin deve estar com sério problema de memória. Por Fernando Barros De Mello e Catia Seabra, da Folha de S.Paulo:

Nunca vi 1º colocado ceder lugar ao 3º, reage Alckmin

O ex-governador Geraldo Alckmin rompeu ontem o estilo contido e reagiu à articulação de vereadores do PSDB em apoio à reeleição de Gilberto Kassab (DEM) à Prefeitura de São Paulo. Em resposta ao terceiro documento produzido pela bancada em favor da aliança, Alckmin disse que nunca viu o primeiro colocado nas pesquisas ceder a vez ao terceiro.

"Claro que sou favorável [à manutenção da aliança]. Agora, por que quem está em primeiro lugar precisa abrir mão para quem está em terceiro? Eu nunca vi isso", afirmou, para completar em seguida: "Só se for para ajudar o PT".


Mal se passaram dois desde que, quando o PSDB discutia seu candidato às eleições de 2006, quando Alckmin, atrás de Serra e Lula nas pesquisas, impôs sua candidatura. Portanto, nós já vimos candidato 1° colocado ceder lugar para o 3° nas pesquisas. E deu no que deu.

A verdade é que esta teimosia do Alckmin já fez o PT mudar seus planos para São Paulo, impondo a candidatura da Marta, por entender que se a aliança PSDB/DEM se desfizer, e cada partido concorrer com seu candidato, existe enorme chance dos petistas recuperarem a Prefeitura. Nem os próprios vereadores tucanos concordam com esta visão distorcida de Alckmin. Claro que, se ele forçar a barra, é provável que Serra acabe aceitando, mesmo que a contragosto, como já ocorrera em 2005.

E a persistir no erro, Alckmin estará se tornando o pior oposicionista tucano à eleição. Dividirá um eleitorado que, de outra forma, garantiria à aliança PSDB/DEM os dois executivos mais importantes do Estado: a prefeitura da capital e o governo do estado.

A seguir, o restante da reportagem da Folha.

Falando contar com "ampla maioria da bancada", o líder Gilberto Natalini divulgou um artigo em que não apenas defende a aliança como exalta o que chamou de conquistas da administração "Serra-Kassab".

Questionado sobre o artigo, Alckmin disse: "Não vi o documento, mas sem ver já achei bom, porque as pessoas devem ter todo o direito de expor suas idéias". O ex-governador defendeu a realização de prévias no PSDB. "Acho que o PSDB já estabeleceu que para 2010 vai ter as primárias e acho que nós deveríamos fazer já", disse.
Nos bastidores, Alckmin manifestou sua irritação a integrantes do comando do PSDB com as declarações de tucanos em favor do atual prefeito.

Kassab chegou ao evento de ontem à noite 10 minutos após a saída de Alckmin e disse preferir "não falar da hipótese de não existir a aliança", por acreditar na manutenção dela. Questionado sobre a declaração do tucano citando pesquisas, disse apenas: "Nunca minimizo as pesquisas, que são importante retrato do momento".

Artigo
No artigo de Natalini, o nome de Kassab está em cinco de oito parágrafos. Não há menção a Alckmin. "Serra e Kassab tomaram posse e, com eles, fincou raízes um princípio ético que se estende até hoje, em cada ação pública. Pouco discurso e muita ação concreta. Seriedade e competência no trato com o dinheiro público", diz o texto do vereador. Natalini afirma que "todos [os vereadores] endossaram o documento".

"Este governo, comandado pelo prefeito Kassab e pelos secretários e subprefeitos, em sua maioria do PSDB, deram [sic] uma nova "cara" para São Paulo com a Lei Cidade Limpa", complementa o texto.

Embora diga não ter restrições à candidatura de Alckmin, Natalini não declarou voto no tucano em caso de duas candidaturas. "Isso é um problema particular meu. Sou extremamente partidário, fiel ao partido, mas em quem vou votar ou deixar de votar é um problema muito particular meu, de foro íntimo", disse em entrevista.

Reunidos na sede do partido, os vereadores informaram ao secretário municipal Andrea Matarazzo a decisão de realizar um ato em favor da aliança no dia 29 --dois dias após a manifestação dos alckmistas.

Os vereadores também decidiram cobrar da direção do partido uma resposta à carta em que sugerem que o diretório municipal seja consultado sobre a aliança. O documento é endereçado ao presidente do partido, José Henrique Reis Lobo. Mas ele não o leu.

Ontem, mais uma vez, Lobo faltou à reunião e designou Matarazzo, vice-presidente do partido, como representante.