Valdo Cruz, Folha de São Paulo
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Banco Central trabalhando dobrado no final de semana, fechando medidas para conter uma crise econômica e socorrendo bancos de quebradeira. Essa era uma rotina brasileira de alguns anos atrás, até o início da década de 90. Pois bem, esse cenário se repetiu nos últimos dias, mas não por aqui, mas nos Estados Unidos, a pátria do consenso de Washington, daqueles que se acostumaram a ditar as regras da boa governança econômica. Falharam. E feio.
Fico pensando se lá, nos Estados Unidos, existisse o PT. Não o de hoje, que foi domesticado pelo mercado --em certo sentido, ainda bem que foi--, mas o de antigamente. Aquele que atirou pedras no governo FHC quando lançou o Proer, o programa de salvamento dos bancos brasileiros quebrados em 1995. Tal como seu congênere tupiniquim, o PT norte-americano deveria estar lançando torpedos contra o presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke. Dizendo que ele está salvando o dinheirinho dos banqueiros americanos.
Só que, hoje, se o Fed não conseguir segurar essa crise, à custa de ajuda a bancos em dificuldades, socorro mesmo, vamos todos para o fundo do poço. Se bater uma crise sistêmica nos Estados Unidos --o que significa uma quebradeira de bancos atrás de banco--, boa parte do mundo vai empobrecer. E a nossa fortaleza externa, erguida sobre os quase US$ 200 bilhões de reservas internacionais, pode começar a ruir rapidamente. Não que cheguemos a uma crise parecida com a vivenciada em anos recentes, mas com certeza daríamos adeus a uma taxa de crescimento que dá gosto de falar, tipo algo na casa dos 5%.
Daí que, nesse momento, o PT do presidente Lula deve é rezar para que são Bernanke não deixe a peteca cair e consiga consertar o estrago que o governo americano, o próprio Federal Reserve e os bancos de lá fizeram nos últimos anos, deixando crescer um mercado de risco no setor imobiliário pronto para explodir. E que explodiu. E cuja capacidade de destruição ainda não se sabe mensurar. O que incomoda a todos.
Até aqui, sobrevivemos. E bem, por sinal. Mas a segunda-feira, dia 17 de março, não foi nada animadora. Os preços das commodities caíram, o dólar subiu, a Bolsa de Valores despencou, o risco-país cresceu. E ainda não sabemos se novos bancos americanos, tal como o Bear Stearns, vão quebrar e terão de ser socorridos pelo Banco Central de lá. Sem falar nos europeus. Imagine se a crise também crescer no velho continente.
Se esse cenário persistir, significa que nossas exportações serão prejudicadas com a queda nos preços da commodities, a inflação poderá ser pressionada com uma alta elevada do dólar e tomar dinheiro lá fora ficará cada vez mais caro com um risco-país crescente. Sem falar que nossas empresas vão perder, momentaneamente, a boa fonte de financiamento do mercado de capitais. Claro que ainda estamos longe de uma catástrofe. Mas estávamos e ainda estamos tão próximos de um novo e duradouro ciclo de crescimento econômico. Será um pena que ele seja interrompido exatamente agora.
Ainda bem que o velho PT não tomou posse com o presidente Lula. Essa é a nossa sorte. Sem ele, teremos, com certeza, condições de atravessar até mesmo uma tempestade econômica. Não sairemos ilesos. Vamos sofrer um bocado. Mas vamos sobreviver.
Banco Central trabalhando dobrado no final de semana, fechando medidas para conter uma crise econômica e socorrendo bancos de quebradeira. Essa era uma rotina brasileira de alguns anos atrás, até o início da década de 90. Pois bem, esse cenário se repetiu nos últimos dias, mas não por aqui, mas nos Estados Unidos, a pátria do consenso de Washington, daqueles que se acostumaram a ditar as regras da boa governança econômica. Falharam. E feio.
Fico pensando se lá, nos Estados Unidos, existisse o PT. Não o de hoje, que foi domesticado pelo mercado --em certo sentido, ainda bem que foi--, mas o de antigamente. Aquele que atirou pedras no governo FHC quando lançou o Proer, o programa de salvamento dos bancos brasileiros quebrados em 1995. Tal como seu congênere tupiniquim, o PT norte-americano deveria estar lançando torpedos contra o presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke. Dizendo que ele está salvando o dinheirinho dos banqueiros americanos.
Só que, hoje, se o Fed não conseguir segurar essa crise, à custa de ajuda a bancos em dificuldades, socorro mesmo, vamos todos para o fundo do poço. Se bater uma crise sistêmica nos Estados Unidos --o que significa uma quebradeira de bancos atrás de banco--, boa parte do mundo vai empobrecer. E a nossa fortaleza externa, erguida sobre os quase US$ 200 bilhões de reservas internacionais, pode começar a ruir rapidamente. Não que cheguemos a uma crise parecida com a vivenciada em anos recentes, mas com certeza daríamos adeus a uma taxa de crescimento que dá gosto de falar, tipo algo na casa dos 5%.
Daí que, nesse momento, o PT do presidente Lula deve é rezar para que são Bernanke não deixe a peteca cair e consiga consertar o estrago que o governo americano, o próprio Federal Reserve e os bancos de lá fizeram nos últimos anos, deixando crescer um mercado de risco no setor imobiliário pronto para explodir. E que explodiu. E cuja capacidade de destruição ainda não se sabe mensurar. O que incomoda a todos.
Até aqui, sobrevivemos. E bem, por sinal. Mas a segunda-feira, dia 17 de março, não foi nada animadora. Os preços das commodities caíram, o dólar subiu, a Bolsa de Valores despencou, o risco-país cresceu. E ainda não sabemos se novos bancos americanos, tal como o Bear Stearns, vão quebrar e terão de ser socorridos pelo Banco Central de lá. Sem falar nos europeus. Imagine se a crise também crescer no velho continente.
Se esse cenário persistir, significa que nossas exportações serão prejudicadas com a queda nos preços da commodities, a inflação poderá ser pressionada com uma alta elevada do dólar e tomar dinheiro lá fora ficará cada vez mais caro com um risco-país crescente. Sem falar que nossas empresas vão perder, momentaneamente, a boa fonte de financiamento do mercado de capitais. Claro que ainda estamos longe de uma catástrofe. Mas estávamos e ainda estamos tão próximos de um novo e duradouro ciclo de crescimento econômico. Será um pena que ele seja interrompido exatamente agora.
Ainda bem que o velho PT não tomou posse com o presidente Lula. Essa é a nossa sorte. Sem ele, teremos, com certeza, condições de atravessar até mesmo uma tempestade econômica. Não sairemos ilesos. Vamos sofrer um bocado. Mas vamos sobreviver.