quarta-feira, março 19, 2008

Indispensável o aumento das reservas

Estadão

Em 2007, entre os países emergentes, o Brasil foi o que teve o maior crescimento, em porcentagem, das reservas internacionais. Tendo em vista o elevado custo de manutenção dessas reservas, pode-se estranhar que, neste ano, elas tenham aumentado (até dia 14 de março) US$ 14,8 bilhões. Porém é preciso compreender, neste momento, a política seguida pelo Banco Central (BC).No ano passado, as reservas internacionais do Brasil apresentaram crescimento de 110,8%, enquanto as dos dois países que detêm as maiores reservas - China e Rússia - tiveram crescimento de somente 43% e 56,8%, respectivamente. No final do ano passado, nossas reservas representavam apenas 11,7% das chinesas e 39,7% das russas.

Alguns meses atrás, numa economia mundial em prosperidade e com o Brasil tendo saldo confortável na balança comercial, era bastante criticável manter reservas elevadas. Aplicadas, elas obtinham remuneração bem inferior à remuneração dos papéis que o Tesouro era obrigado a emitir para neutralizar a expansão monetária causada por adquiri-las.

A situação mudou desde o início do ano com a crise das hipotecas nos EUA, criando-se um clima que justifica plenamente a política do BC.

É preciso lembrar que as intervenções do BC no mercado cambial têm dois objetivos principais: conter o impulso de valorização excessiva da moeda nacional, que favorece operações especulativas de arbitragem, contribuindo ainda mais para a valorização do real; e dispor de um colchão de reservas capaz de oferecer proteção contra uma eventual crise cambial. Ao mesmo tempo, as reservas internacionais permitem obter taxas de juros mais favoráveis no mercado internacional, na medida em que os credores se sentem mais garantidos.

No momento, com uma taxa básica de juros elevada no Brasil, para enfrentar a ameaça de retomada das pressões inflacionistas, enquanto o banco central norte-americano reduz a sua, há grande probabilidade de aumento das operações especulativas de arbitragem.

Ao mesmo tempo, a forte redução do saldo da balança comercial cria o risco de déficits nas contas correntes do balanço de pagamentos. E também não se pode afastar o risco de uma forte redução do preço das commodities que aumentaria esse déficit. Assim, o reforço das reservas, embora a custo elevado, representa um seguro para o País.