quarta-feira, abril 09, 2008

Alguém precisa avisar ao governo o que significa “calamidade

Adelson Elias Vasconcellos

Já se tinham duas tragédias de enormes proporções, as maiores da história, com cerca de 350 mortes, quando o governo resolveu agir na crise aérea.

Antes, isto também acontecera no Rio e em São Paulo, em relação à segurança. E, também, depois que se empilharam muitos cadáveres de inocentes.

O Rio de Janeiro também tem convivido desde o começo do ano, com tragédias no campo da Saúde, como também Pernambuco, Ceará e Alagoas, principalmente, já haviam vividoantes, até que o governo resolveu agir. A crise do Rio não é a primeira. É apenas a repetição da calamidade em que se transformou alguém conseguir ser atendido na rede hospitalar. Muitos precisaram morrer por absoluta falta de atendimento para o governo Lula agir.

Agora, o Nordeste já convive há vários dias com a calamidade das enchentes, com milhares de desabrigados e algumas mortes. E o que se vê? A pasmaceira do governo no atendimento aos flagelados. Chega a ser doloroso assistir crianças chorando de fome, sem abrigo, sem conforto, sem atenção do Poder Público.

Lula está por assinar, se já não o fez nestes últimos dias, uma medida provisória liberando dinheiro aos estados em situação de puro desespero. Mas precisa de MP para isto? Não há no Orçamento da União dotação orçamentária para atender justamente situações de emergências?

Mas a grande questão que fica em aberto é: por que razão ou razões, o governo de Lula precisa ver cadáveres sendo empilhados para só depois agir em situações de calamidade ? Acaso alguém lhe explicou o que seja calamidade? E se explicaram, terá ele entendido a explicação?

Vejam o caso da crise do apagão aéreo: levou praticamente um ano para o governo admitir a existência da crise, com os 350 mortos a que nos referimos acima. E no caso da dengue, então, foram três meses de desespero para as famílias cariocas, até que o governo admitisse estar enfrentando, de fato, uma epidemia e, o que é pior, que a sua rede hospitalar naquele estado estava em frangalhos, para só então tomarem providências. E, é bom lembrar: só agiu depois de mais de 50 mortes, a maioria das quais por pura falta de atendimento no tempo certo.

Seria oportuno que Lula descesse de sua prepotência e, principalmente, dos palanques, e passasse a cuidar um pouco mais dos aspectos que diariamente infernizam e atormentam os brasileiros. Situação esta, note-se bem, fruto de um governo que, tendo dinheiro previsto em orçamento, simplesmente não o aplica como deveria faze-lo, quando não o faz apenas pela metade, como são todos os apagões que já assistimos. A exceção da calamidade provocada pelas chuvas no Nordeste, que aí faltou foi uma ação mais rápida, todos os demais sempre trouxeram à tona o investimento manco do governo federal nas respectivas áreas onde as crises se instalaram. Desde a segurança pública, passando pela febre aftosa nos estados do Mato Grosso e Paraná, principalmente, chegando no apagão aéreo e culminando na epidemia de dengue, todos eles, em comum, demonstram que, mesmo podendo, o governo deixou de investir o necessário e o previsto.

Portanto, seria oportuno que, dentre tantos assessores, algum pelo menos se aproximasse de Lula e lhe ensinasse o significado do que seja calamidade.

Quem sabe o país passe a sofrer menos, porque pior do que governo ruim, é governo nenhum, ausente e omisso.