Raphael Prado, Terra Magazine
O confronto entre forças do governo federal e ocupantes da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, parece inevitável e cada vez mais próximo. A tensão pode ser sentida nas palavras do governador do Estado, José de Anchieta Júnior (PSDB), nessa entrevista exclusiva a Terra Magazine.
Há dias, produtores de arroz contrários à retirada de não-índios da reserva queimam pontes que dão acesso ao local. Chamadas para resolver o impasse, a Polícia Federal e a Força Nacional de Segurança podem criar um confronto que o governador teme:
- (Haverá) Mortes. Mortes de pessoas inocentes nesse processo - afirma.
A Raposa/Serra do Sol ocupa uma área de 1,7 milhão de hectares na divisa do Brasil com a Venezuela e foi reconhecida como reserva indígena pelo presidente Lula, em 2005. Famílias que vivem lá há mais de 50 anos, segundo o governador, terão de abandonar a reserva e isso não será fácil.
- A maioria (dessas famílias) prefere morrer do que sair de lá.
Na noite da segunda-feira, 7, o governador reuniu-se com os responsáveis pela ação, da PF. De acordo com ele, ouviu um lamento de que "estão cumprindo ordens". Na manhã desta terça, 8, a reunião foi com os rizicultores da região.
- Eu me proponho que o Estado coloque toda a logística para tirar os bens, materiais e móveis, que eles têm lá. Eles vão perder a safra mas nós conseguimos tirar as coisas se eles tiverem para onde levar - diz o governador.
Os rizicultores ficaram de pensar se aceitam a proposta e ainda não deram uma resposta. Enquanto isso, o governador aguarda, apreensivo. Leia os principais trechos da entrevista concedida a Terra Magazine:
Terra Magazine - Como está a situação na Reserva, continua tensa?
José de Anchieta Júnior - A situação está muito difícil. Não estamos chegando a um acordo com o pessoal não-índio que está na Reserva. A Polícia Federal já está com um contingente praticamente pronto para começar a operação e nós não acreditamos em uma operação sem confrontos. Então está muito difícil.
E que tipo de conseqüência o senhor pode prever desse confronto?
Mortes. Mortes de pessoas inocentes nesse processo.
O senhor acha que a PF e a Força Nacional de Segurança já estão iniciando a operação, a execução desse plano?
Eles estão montando a logística. Já estão com o efetivo aqui, é uma operação muito grande e você não faz uma operação dessa da noite para o dia. Só a distância da capital onde eles estão sediados até o local do conflito são 200 km e eles estão sem acesso porque os índios queimaram as pontes... está muito difícil a situação.
Mas o senhor conversou com o pessoal que planeja essa ação e qual foi a resposta?
Eles dizem que estão cumprindo ordens, lamentam, vão trabalhar da melhor forma possível e para evitar confronto. Inclusive um policial deu o exemplo que das últimas 300 operações da Polícia Federal não houve nenhuma morte. Mas eu chamei atenção que ao longo dessas 300 operações que eles fizeram nesses últimos 3 ou 4 anos estavam atrás de narcotraficantes, bandidos, assaltantes, seqüestradores... então quando se vai prender uma pessoa dessas ela já estende a mão para colocar a algema. É diferente das pessoas que estão aqui. Porque está mexendo com o sentimento de um povo que está lá há mais de 50 anos, as famílias, e a maioria prefere morrer do que sair de lá. É uma situação totalmente diferente.
O senhor teme que haja um massacre, governador?
Não diria um massacre, para não fazer terrorismo. Se a minha luta é salvar uma vida, ela já se justifica. E eu tenho certeza que é impossível uma operação dessa, a situação é muito delicada. E eu não consigo ver uma situação dessa sem confronto.
Qual é a posição dos rizicultores?
É de resistência. Apesar de eu ter tido uma reunião há pouco e feito uma proposta para eles, para evitar um prejuízo maior. Eu me proponho que o Estado coloque toda a logística para tirar os bens, materiais e móveis, que eles têm lá. Eles vão perder a safra mas nós conseguimos tirar as coisas se eles tiverem para onde levar. Porque se houver o confronto, a PF está determinada para tirar só os homens não-índios da região. E se as famílias deixarem esses bens lá, o que vai acontecer depois? Um conflito entre os indígenas lá dentro. Vão incendiar, destruir o patrimônio que vai ficar lá.
E eles aceitaram essa proposta?
Ficaram de pensar e dar uma resposta mais tarde.
O confronto entre forças do governo federal e ocupantes da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, parece inevitável e cada vez mais próximo. A tensão pode ser sentida nas palavras do governador do Estado, José de Anchieta Júnior (PSDB), nessa entrevista exclusiva a Terra Magazine.
Há dias, produtores de arroz contrários à retirada de não-índios da reserva queimam pontes que dão acesso ao local. Chamadas para resolver o impasse, a Polícia Federal e a Força Nacional de Segurança podem criar um confronto que o governador teme:
- (Haverá) Mortes. Mortes de pessoas inocentes nesse processo - afirma.
A Raposa/Serra do Sol ocupa uma área de 1,7 milhão de hectares na divisa do Brasil com a Venezuela e foi reconhecida como reserva indígena pelo presidente Lula, em 2005. Famílias que vivem lá há mais de 50 anos, segundo o governador, terão de abandonar a reserva e isso não será fácil.
- A maioria (dessas famílias) prefere morrer do que sair de lá.
Na noite da segunda-feira, 7, o governador reuniu-se com os responsáveis pela ação, da PF. De acordo com ele, ouviu um lamento de que "estão cumprindo ordens". Na manhã desta terça, 8, a reunião foi com os rizicultores da região.
- Eu me proponho que o Estado coloque toda a logística para tirar os bens, materiais e móveis, que eles têm lá. Eles vão perder a safra mas nós conseguimos tirar as coisas se eles tiverem para onde levar - diz o governador.
Os rizicultores ficaram de pensar se aceitam a proposta e ainda não deram uma resposta. Enquanto isso, o governador aguarda, apreensivo. Leia os principais trechos da entrevista concedida a Terra Magazine:
Terra Magazine - Como está a situação na Reserva, continua tensa?
José de Anchieta Júnior - A situação está muito difícil. Não estamos chegando a um acordo com o pessoal não-índio que está na Reserva. A Polícia Federal já está com um contingente praticamente pronto para começar a operação e nós não acreditamos em uma operação sem confrontos. Então está muito difícil.
E que tipo de conseqüência o senhor pode prever desse confronto?
Mortes. Mortes de pessoas inocentes nesse processo.
O senhor acha que a PF e a Força Nacional de Segurança já estão iniciando a operação, a execução desse plano?
Eles estão montando a logística. Já estão com o efetivo aqui, é uma operação muito grande e você não faz uma operação dessa da noite para o dia. Só a distância da capital onde eles estão sediados até o local do conflito são 200 km e eles estão sem acesso porque os índios queimaram as pontes... está muito difícil a situação.
Mas o senhor conversou com o pessoal que planeja essa ação e qual foi a resposta?
Eles dizem que estão cumprindo ordens, lamentam, vão trabalhar da melhor forma possível e para evitar confronto. Inclusive um policial deu o exemplo que das últimas 300 operações da Polícia Federal não houve nenhuma morte. Mas eu chamei atenção que ao longo dessas 300 operações que eles fizeram nesses últimos 3 ou 4 anos estavam atrás de narcotraficantes, bandidos, assaltantes, seqüestradores... então quando se vai prender uma pessoa dessas ela já estende a mão para colocar a algema. É diferente das pessoas que estão aqui. Porque está mexendo com o sentimento de um povo que está lá há mais de 50 anos, as famílias, e a maioria prefere morrer do que sair de lá. É uma situação totalmente diferente.
O senhor teme que haja um massacre, governador?
Não diria um massacre, para não fazer terrorismo. Se a minha luta é salvar uma vida, ela já se justifica. E eu tenho certeza que é impossível uma operação dessa, a situação é muito delicada. E eu não consigo ver uma situação dessa sem confronto.
Qual é a posição dos rizicultores?
É de resistência. Apesar de eu ter tido uma reunião há pouco e feito uma proposta para eles, para evitar um prejuízo maior. Eu me proponho que o Estado coloque toda a logística para tirar os bens, materiais e móveis, que eles têm lá. Eles vão perder a safra mas nós conseguimos tirar as coisas se eles tiverem para onde levar. Porque se houver o confronto, a PF está determinada para tirar só os homens não-índios da região. E se as famílias deixarem esses bens lá, o que vai acontecer depois? Um conflito entre os indígenas lá dentro. Vão incendiar, destruir o patrimônio que vai ficar lá.
E eles aceitaram essa proposta?
Ficaram de pensar e dar uma resposta mais tarde.