domingo, abril 13, 2008

Estão armando o palanque para o golpismo

Adelson Elias Vasconcellos

Escrevemos um artigo em que contestávamos o Luiz Inácio quando afirmou e acusou a Oposição de discutir terceiro mandato, dizendo tratar-se de “pura bobagem”. Demonstramos e deixamos claro que, quem efetivamente armou o palanque, foi o próprio Lula e seus asseclas.

Em outro ocasião, também já havíamos provado que o Luiz Inácio só pensa “naquilo”. Exagero ? Idéia absurda? Afinal, ele próprio responde ao repórteres que lhe perguntam que, inclusive, se apartaria do PT se seu partido continuasse a tratar do tema.

Bem, ele até pode que não, mas diante da tentação, poderia alegar que quem lhe concedeu um “plus” de tempo foi o Congresso, não é mesmo? Contudo, no fundo o comando é o seguinte: ele continuará negando, e sua base de apoio no Congresso continuará trabalhando nos bastidores para em 2010 não haver troca de mãos no Planalto.

Neste final de semana, a edição da Revista VEJA traz uma reportagem relatando como esta operação está se desenvolvendo, e muito mais avançada do que se supõe. Faz parte da estratégia ele chamar o assunto para si mesmo com negativas, enquanto isto os governistas vão fazendo o trabalho sujo para lhe garantir mais tempo no poder.

O capitão da estratégia que está sendo desenvolvida não é nada mais nada menos do que Devanir Ribeiro, petista e compadre de Luiz Inácio. Deliciem-se com o que vai abaixo não sem antes colocarem suas barbas de molho. A concretizar-se o plano de vôo, Lula poderá somar 15 anos, isto mesmo, vocês não leram mal, seria 15 anos no poder, como presidente. Muitos ditadores duraram menos.

E a não ser pela movimentação de Aécio Neves, buscando ser o candidato do PSDB em 2010, a oposição, regra gera, só reage as tentativas de emplacarem um terceiro mandato para Lula. Ou seja, sequer conseguem afinar um discurso partidário pelo qual se pudesse costurar um projeto de país. Apesar de Lula ter herdeiro de tudo que se plantou nos anos 90, a falta de competência para gerenciar e dar direção para resolução de problemas indica muitos caminhos à frente, muitas alternativas, porque apesar da propaganda oficial, vivemos situações de extrema dificuldade.

Uma delas é a falta de prioridade no campo da educação básica e fundamental. E volta a repetir o velho refrão: não é uma questão de dinheiro ou de falta dele o que nos atrapalha. Nossas dificuldades se localizam no terreno das ações, da composição de um currículum escolar com qualidade e conteúdo, menos ideológico, mais intelectual. E isto passa necessariamente pela qualificação dos professores, e vai também de encontro às péssimas condições tanto de instalações quanto de meios, na grande maioria das escolas públicas do país.

Saindo da educação e indo para a infra-estrutura a coisa então toma ares de calamidade. A par da nossa competência no campo, com altos índices de produtividade em várias culturas agrícolas, que seriam capazes de nos posicionar na liderança na produção de alimentos mundial, os custos de escoamento aliado ao custo tributário e ambos devidamente amarrado e estrangulado os altos juros que ainda se pratica, tornam os produtos brasileiros mais caros. Mas aí é outro capítulo.

O que importa discutir é que Lula viaja numa popularidade conquistada não pelos méritos de suas políticas e programas, porque o que se diz ser o sustentáculo de sua popularidade, se tratam, evidentemente, de programas para os quais não colaborou quando de sua criação. Até pelo contrário.

As razões de sua aceitação popular se dá justamente por lhe ser colado nenhuma oposição competente, por acusar sem resposta do lado oposto, por se gabar por coisas que não fez e que estão dando certo sem ser sequer admoestado. Assim, sem oposição, fica fácil o caminho.

Ao lado deste cenário, agregue-se a imensa prosperidade econômica que o mundo experimentou nos últimos seis anos, é do qual o Brasil foi imensamente beneficiado, e se terá justificada sua aprovação.

Não fosse por isso, situações como as repetidas crises e apagões na rede pública de saúde, o retorno de inúmeras doenças que se julgava longes do país, o apagão aéreo, o apagão na segurança pública, o apagão ética com as montanhas de escândalos de corrupção constatados em sua própria base de apoio político, seriam suficientes para colocar seu governo abaixo. E tal não ocorre porque as oposições ao invés de combatê-lo com agenda diversa, querem sangra-lo nos defeitos. Precisam entender que enquanto a população não for afetada no plano econômico, e dada a baixa escolaridade que a maioria possui, tudo acaba sendo relevado.

Assim, não basta a crítica contumaz se a ela não se oferecer à sociedade brasileira caminhos alternativos para a solução dos nossos maiores problemas que, aliás, são muitos.

Portanto, diante da apatia com que se comportam as oposições, os governistas podem se dar ao luxo de brincar de democracia, ameaça-la com soluções golpistas porque, entendem, que o povo as apoiará.

De fato, num primeiro momento o povo até apóia. Porém, e a História é prova eloqüente, todas as ditaduras trazem o vírus que acabará corroendo o estado de direito e as liberdades e garantias individuais, na tentativa de impedir que seus opositores tenham voz. É preciso lembrar: este caminho não tem volta, quando se entra nele, a saída sempre será dolorosa, difícil quando não ao custo de muitas vidas.

Portanto, é bom que tucanos e democratas tratem de achar o que chamo de caminho alternativo para que o Brasil não seja tentado aos golpismos, conforme vocês podem sacar na excelente reportagem da Revista VEJA tratando dos acordos de submundo em gestação no Congresso Nacional.

A seguir, trecho da reportagem narrando os meandros em que se está armando o palanque para o golpismo. Chegou a hora de testarmos nossas instituições democráticas, para ver até onde são capazes de resistir ao charme dos golpistas de plantão. E registre-se: os golpistas de agora são os mesmos que queriam substituir a ditadura militar por outra de esquerda. Agora, que se acham no poder, entendem ter a oportunidade para vingarem seu intento. Nos posts seguintes, a íntegra do texto da VEJA que, para facilitar a leitura, foi dividido em dois blocos.

Proposta pode levar Lula a ficar 15 anos no poder
Revista VEJA

O deputado petista Devanir Ribeiro prepara um projeto de emenda à Constituição que, caso seja encaminhado da forma até aqui imaginada e aprovado pelo Congresso, pode dar a Lula a chance de permanecer na Presidência até 2017. Quem revelou o plano a VEJA na semana passada, em uma conversa no plenário da Câmara, foi o próprio Devanir. Em sua reportagem de capa desta semana, a revista traz os detalhes da proposta.

Devanir pretende propor, ainda nesta semana segundo ele, um mandato de cinco anos para todos os cargos eletivos, de vereador a presidente da República – sem reeleição. Ao mesmo tempo, quer aprovar a unificação do pleito para que todos os cargos sejam disputados de uma vez a cada cinco anos.

Para que esta coincidência de datas ocorra, o deputado vai propor que os atuais mandatos de Lula, dos governadores, senadores, deputados federais e estaduais sejam ampliados por mais dois anos. "Aí teríamos uma eleição única em 2012. A partir daí, todos os políticos teriam mandatos de cinco anos", disse Devanir.

Resumindo: pela proposta do deputado muy amigo, Lula, de imediato, já ganharia mais dois anos de mandato. Se o plano der inteiramente certo, o presidente ainda poderá se candidatar em 2012 a mais cinco anos de mandato. Não seria re-reeleição, mas um uma eleição baseada em "novas regras". Ou seja, o projeto de Devanir daria ao presidente a chance de ficar 15 anos seguidos no poder.

O deputado e compadre de Lula, entretanto, não é o único a dar vida à tese do terceiro mandato. Esta idéia estapafúrdia tem ganhado a atenção de políticos das mais variadas esferas .