Adelson Elias Vasconcellos
Enquanto o brasileiro precisa trabalhar cada vez mais para quitar dívidas de financiamentos e trabalhar praticamente 5 meses por ano para pagar a maior carga tributária do mundo, é agraciado com o pior desgoverno de todos os tempos. Hoje são necessários mais de nove meses de trabalho para pagar empréstimos. Em 2004, essa conta era inferior a seis meses. O aumento de 60% no comprometimento da renda com empréstimos em três anos é resultado do ritmo de crescimento do crédito ao consumidor, muito superior à massa de salários.
Mas, pelo lado dos gigolôs políticos da Nação, onde não se tem compromisso com o país, muito menos com a responsabilidade que deveriam, a farra com o dinheiro público. Apenas para se ter uma ligeira idéia, nos primeiros três meses e meio de 2008, a Presidência da República já gastou R$ 2.727.115 com seus cartões corporativos. Documentos em poder desta coluna mostram que já houve mais de 18 mil lançamentos em cartões da Presidência desde meados de 2005. No mesmo período, entre saques e pagamentos, foram gastos R$ 40,5 milhões com os cartões do Palácio do Planalto. Os gastos sigilosos não estão incluídos. E pelo lado do legislativo, a ganância e a ostentação preparam mais uma mordida no contribuinte: já se discute o aumento da verba de gabinete que cada um deles “rouba” dos cofres públicos para R$ 60,0 mil reais por mês, isto é afora os salários malditos que eles comem trabalhando menos do deveriam e fazendo nada do que poderiam.
Convenhamos, assim fica difícil sonhar com um país sério. A cada dia um golpe a mais. Agora, por conta da inflação, falam em aumentar os juros. Mas por que mesmo a inflação assusta? Dizem que é porque a demanda está acima do que a oferta pode atender. Mas quem afinal “incentivou” e até comemorou esta demanda? Quem podendo manter as forças de mercado equilibrados, para que o ônus da incompetência dos governantes, não caísse nas costas da sociedade?
Vale a pena uma leitura reflexiva num editorial do Estadão sobre a armadilha que o governo Lula armou, e que agora vai nos custar caro.
A armadilha da demanda artificial
Desde o ano passado vimos criticando a política do governo de criar uma demanda artificial para obter maior crescimento econômico. Com isso, o que se criou foi uma situação muito desconfortável para o governo: não pode retirar de repente os incentivos à demanda, que contribuíram para aumentar as importações, por sua vez, estimuladas pela valorização do real - e o País corre o risco da acumular déficits nas transações correntes do balanço de pagamentos.O primeiro estímulo a um aumento artificial do poder aquisitivo foi a criação do crédito consignado em folha de pagamentos, que, dando maiores garantias à instituição financeira, opera com taxa de juros muito inferior à do crédito pessoal e acabou estendido aos aposentados. Representa, hoje, em torno de 57% de todo o crédito pessoal. O propósito era positivo, mas a medida deveria ter sido acompanhada por uma limitação estrita da parcela empenhada dos vencimentos do tomador.
Enquanto o brasileiro precisa trabalhar cada vez mais para quitar dívidas de financiamentos e trabalhar praticamente 5 meses por ano para pagar a maior carga tributária do mundo, é agraciado com o pior desgoverno de todos os tempos. Hoje são necessários mais de nove meses de trabalho para pagar empréstimos. Em 2004, essa conta era inferior a seis meses. O aumento de 60% no comprometimento da renda com empréstimos em três anos é resultado do ritmo de crescimento do crédito ao consumidor, muito superior à massa de salários.
Mas, pelo lado dos gigolôs políticos da Nação, onde não se tem compromisso com o país, muito menos com a responsabilidade que deveriam, a farra com o dinheiro público. Apenas para se ter uma ligeira idéia, nos primeiros três meses e meio de 2008, a Presidência da República já gastou R$ 2.727.115 com seus cartões corporativos. Documentos em poder desta coluna mostram que já houve mais de 18 mil lançamentos em cartões da Presidência desde meados de 2005. No mesmo período, entre saques e pagamentos, foram gastos R$ 40,5 milhões com os cartões do Palácio do Planalto. Os gastos sigilosos não estão incluídos. E pelo lado do legislativo, a ganância e a ostentação preparam mais uma mordida no contribuinte: já se discute o aumento da verba de gabinete que cada um deles “rouba” dos cofres públicos para R$ 60,0 mil reais por mês, isto é afora os salários malditos que eles comem trabalhando menos do deveriam e fazendo nada do que poderiam.
Convenhamos, assim fica difícil sonhar com um país sério. A cada dia um golpe a mais. Agora, por conta da inflação, falam em aumentar os juros. Mas por que mesmo a inflação assusta? Dizem que é porque a demanda está acima do que a oferta pode atender. Mas quem afinal “incentivou” e até comemorou esta demanda? Quem podendo manter as forças de mercado equilibrados, para que o ônus da incompetência dos governantes, não caísse nas costas da sociedade?
Vale a pena uma leitura reflexiva num editorial do Estadão sobre a armadilha que o governo Lula armou, e que agora vai nos custar caro.
A armadilha da demanda artificial
Desde o ano passado vimos criticando a política do governo de criar uma demanda artificial para obter maior crescimento econômico. Com isso, o que se criou foi uma situação muito desconfortável para o governo: não pode retirar de repente os incentivos à demanda, que contribuíram para aumentar as importações, por sua vez, estimuladas pela valorização do real - e o País corre o risco da acumular déficits nas transações correntes do balanço de pagamentos.O primeiro estímulo a um aumento artificial do poder aquisitivo foi a criação do crédito consignado em folha de pagamentos, que, dando maiores garantias à instituição financeira, opera com taxa de juros muito inferior à do crédito pessoal e acabou estendido aos aposentados. Representa, hoje, em torno de 57% de todo o crédito pessoal. O propósito era positivo, mas a medida deveria ter sido acompanhada por uma limitação estrita da parcela empenhada dos vencimentos do tomador.
Com a redução das taxas de juros - apesar de continuarem elevadas, em termos relativos - se criou uma competição de ofertas em que as empresas procuram estender ao máximo os prazos dos financiamentos. Cresceram também as operações longamente parceladas nos cartões de crédito, que chegaram a 52% de todo o movimento de vendas do comércio. A tudo isso acrescentou-se o crédito imobiliário - facilitado e barateado -, que, por sua própria natureza, é de longo prazo.
A velocidade com que se criou um grande aumento da demanda (sustentada ainda pela política assistencial do governo) não permitiu uma adaptação rápida da oferta interna ao volume da demanda doméstica, com a diferença sendo coberta por importações, graças a uma taxa cambial valorizada que permitia adquirir bens importados a um custo menor do que os produzidos pela indústria nacional. Surge, assim, uma situação delicada para a balança comercial, que enfraquece as contas externas.
É muito difícil, para o governo, recuar dessa política de estímulos artificiais à demanda, como ficou claro com a reação negativa e peremptória do presidente da República à idéia do ministro da Fazenda de reduzir os prazos do crédito.
E ainda há outra ameaça: a do crescimento da inadimplência, caso ocorra queda da atividade econômica. O exemplo dos EUA mostra que a inadimplência atingiu o maior nível em 16 anos, não apenas no crédito imobiliário, mas também nos cartões. Caberia meditar sobre esse exemplo.