Estadão
A greve dos auditores fiscais da Receita Federal, que estão parados desde o dia 18 de março, traz conseqüência econômica grave na medida em que impede a indústria nacional de receber matérias-primas, peças e componentes necessários às suas operações e já está afetando toda a produção. No caso do comércio, a greve não está contribuindo, ainda, para uma melhoria da situação cambial, ao contrário do que se poderia imaginar.
A greve dos auditores fiscais da Receita Federal, que estão parados desde o dia 18 de março, traz conseqüência econômica grave na medida em que impede a indústria nacional de receber matérias-primas, peças e componentes necessários às suas operações e já está afetando toda a produção. No caso do comércio, a greve não está contribuindo, ainda, para uma melhoria da situação cambial, ao contrário do que se poderia imaginar.
Em Manaus, 18 empresas tiveram suas linhas de produção afetadas e em torno de 7 mil trabalhadores tiveram de entrar em férias coletivas. Mas outras regiões do País e outros setores industriais vão ser afetados, reduzindo a produção e enfrentando dificuldade para atender a uma elevação da demanda doméstica.No front do comércio exterior, preocupa mais a situação das importações, que exigem fiscalização mais rigorosa do que a das exportações. Assim, as vendas ao exterior, por terem uma fiscalização menos rigorosa e mais rápida do que as importações, tiveram, na segunda semana de abril, aumento de apenas 0,5%, ante 14,1% no acumulado no ano até 13 de abril. No que se refere às importações, registrou-se, na segunda semana de abril, queda de 12,9%, enquanto o resultado acumulado do ano foi de aumento de 41,4%.
Esses dados deverão afetar o resultado da balança comercial, calculado a partir das estatísticas aduaneiras. Seguramente, estamos tendo também de enfrentar um certo atraso no envio dos produtos exportados, o que afeta a confiança dos importadores estrangeiros. Já o atraso na liberação dos produtos importados tem efeito altamente pernicioso sobre a produção interna.
No lado do câmbio a situação é um pouco diferente, como mostram os dados sobre o fluxo de divisas nos 11 primeiros dias de abril.Temos um resultado positivo de US$ 5,435 bilhões, ante US$ 4,362 bilhões em igual período de 2007. Foi, mais uma vez, o fluxo comercial que deu a maior contribuição, com US$ 3,721 bilhões resultantes da exportação de US$ 7,709 bilhões e da importação de US$ 3,989 bilhões. Em igual período de 2007, o saldo comercial foi menor: US$ 3,332 bilhões.
Esses dados mostram que os exportadores internam suas receitas para se aproveitar da alta taxa interna de remuneração, enquanto as importações, que são financiadas no exterior, não representam uma saída imediata de divisas, que poderia contribuir para a desejada desvalorização do real.