Adelson Elias Vasconcellos
“Porque estejam certos de uma coisa: no dia em que o Brasil for governado com a competência que ele merece, nossa briga não será para fugir dos últimos lugares do atraso, e sim, com as principais nações desenvolvidas e ricas do mundo. Ao Brasil não falta nada, a não ser governo sério, honesto e que trabalhe apenas pelo país.”
Há pelo menos 10 anos seguidos, o Tesouro bate recordes sucessivos na arrecadação de impostos. Muito embora no período, o crescimento do PIB seja relativamente pequeno, as sucessivas elevações da carga tributária agregada à competência do fisco, com a adoção de controles cada vez mais eficientes e fiscalização sempre mais e mais presente, tem garantido ao Estado contar com expressivos volumes de recursos.
Sendo assim, por que o país não consegue avançar no seu crescimento e desenvolvimento, e sempre que se está diante de uma aceleração do consumo interno, precisamos pisar no freio, elevar os juros para conter a escalada de preços ?
Reparem que, por mais insignificante que seja a elevação destes juros, governo e oposição, se enfurecem e sentam a lenha no Banco Central onde, parece, ninguém gosta de crescimento econômico. E fazem assim como se o BC não pertencesse ao Estado e sua não fosse conseqüente da própria política econômica dos governos.
Menos mal que ainda temos o BC para tentar corrigir, mesmo que de forma drástica e até dramática, as incompetências que as equipes econômicas vão cometendo pelo caminho. Porque é bom notarem o seguinte: a culpa dos juros altos nunca foi do Banco Central, mas sim do próprio governo.
E digo isto aqui não por conta do aumento de meio ponto desta quarta-feira após quase três anos de desaceleração. Disse isto antes do aumento, quando fiz uma leitura das razões que sinalizavam para um reajuste necessário. E, dentre as razões apontadas, estava a irresponsabilidade do governo federal na gastança desenfreada. E especificamente me referia ao governo atual que, antes, tratou de plantar algumas informações manipuladas, para não precisar se preocupar em conter seus gastos, dos quais ele vinha sendo criticado e cobrado desde o final do primeiro mandato de Lula.
Como o governo não produz riqueza alguma, ele apenas se alimenta delas, ao arrecadar impostos, a aplicação deve, obrigatoriamente, ser direcionada para duas ações preponderantes sobre as demais: de um lado, a manutenção dos serviços essenciais tais como educação, segurança, saneamento básico, transportes, etc, aqui se entendendo não apenas a conservação dos já existentes e instalados, bem como na sua ampliação e modernização. De outro lado, temos novos investimentos, com a abertura de novas estradas, novos portos, ampliação da rede ensino com a introdução de novas técnicas pedagógicas, melhor aparelhamento dos serviços de segurança, etc.
Tudo o mais, n/ao enquadrado acima, é simplesmente supérfluo. Exemplo: ampliação de número de diretorias em empresas estatais para abrigar afilhados políticos. Tal despesa, sabe-se, jamais dará retorno algum ao país, não será capaz de acrescentar um centavo na produção de riquezas, não significará um tostão a mais de benefícios sociais à nação. E é aqui que começa o problema: o governo arrecada mais, mas investe menos no essencial. Resultado: o país se mantém equilibrado mas estagnado. Assim, qualquer aceleração no consumo e logo a capacidade de atender a demanda se esgota e os preços começam a se elevar. E isto obriga ao Banco Central elevar os juros, conter o crescimento e o país acaba não saindo lugar. Nesta semana mesmo, o Congresso elevou sua já dispendiosa despesa em mais R$ 75 milhões, por conta do reajuste que os parlamentares se auto-concederam elevando suas verbas de gabinete para R$ 60,0 mil per capita. Em que tal gasto a mais contribuirá para aumentar os investimentos no essencial? Em nada, absolutamente nada. Uma despesa, portanto, contra o país.
Dentre os países emergentes o Brasil é, seguramente, o que ostenta os juros mais altos e a carga tributária mais alta. Mas, em contrapartida, é onde o Estado menos investe em relação PIB. Como vimos no início, não se trata de problemas de arrecadação, e sim, de problemas de falta de projetos e de se definir com seriedade as prioridades nas quais deveremos empregar a arrecadação pública.
A iniciativa privada, por seu turno, até que investe, apesar do Estado e apesar da carga tributária sufocante. Mas poderia ser ainda mais dinâmica no investimento, gerando emprego, renda e aumentando a arrecadação de impostos para o poder público fazer sua parte. Assim, enquanto não tivermos governante sério, que chegue imbuído da vontade real de direcionar o Estado para que ele seja o protagonista de um projeto de desenvolvimento, permaneceremos neste crescimento iô-iô por muitos anos. E daqui há dez anos, ainda ouviremos dos empresários e políticos de todos os gêneros o xororô dos juros altos. Não que eles não tenham razão. Até tem, mas é preciso cobrar do governo federal que ele realize a sua parte.
Lembram quando falei aqui na cobrança do IOF aos investidores estrangeiros em títulos públicos, implementado em março passado, de que logo logo o governo elevaria os juros para neutralizar o ônus aplicado sobre o capital motel? Pois então, e por que o governo federal precisa tanto deste capital ambulante a caça de lucros fartos e fáceis? Porque, como o governo não estanca suas despesas, ele além de torrar o dinheiro dos impostos, precisa ainda fazer caixa para fechar suas contas. E isto ele consegue com o aumento da dívida pública. E como isto se dá? Pelos juros extorsivos que aplica cuja conseqüência é sugar cerca de 90% do crédito disponível no mercado.
E ainda avisei que, nesta conta, sequer estava incluindo programas sociais muitos dos quais necessários sim, mas já beirando o excesso. Já seriam excessivos considerando-se os critérios (ou falta de ...) com que são concedidos. Mas ainda assim vá lá: me referia ao excesso de gastos de pura ostentação, desperdício puro, dinheiro que escorre no ralo da corrupção por exemplo, no excesso de cargos improdutivos que não acrescentam serviços e nem qualidade a eles. Puro fisiologismo político. Este custo é alto, assim como é alto despesas irresponsáveis e desnecessárias do tipo TV pública, e por aí vai.
No post seguinte, reproduziremos excelente artigo do Carlos Sardenberg em que ele toca o dedo na ferida, e a ilustra com números que bem demonstram o quão longe este governo está de entender o que seja um projeto de desenvolvimento para o país, ou o que seja um crescimento sustentável. Quando critico que o pac eleitoreiro nada mais é o cumprimento de um dever do estado, que sempre foi feito, apenas que dele nunca dantes se tirou o demagógico e canalha lucro político como Lula vem fazendo, não é nenhum exagero. Como também não é quando se olha para o que está sendo feito e constatamos que os investimentos permanecerão nos mesmos níveis em que se sempre se mantiveram os últimos anos. Gastar R$ 15,0 milhões anuais para fazer “campanha internacional” para atrair investidores também se trata de desperdício, por o que atrai o investimento não é propaganda, não é conversa mole, não marketing eleitoreiro cafajeste. O investidor, antes de desembolsar seu dinheiro, quer saber é de estradas, comunicações, educação, segurança policial e jurídica, carga tributária e juros internos. E esta é a nossa triste realidade: em todos os quesitos estamos em estado terminal, na rabeira do bloco dos emergentes, os quais, com muito menos do que nós, tem feito mais e melhor por seus países, razão pela qual seus índices de crescimento são superiores aos nossos, enquanto o Brasil teima em brigar com Haiti e Guatemala para saber quem segurará a lanterna.
E, em particular ao governo Lula, precisamos nos aperceber de que, enquanto ele e sua base de apoio político, se digladiarem apenas em “projetos políticos de poder”, não conseguirão tirar o Brasil do atoleiro. O pouco que avançamos não tem sido por obra e graça do governo federal. É pela capacidade que este povo tem em se superar, apesar de seus ineptos e maus governantes. Porque estejam certos de uma coisa: no dia em que o Brasil for governado com a competência que ele merece, nossa briga não será para fugir dos últimos lugares do atraso, e sim com as principais desenvolvidas e ricas do mundo. Ao Brasil não falta nada, a não ser governo sério, honesto e que trabalhe apenas pelo país.
“Porque estejam certos de uma coisa: no dia em que o Brasil for governado com a competência que ele merece, nossa briga não será para fugir dos últimos lugares do atraso, e sim, com as principais nações desenvolvidas e ricas do mundo. Ao Brasil não falta nada, a não ser governo sério, honesto e que trabalhe apenas pelo país.”
Há pelo menos 10 anos seguidos, o Tesouro bate recordes sucessivos na arrecadação de impostos. Muito embora no período, o crescimento do PIB seja relativamente pequeno, as sucessivas elevações da carga tributária agregada à competência do fisco, com a adoção de controles cada vez mais eficientes e fiscalização sempre mais e mais presente, tem garantido ao Estado contar com expressivos volumes de recursos.
Sendo assim, por que o país não consegue avançar no seu crescimento e desenvolvimento, e sempre que se está diante de uma aceleração do consumo interno, precisamos pisar no freio, elevar os juros para conter a escalada de preços ?
Reparem que, por mais insignificante que seja a elevação destes juros, governo e oposição, se enfurecem e sentam a lenha no Banco Central onde, parece, ninguém gosta de crescimento econômico. E fazem assim como se o BC não pertencesse ao Estado e sua não fosse conseqüente da própria política econômica dos governos.
Menos mal que ainda temos o BC para tentar corrigir, mesmo que de forma drástica e até dramática, as incompetências que as equipes econômicas vão cometendo pelo caminho. Porque é bom notarem o seguinte: a culpa dos juros altos nunca foi do Banco Central, mas sim do próprio governo.
E digo isto aqui não por conta do aumento de meio ponto desta quarta-feira após quase três anos de desaceleração. Disse isto antes do aumento, quando fiz uma leitura das razões que sinalizavam para um reajuste necessário. E, dentre as razões apontadas, estava a irresponsabilidade do governo federal na gastança desenfreada. E especificamente me referia ao governo atual que, antes, tratou de plantar algumas informações manipuladas, para não precisar se preocupar em conter seus gastos, dos quais ele vinha sendo criticado e cobrado desde o final do primeiro mandato de Lula.
Como o governo não produz riqueza alguma, ele apenas se alimenta delas, ao arrecadar impostos, a aplicação deve, obrigatoriamente, ser direcionada para duas ações preponderantes sobre as demais: de um lado, a manutenção dos serviços essenciais tais como educação, segurança, saneamento básico, transportes, etc, aqui se entendendo não apenas a conservação dos já existentes e instalados, bem como na sua ampliação e modernização. De outro lado, temos novos investimentos, com a abertura de novas estradas, novos portos, ampliação da rede ensino com a introdução de novas técnicas pedagógicas, melhor aparelhamento dos serviços de segurança, etc.
Tudo o mais, n/ao enquadrado acima, é simplesmente supérfluo. Exemplo: ampliação de número de diretorias em empresas estatais para abrigar afilhados políticos. Tal despesa, sabe-se, jamais dará retorno algum ao país, não será capaz de acrescentar um centavo na produção de riquezas, não significará um tostão a mais de benefícios sociais à nação. E é aqui que começa o problema: o governo arrecada mais, mas investe menos no essencial. Resultado: o país se mantém equilibrado mas estagnado. Assim, qualquer aceleração no consumo e logo a capacidade de atender a demanda se esgota e os preços começam a se elevar. E isto obriga ao Banco Central elevar os juros, conter o crescimento e o país acaba não saindo lugar. Nesta semana mesmo, o Congresso elevou sua já dispendiosa despesa em mais R$ 75 milhões, por conta do reajuste que os parlamentares se auto-concederam elevando suas verbas de gabinete para R$ 60,0 mil per capita. Em que tal gasto a mais contribuirá para aumentar os investimentos no essencial? Em nada, absolutamente nada. Uma despesa, portanto, contra o país.
Dentre os países emergentes o Brasil é, seguramente, o que ostenta os juros mais altos e a carga tributária mais alta. Mas, em contrapartida, é onde o Estado menos investe em relação PIB. Como vimos no início, não se trata de problemas de arrecadação, e sim, de problemas de falta de projetos e de se definir com seriedade as prioridades nas quais deveremos empregar a arrecadação pública.
A iniciativa privada, por seu turno, até que investe, apesar do Estado e apesar da carga tributária sufocante. Mas poderia ser ainda mais dinâmica no investimento, gerando emprego, renda e aumentando a arrecadação de impostos para o poder público fazer sua parte. Assim, enquanto não tivermos governante sério, que chegue imbuído da vontade real de direcionar o Estado para que ele seja o protagonista de um projeto de desenvolvimento, permaneceremos neste crescimento iô-iô por muitos anos. E daqui há dez anos, ainda ouviremos dos empresários e políticos de todos os gêneros o xororô dos juros altos. Não que eles não tenham razão. Até tem, mas é preciso cobrar do governo federal que ele realize a sua parte.
Lembram quando falei aqui na cobrança do IOF aos investidores estrangeiros em títulos públicos, implementado em março passado, de que logo logo o governo elevaria os juros para neutralizar o ônus aplicado sobre o capital motel? Pois então, e por que o governo federal precisa tanto deste capital ambulante a caça de lucros fartos e fáceis? Porque, como o governo não estanca suas despesas, ele além de torrar o dinheiro dos impostos, precisa ainda fazer caixa para fechar suas contas. E isto ele consegue com o aumento da dívida pública. E como isto se dá? Pelos juros extorsivos que aplica cuja conseqüência é sugar cerca de 90% do crédito disponível no mercado.
E ainda avisei que, nesta conta, sequer estava incluindo programas sociais muitos dos quais necessários sim, mas já beirando o excesso. Já seriam excessivos considerando-se os critérios (ou falta de ...) com que são concedidos. Mas ainda assim vá lá: me referia ao excesso de gastos de pura ostentação, desperdício puro, dinheiro que escorre no ralo da corrupção por exemplo, no excesso de cargos improdutivos que não acrescentam serviços e nem qualidade a eles. Puro fisiologismo político. Este custo é alto, assim como é alto despesas irresponsáveis e desnecessárias do tipo TV pública, e por aí vai.
No post seguinte, reproduziremos excelente artigo do Carlos Sardenberg em que ele toca o dedo na ferida, e a ilustra com números que bem demonstram o quão longe este governo está de entender o que seja um projeto de desenvolvimento para o país, ou o que seja um crescimento sustentável. Quando critico que o pac eleitoreiro nada mais é o cumprimento de um dever do estado, que sempre foi feito, apenas que dele nunca dantes se tirou o demagógico e canalha lucro político como Lula vem fazendo, não é nenhum exagero. Como também não é quando se olha para o que está sendo feito e constatamos que os investimentos permanecerão nos mesmos níveis em que se sempre se mantiveram os últimos anos. Gastar R$ 15,0 milhões anuais para fazer “campanha internacional” para atrair investidores também se trata de desperdício, por o que atrai o investimento não é propaganda, não é conversa mole, não marketing eleitoreiro cafajeste. O investidor, antes de desembolsar seu dinheiro, quer saber é de estradas, comunicações, educação, segurança policial e jurídica, carga tributária e juros internos. E esta é a nossa triste realidade: em todos os quesitos estamos em estado terminal, na rabeira do bloco dos emergentes, os quais, com muito menos do que nós, tem feito mais e melhor por seus países, razão pela qual seus índices de crescimento são superiores aos nossos, enquanto o Brasil teima em brigar com Haiti e Guatemala para saber quem segurará a lanterna.
E, em particular ao governo Lula, precisamos nos aperceber de que, enquanto ele e sua base de apoio político, se digladiarem apenas em “projetos políticos de poder”, não conseguirão tirar o Brasil do atoleiro. O pouco que avançamos não tem sido por obra e graça do governo federal. É pela capacidade que este povo tem em se superar, apesar de seus ineptos e maus governantes. Porque estejam certos de uma coisa: no dia em que o Brasil for governado com a competência que ele merece, nossa briga não será para fugir dos últimos lugares do atraso, e sim com as principais desenvolvidas e ricas do mundo. Ao Brasil não falta nada, a não ser governo sério, honesto e que trabalhe apenas pelo país.