sexta-feira, abril 18, 2008

TOQUEDEPRIMA...

***** Jornal: dívida ameaça grau de investimento do Brasil
BBC Brasil

As preocupações das agências de avaliação de risco com o alto nível da dívida pública brasileira ameaçam a esperada elevação do Brasil ao grau de investimento, segundo afirma reportagem publicada hoje pelo diário britânico Financial Times.

O jornal também relata uma preocupação sobre a capacidade do País de manter suas recentes altas taxas de crescimento.

Ao classificarem um país com o grau de investimento, as agências de avaliação de risco declaram que os investimentos naquele país têm um risco baixo, atraindo assim investimentos que buscam segurança.

A reportagem comenta que "o Brasil é a maior economia da América Latina, e as melhorias nos seus indicadores macroeconômicos ao longo da última década levaram muitos a assumirem que um grau de investimento era somente uma questão de tempo".

O jornal afirma, porém, que "parte do brilho do desempenho econômico foi perdido, e os analistas não estão mais confiantes de que o país possa conseguir seu tão esperado grau de investimento em 2008".

Dívida pública
A reportagem cita dados do Deutsche Bank que mostram que a dívida pública líquida do Brasil representa mais de 40% de seu PIB, em comparação a uma média de 20% nos países avaliados com o grau de investimento.

"O gasto público tem se mantido fixo em 20% do PIB por vários anos, enquanto que a média para o México, a Argentina, o Chile e a Colômbia é de menos de 14%. Ainda assim, em vez de cortar os gastos, o governo implementou várias medidas no ano passado que aumentarão os gastos com a folha de pagamentos e com o deficitário sistema público de aposentadoria", relata o jornal.

O Financial Times comenta ainda que dois projetos aprovados neste mês pelo Senado, se passarem pela Câmara dos Deputados, "vão aumentar dramaticamente os gastos com aposentadorias, desfazendo reformas anteriores e em direta contravenção à reconhecida lei de responsabilidade fiscal que serviu de base para a estabilidade macroeconômica desde que foi introduzida, em 2000".

***** OMC: Brasil perde dos Brics em expansão das exportações
Redação Terra

Um relatório da Organização Mundial do Comércio (OMC), divulgado hoje, mostrou que o crescimento das exportações brasileiras em 2007 (17%) foi o menor, ao lado da Rússia, entre os chamados Brics (grupo de países emergentes que é formado por Brasil, Rússia, China e Índia).

No ranking dos 30 maiores exportadores, o País manteve a 23ª posição, registrada em 2006. Segundo a OMC, estes países correspondem a 82,7% do total movimentado com as vendas mundiais de produtos no ano passado.

Pelos dados da organização, o Brasil passou a representar 1,2% das exportações mundiais, ante 1,14%, registrados no ano anterior. Em 2007, o País contabilizou US$ 161 bilhões vendidos para o exterior.

Entre os outros Brics, a liderança é da China, que ocupa a segunda colocação no ranking da OMC de exportadores, com US$ 1.218 bilhões vendidos no ano passado, com aumento de 26% sobre o ano anterior.

Em seguida está a Rússia, em 12º lugar, com vendas de US$ 355 bilhões em 2007, avanço de 17%, como o do Brasil.

Já a Índia fechou 2007 no 26º lugar, com exportações de US$ 145 bilhões, o que representa um aumento de 20% sobre o resultado de 2006.

Apesar do aumento de 5,5% nas exportações mundiais de 2006 para 2007, os economistas da organização já projeta que a crise de crédito americana, e a eventual desaceleração econômica daquele e de outros países desenvolvidos, devem fazer com que a expansão no comércio no mundo seja de aproximadamente 4,5% em 2008.

***** Impacto do aumento dos juros na dívida pública será de R$ 2,9 bilhões, diz secretário do Tesouro
Agência Brasil

A decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) de elevar os juros básicos da economia em 0,5 ponto percentual vai gerar um impacto de R$ 2,9 bilhões, em 12 meses em parte da dívida pública.

A informação é do secretário do Tesouro, Arno Augustin. Ele destacou que o efeito será sentido apenas na parcela da dívida corrigida pela taxa básica de juros (Selic).

O secretário também informou que não é possível medir as conseqüências da decisão de ontem (16) do Banco Central na dívida como um todo, pois existem vários indexadores para corrigir os papéis emitidos pelo governo.

Ontem à noite, o Copom fixou em 11,75% ao ano a taxa Selic para os próximos 45 dias, quando se realiza nova reunião do colegiado.

Arno garantiu que o superávit primário (a economia que o governo faz para pagar os juros da dívida) de 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB - a soma das riquezas produzidas no país) será mantido pelo governo em 2008 e 2009. Ele informou ainda que os investimentos do governo central (Banco Central, Previdência e Tesouro Nacional) cresceram 319% de 2003 a 2007 e passaram de R$ 5,3 bilhões para R$ 22,1 bilhões.

Agustin deu as informações em audiência pública na Comissão Mista de Orçamento para avaliação do cumprimento de metas fiscais no último quadrimestre de 2007.

***** Os mais altos do mundo ainda mais altos
Reinaldo Azevedo

Raramente vi uma decisão do Copom, que era dada como certa — embora a maioria apostasse em elevação de 0,25 ponto percentual —, dividir tanto as opiniões dos economistas. Mesmo os que tradicionalmente apostam na elevação dos juros como o primeiro e mais eficaz remédio contra a inflação não parecem estar tão convictos de que a medida será efetiva para... baixar a inflação. Vamos ver.

O mais incômodo dessa história toda, convenham, é que se estabeleceu uma espécie de braço-de-ferro entre o Banco Central e a Fazenda. O Copom vinha sendo pressionado. Das duas alternativas em que se apostava, elevação de 0,25 ponto ou de 0,5 ponto, o comitê apostou na mais drástica. Talvez seja o caso de considerar que 0,25 ponto nasceu mesmo da convicção de que é preciso controlar a inflação; a outra metade, com decisão unânime, talvez deva ser vista como um recadinho do BC a Guido Mantega.

Se há mesmo uma crise mundial na oferta de alimentos, em que medida a inflação que está aí é coisa nossa, que pode ser combatida por meio dos juros, em que medida há um problema que afeta todos os países? Que elevação de juros esfrie a economia, e inequívoco. Ao fazê-lo, será eficaz contra a pressão inflacionária que está aí, vinda do setor agrícola? E aí que noto uma certa fraqueza das convicções.

O Brasil já tinha os juros reais mais altos do mundo — calculava-se em 6,3%, agora 6,8%. Economias com índices muito menos vistosos do que a brasileira têm juros menores. Por que precisamos ser os primeiros? Especialistas apontam dois fatores: constante elevação dos gastos públicos e investimentos ainda insuficientes. O primeiro fator é uma questão essencialmente política, decorrente das escolhas do lulismo. O segundo, convenham, não se resolve da noite para o dia.

A elevação do juro contribui para depreciar ainda mais o câmbio, o que afeta as exportações e o resultado da balança? É matemático. Mais dólares entrarão no Brasil de olho nos juros internos: capta-se dinheiro mais barato lá fora para investir em Selic aqui dentro. As reservas do Brasil são as mais confortáveis da história e podem suportar essa situação por um bom tempo. Se a inflação recua mesmo, a decisão de agora do BC passa por providencial.