quarta-feira, maio 28, 2008

Assim como Elvis, Raul Seixas também não morreu !

Adelson Elias Vasconcellos

Lula já havia se declarado uma metamorfose ambulante. Sei... Para quem alimentou um discurso na oposição e, depois no governo, andou em direção contrária, sem dúvida, Lula “metamorfoseou”. E muito.

Ontem, na solenidade de transmissão do bastão do ministério do Meio Ambiente, Minc afirmou que não será um simples “carimbador maluco de licenças ambientais”. Na verdade, é exatamente isto que ele fará, acabará adotando o discurso do Luiz Inácio e também se “metamorfoseará”.

O próprio Lula reconheceu que Minc, mesmo antes de assumir, já falou mais do que a Marina Silva em cinco anos e meio. A diferença é que a ex-ministra substituía o discurso pelo trabalho. E não vou aqui analisar se o trabalho da ex-ministra foi bom ou não. Já o critiquei diversas vezes, muito mais pela lentidão na análise dos pedidos de licenças ambientais, do que propriamente pelo teor técnica destas análises. Sei que Marina jamais encontrou, de parte de Lula, o apoio indispensável para dar melhor estrutura humana ao ministério que chefiou desde 2003. E pela simples razão de que, para o presidente, Marina sempre foi usada como escudo para o mundo exterior, do que propriamente como uma trabalhadora da causa ambiental. Foi um bibelô a enfeitar a foto do imenso ministério. E por isso ela saiu. Preferiu retornar ao Senado, onde poderá continuar a lutar por suas idéias e ideais, do que ficar jogada no meio da confusão palaciana e dos conchavos de botequim que não se coadunam com a sua personalidade.

O contraponto, porém, vai ser difícil de engolir. Minc chegou com um discurso de imposições, e já encontrou um espaço para o brilho dos holofotes. Aqui, na semana passada, critiquei-o tanto quanto o havia feito com o Temporão, ministro da Saúde: antes de mostrar serviço e estender sua agenda de prioridades estava falando demais. E a tônica de sua permanência no ministério será justamente a da fala, muito mais do que a do trabalho. E acreditem: as licenças ambientais para as obras de maior interesse do governo, vão ser despachadas no atropelo frenético das leis. Talvez se eleja uma ou outra para se enganar ao público de que se está usando critérios rigorosos, mas, o grosso do pacote palanqueiro, ah, não se tenha nenhuma dúvida, este passará na velocidade da luz.

E mais: justamente por adorar posar e discursar, Minc acabará criando muita encrenca. A menos, é claro, que o Luiz Inácio o enquadre, afinal, neste governo, ministro é operário, está ali para fazer o serviço sujo, carregar as culpas do chefe e só. A estrela que brilha nos dias de festa, que rouba acena, os louros das vitórias e sucessos alcançados, é Lula e ninguém mais. Nem que para tanto ele roube a obra alheia e a “carimbe” como sendo sua. Nem que precise “clonar” projetos de parlamentares, como fez recentemente com o tal Fundo Soberano, e como vem fazendo em relação à política econômica, e rigorosamente o que tem feito com os “programas sociais”. Preserva o programa, muda-lhe o nome, enfeita-lhe a embalagem, e amparado com vasta e maciça publicidade, apresenta-se como o dono da bola. Mais farsante do que ele, ninguém poderá sê-lo.

Assim, e armado do discurso, Minc continuará posando como “grande defensor” das causas ambientalistas, porém, nos bastidores, agirá como o carimbador maluco que Lula precisava para alavancar sua prepotência em grau mais alto do que já se encontra. E, passado algum tempo, perceberemos que, no meio ambiente, o país trocou uma burocrata convicta por um palanqueiro de bordel. Pena que Raul Seixas não receberá os direitos autorais, porque, de acordo com um cretino projeto que está por ser aprovado, os precatórios serão atirados à eternidade.