Lula diz que violência no país não é culpa da polícia, mas dos governantes
Cirilo Junior, da Folha Online, no Rio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva eximiu os policiais de culpa pela violência no país, neste sábado, 08/03, durante cerimônia de assinatura do cartão do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania) no Palácio Guanabara, no Rio. Segundo Lula, a maior responsabilidade pela situação atual é dos governantes, que se ausentaram de parte da sociedade nos últimos 30 anos.
"A polícia também é vítima desse estado ausente", disse Lula, ressaltando que, se políticas públicas tivessem sido aplicadas durante esse tempo, não veríamos comunidades em situação tão precária. "Miséria é usada como cabide para se ter mandato neste país, e depois se cobra do policial", afirmou o presidente.
Na visão de Lula, desde 1980 a economia vinha caindo seguidamente. Isso, segundo ele, foi decisivo para que a violência tenha crescido. Segundo o presidente, isso resultou também na má formação de policiais.
"Eu sonho que um dia a gente vá ter uma polícia não porque o cidadão está precisando de emprego, que vá fazer um concurso pouco exigente porque o salário é pequeno. Um dia vamos ter uma polícia em que a pessoa que quer ser policial tenha vocação. Que vá prestar concurso sabendo que vai ter uma carreira de Estado, que vá lhe garantir um salário digno para a função que a sociedade exige."
Enquanto isso...
Violência policial deixou milhares de mortos no Brasil em 2007, diz Anistia
da Efe, em Londres e Folha Online
Ações policiais em comunidades carentes brasileiras deixaram milhares de mortos e feridos em 2007, sem que a Justiça punisse os responsáveis por abusos. A conclusão consta no relatório anual da AI (Anistia Internacional) divulgado nesta terça-feira (27), em Londres.
A AI declara que, apesar das inúmeras denúncias de violações de direitos humanos por parte da polícia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros altos dirigentes de seu governo "apoiaram publicamente algumas operações policiais de acentuado caráter militar, sobretudo no Rio de Janeiro".
Segundo dados oficiais, a polícia matou no estado do Rio cerca de 1.260 pessoas em 2007. "A onda de repressão levou a uma megaoperação no fim de junho, que mobilizou 1.350 pessoas."
Na ação, aponta o relatório, morreram 19 supostos criminosos --entre eles um menor de 13 anos--, enquanto 12 pessoas ficaram feridas. Foram confiscadas ainda 13 armas e uma grande quantidade de drogas, sem que ninguém fosse detido.
Em outra ação, em 24 de abril, o Bope (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar) assassinou 11 pessoas --entre eles uma idosa de 70 anos-- durante uma operação na Cidade de Deus.
Relator especial da ONU para Execuções Extrajudiciais, o australiano Philip Alston visitou o Rio de Janeiro em novembro e criticou a falta de informações oficiais sobre homicídios. Para ele, a operação tinha "motivação política".
Esquadrão da morte
A AI denuncia que "os esquadrões da morte ligados à polícia" foram responsáveis também por centenas de homicídios. Em São Paulo, nos primeiros 10 meses de 2007 foram registradas 92 mortes como conseqüência de "homicídios múltiplos vinculados com esquadrões da morte".
A organização reconhece, porém, iniciativas recentes como o lançamento do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), que prevê ações de combate à violência em 11 áreas urbanas.
Mesmo assim, o relatório afirma que as mulheres seguiram sendo alvo de tortura nas prisões e que o sistema penal "perpetrou um amplo leque de violações de direitos humanos contra reclusos nos centros de detenção e nos reformatórios".
Superlotação, condições precárias de higiene, violência entre grupos rivais e demais distúrbios seguiram minando o sistema penitenciário. Tortura e maus-tratos foram um fenômeno corrente, acrescenta a AI.
O órgão de defesa dos direitos humanos ressalta também que, apesar do avanço significativo obtido por meio da Lei Maria da Penha, que entrou em vigor em 2006 e pune atos ligados à violência doméstica, a falta de recursos foi uma das causas que tornaram ainda mais difícil a proteção dos direitos da mulher.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Cirilo Junior, da Folha Online, no Rio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva eximiu os policiais de culpa pela violência no país, neste sábado, 08/03, durante cerimônia de assinatura do cartão do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania) no Palácio Guanabara, no Rio. Segundo Lula, a maior responsabilidade pela situação atual é dos governantes, que se ausentaram de parte da sociedade nos últimos 30 anos.
"A polícia também é vítima desse estado ausente", disse Lula, ressaltando que, se políticas públicas tivessem sido aplicadas durante esse tempo, não veríamos comunidades em situação tão precária. "Miséria é usada como cabide para se ter mandato neste país, e depois se cobra do policial", afirmou o presidente.
Na visão de Lula, desde 1980 a economia vinha caindo seguidamente. Isso, segundo ele, foi decisivo para que a violência tenha crescido. Segundo o presidente, isso resultou também na má formação de policiais.
"Eu sonho que um dia a gente vá ter uma polícia não porque o cidadão está precisando de emprego, que vá fazer um concurso pouco exigente porque o salário é pequeno. Um dia vamos ter uma polícia em que a pessoa que quer ser policial tenha vocação. Que vá prestar concurso sabendo que vai ter uma carreira de Estado, que vá lhe garantir um salário digno para a função que a sociedade exige."
Enquanto isso...
Violência policial deixou milhares de mortos no Brasil em 2007, diz Anistia
da Efe, em Londres e Folha Online
Ações policiais em comunidades carentes brasileiras deixaram milhares de mortos e feridos em 2007, sem que a Justiça punisse os responsáveis por abusos. A conclusão consta no relatório anual da AI (Anistia Internacional) divulgado nesta terça-feira (27), em Londres.
A AI declara que, apesar das inúmeras denúncias de violações de direitos humanos por parte da polícia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros altos dirigentes de seu governo "apoiaram publicamente algumas operações policiais de acentuado caráter militar, sobretudo no Rio de Janeiro".
Segundo dados oficiais, a polícia matou no estado do Rio cerca de 1.260 pessoas em 2007. "A onda de repressão levou a uma megaoperação no fim de junho, que mobilizou 1.350 pessoas."
Na ação, aponta o relatório, morreram 19 supostos criminosos --entre eles um menor de 13 anos--, enquanto 12 pessoas ficaram feridas. Foram confiscadas ainda 13 armas e uma grande quantidade de drogas, sem que ninguém fosse detido.
Em outra ação, em 24 de abril, o Bope (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar) assassinou 11 pessoas --entre eles uma idosa de 70 anos-- durante uma operação na Cidade de Deus.
Relator especial da ONU para Execuções Extrajudiciais, o australiano Philip Alston visitou o Rio de Janeiro em novembro e criticou a falta de informações oficiais sobre homicídios. Para ele, a operação tinha "motivação política".
Esquadrão da morte
A AI denuncia que "os esquadrões da morte ligados à polícia" foram responsáveis também por centenas de homicídios. Em São Paulo, nos primeiros 10 meses de 2007 foram registradas 92 mortes como conseqüência de "homicídios múltiplos vinculados com esquadrões da morte".
A organização reconhece, porém, iniciativas recentes como o lançamento do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), que prevê ações de combate à violência em 11 áreas urbanas.
Mesmo assim, o relatório afirma que as mulheres seguiram sendo alvo de tortura nas prisões e que o sistema penal "perpetrou um amplo leque de violações de direitos humanos contra reclusos nos centros de detenção e nos reformatórios".
Superlotação, condições precárias de higiene, violência entre grupos rivais e demais distúrbios seguiram minando o sistema penitenciário. Tortura e maus-tratos foram um fenômeno corrente, acrescenta a AI.
O órgão de defesa dos direitos humanos ressalta também que, apesar do avanço significativo obtido por meio da Lei Maria da Penha, que entrou em vigor em 2006 e pune atos ligados à violência doméstica, a falta de recursos foi uma das causas que tornaram ainda mais difícil a proteção dos direitos da mulher.
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Vejam a data em que Lula deu a declaração: março deste ano. Claro, sei bem, como no palanque em que ele estava não tinha ninguém para contestá-lo, a declaração infame e mentirosa passou em branco. Mas, vejam: sempre que Lula conta uma mentira, não demora muito para ser desmascarado.
Claro que sabemos dos problemas intermináveis que os agentes policiais enfrentam para cumprir seu deve. Mas, pergunto>: há quanto tempo Lula já está no poder ? E quantos planos mirabolantes de segurança pública ele já lançou? Que eu tenha contado, foram quatro. E qual o resultado ? Está estampado no estudo da Anistia Internacional.
Lançar programas por atacado como Lula vem fazendo, é fácil demais. Mas isto não é governar, portanto, ele se engana que o faz, e muito mais ao país que compra a esperança passado no balcão. Contudo, governar é, muito mais do que Lula possa pensar, é tomar medidas concretas, é executar um projeto delineado, mesmo que sem os “bombásticos” bilhões que ele vive anunciando.
Apenas para que se tenha uma pálida idéia do mistificador, em cinco meses de 2008, o tal PAC ainda não consumiu sequer 1% do que estava programado. Em 2007, sequer 1/3 do previsto.
Portanto, melhor do que “vender” publicidade de uma quimera, melhor seria agir, administrar, acompanhar, estar presente. Mas, quê? Isto exigiria que o fanfarrão trabalhasse, e ele não está prá isso. O negócio no mercado interdo é vender ilusões em palanque, e lá fora, BM lá fora, é continuar de joelhos par Chaves e Morales da vida. Enquanto, por aqui, se for no plano da segurança pública, ou você morre pelo bandido ou pela polícia. E na saúde, ou a doença te mata rápido, ou você vai penar até morrer na porta de um hospital público, por absoluta falta de assistência.
Portanto, não é com discursos que se governa um país, conforme diz a próxima reportagem: são ações, das quais este governo é um deserto imenso.