segunda-feira, maio 26, 2008

ENQUANTO ISSO...

Um golpe de insensatez
Ronaldo Soares, Revista VEJA.

ONGs e padres ajudaram a armar os índios que atacaram o engenheiro da Eletrobrás no Pará

As cenas de um grupo de selvagens amazônicos atacando o engenheiro Paulo Fernando Rezende, da Eletrobrás, rodaram o mundo na semana passada. Ele foi agredido na última terça-feira, ao término da palestra em que defendeu a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu. Sua participação era a parte mais aguardada de um evento internacional promovido por ONGs e ambientalistas. O tema era o projeto de 7 bilhões de reais que deverá produzir 11 181 megawatts de energia e alagar uma área de 440 quilômetros quadrados, do tamanho da cidade de Curitiba.

Rezende falou durante 25 minutos, defendendo seu ponto de vista diante de uma platéia hostil. Foi interrompido por vaias duas vezes. Assim que concluiu sua exposição, a índia caiapó Tuíra se levantou e começou a dançar, facão em punho. Ouviu-se um grito de guerra. Foi a senha para que outros caiapós, também armados e igualmente pintados para a guerra, começassem a dançar e imediatamente o cercassem. Eles rasgaram sua camisa, o jogaram no chão, chutaram, encostaram a mão em seu rosto e o golpearam com facão. O corte foi profundo.

A ira dos índios era previsível. No vídeo que anunciava o evento, na internet, e nos jornais das organizações não-governamentais (ONGs), destacava-se a cena em que Tuíra, há dezenove anos, encostou um facão no rosto do então diretor da Eletronorte, José Antonio Muniz Lopes, hoje presidente da Eletrobrás. Havia a intenção deliberada de voltar a intimidar o representante do projeto, e novamente com o uso do facão, pela mesma índia, Tuíra, dando ao evento um pretenso simbolismo. A armação terminou em um crime executado por índios, mas tramado e incentivado por ambientalistas brancos selvagens. Em seu depoimento, ao qual VEJA teve acesso, Rezende registrou: "...rasgaram minha camisa e me jogaram no chão. Tudo isso sem que houvesse manifestação dos organizadores". Durante a semana, integrantes de entidades que organizaram o evento, entre eles um padre, foram filmados comprando facões em uma loja de Altamira, acompanhados de um índio. Segundo o delegado federal Jorge Eduardo Oliveira, havia o intuito de gerar um clima hostil na discussão sobre a hidrelétrica. "Possivelmente, os índios foram usados como massa de manobra", disse Oliveira. O delegado acredita que a intenção era impressionar os jornalistas estrangeiros – austríacos, ingleses, alemães e franceses – que cobriam o evento.

Não foi a primeira demonstração de insensatez por parte dos opositores ao projeto de Belo Monte. A discussão se arrasta há vinte anos e é cercada de obscurantismo. O andamento do projeto foi paralisado por ações judiciais durante anos, antes mesmo da conclusão de um estudo de impacto ambiental, como notou o ex-ministro de Minas e Energia Antonio Dias Leite em seu livro A Energia do Brasil: "Entre as peripécias do processo, cabe destacar a ação do Ministério Público Federal... Impedir que se estude!", escreveu, demonstrando seu espanto. A discussão foi retomada agora porque a Justiça deu sinal verde para que os levantamentos prossigam. O consumo de energia no Brasil cresce à razão de 5,5% ao ano, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Gerar mais energia (seja em Belo Monte ou não) é fundamental. Como a obra é considerada estratégica pelo governo, os estudos são imprescindíveis. Ainda mais porque a construção de barragens é considerada por especialistas de todo o mundo a mais prejudicial entre as intervenções humanas na natureza. Avaliar a viabilidade ambiental é urgente. A projeção do lago que será formado já foi reduzida de 18 000 quilômetros quadrados para os atuais 440. Note-se que foram as pressões dos índios e ambientalistas que produziram esse e outros avanços. Tudo isso só demonstra a importância do debate.

A Polícia Federal fará agora uma perícia antropológica para avaliar se os índios que participaram do ataque tinham consciência dos seus atos. Em caso positivo, serão processados por lesão corporal, como qualquer brasileiro. Caso contrário, quem os armou poderá ser incriminado. A PF tinha informações de que o clima da manifestação ia ser pesado – dado que os caiapós são tradicionalmente agressivos. Eles chegaram pintados para a guerra, mas nem a PF nem a Secretaria de Segurança Pública do Pará se preocuparam em impedir que entrassem com facões e bordunas. "Os índios entram sempre com apetrechos que comumente utilizam em suas manifestações. Não podemos dizer que estavam armados, pois esses objetos também são instrumentos de trabalho", disse o superintendente da PF no Pará, Manoel Fernando Abbadi. Um policial antropólogo é o que faltava para o crime se perpetuar na Amazônia. Os pistoleiros que matam por dinheiro na região agora podem alegar que seus revólveres e espingardas são apenas "instrumentos de trabalho".




Enquanto isso...

Intrometendo-se indevidamente, Bispo porralouca diz que agressão a engenheiro foi 'ato de defesa'

O bispo da prelazia do Xingu e presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Erwin Krautler, que é acusado por várias pessoas de instrumentalizar a população indígena até mesmo contra autoridades brasileiras, fez uma declaração de que até Deus duvida. Segundo ele, os facões adquiridos por um padre espanhol e usados pelos índios para agredir covardemente o engenheiro da Eletrobras, "são uma ferramenta usada como adereço em suas manifestações". Krautler disse também que, apesar de ser contra "qualquer agressão, qualquer derramamento de sangue", viu o fato como "uma defesa" dos indígenas. "Os índios se sentiram provocados", afirmou.

Há certas ações de “alguns” bispos, todos ligados à CNBB completamente injustificados e estapafúrdios. Um deles é justamente o deste bispo Erwin. Repare no comportamento da figura: primeiro, ele defendeu que os índios portarem “facão” numa reunião em que se discutiria questões relacionadas à Belo Monte, era uma questão cultural. Depois, quando flagrou-se que os facões haviam sido comprados em loja e, depois entregues aos índios, o bispo mudou o discurso e passou a alegar “ato de defesa”. Ato de defesa coisa nenhuma ! Quem, além dos índios, presentes ao evento, portavam armas ? Quem ? E quem os incitou os aconselhando com facões como forma de ameação, de intimidação para verem seus interesses atendidos ?

Melhor faria o bispo se, ao invés de incitar a violência como “argumento” para um debate cívico, se cuidasse de sua principal tarefa que é a evangelização e, tanto quanto se saiba, o evangelho prega o contrário de tudo aquilo que o bispo se aventurou a defender.

Contudo, este tem sido o grande problema do catolicismo no Brasil, insuflado por uma CNBB que confunde evangelização com pregação político-partidária. Ou alguém esquece que o MST e seus congêneres grupos de arruaceiros, bandoleiros, baderneiros, guerrilheiros e alguns terroristas são filhos diletos da Pastoral da Terra da CNBB? Ou será que agora os “missioneiros católicos” também vão querer apostar na pouca memória do povo brasileiro ?! Portanto, nem índio é inimputável, tampouco bispo ou qualquer “religioso” que incite a pratica da violência. Aliás, um dia, quando alguém da CNBB quiser, de fato, saber as razões para o enorme crescimento das seitas evangélicas no Brasil, melhor faria se praticasse um “mea culpa”. O vazio que o catolicismo deixou no coração e nas mentes das pessoas, por se entreter com assuntos que não lhe diziam respeito, e por certo um deles foi se imiscuir em política e vida partidária, acabou sendo ocupado por aqueles que, certos ou errados, se preocuparam mais em divulgar a doutrina cristã. A religião é, e sempre será, a ligação do ser humano que somos com Deus, e não a ligação dos humanos ainda imperfeitos, que sempre fomos, com autoridades não menos humanas, e portanto, tão imperfeitas quanto nós, como políticos e governantes.

E que fique claro: a ação indevida do bispo Erwim em assunto que não lhe dizia respeito, como armar a mão de índios para atos de violência, vai muito além de uma simples inconveniência, o bispo praticou, sim, um ato ilegal e deve responder por isto.

Mas preocupa-me, e muito, e acho que às autoridades brasileiras muito mais ainda, é com a ação das ONGs picaretas que infestam o território nacional, principalmente na região amazônica. E, por favor, não venham com a conversa mole de que elas lá estão a desenvolver um trabalho “caritativo”, ou "humanitário" ou “filantrópico”. Há inúmeros testemunhos que comprovam que a ação que os ativistas destas entidades desenvolvem é de pregarem um “evangelho” que não guarda nenhuma característica com “cristianismo”. Pelo contrário, o que esta gente faz é atender aos apelos e interesses de seus financiadores que, no caso da atuação na Amazônia, são em sua grande maioria, estrangeiros e, além disso, absolutamente contrários aos interesses públicos do país.

Além disto, pessoas que não têm um mínimo de respeito à história, que adoram plantar notinhas nos jornais, distorcendo a realidade, invertendo o fato da fantasia, sempre em busca de criar um clima em favor de seus subalternos interesses.

Fica evidente de que lado do problema estão estes "missioneiros" quando, mesmo diante de um decisão judicial, e em presença de forças policiais, um grupo de índios invade uma fazenda na região da Reserva Raposa do Sol e disto ninguém fala nada. Porém, quando o proprietário da área invadida resolve defendê-la, seu ato é considerado hostil e se sai pelo país afora a gritar que o fazendeiro praticou um “massacre”. Além da mentira, a tentativa é capitalizar a simpatia da opinião pública para forçar decisões em favor de um dos lados, por sinal, o lado cafajeste da questão. A mesma crítica, portanto, deve ser feita a alguns religiosos que resolvem abraçar causas que não condizem nem com a sua atuação evangelizadora e humanitária, tampouco com sua formação pessoal. Ao incitar a prática criminosa da violência e ainda armar o braço de outrem para que a prática se consuma, este religioso foge a qualquer prerrogativa de sua função. Está agindo ilegalmente, e como tal, deve responder na justiça.

Claro que sabemos, de antemão, que o episódio não resultará na condenação de nenhum agressor ao engenheiro da Eletrobrás. Temos a mania irracional, na maior parte das vezes, de querer “acomodar” a pratica da lei a “outros interesses”. Não por outra razão, a violência no país assumiu a gravidade presente, a corrupção se disseminou em todas as esferas, porque esta praga de “acomodar” o uso das leis criou o sentimento de impunidade. Assim, qualquer um se sente no direito de fazer qualquer coisa, mesmo que sua ação seja prejudicial a terceiros. Ah, alguém poderia lembrar ao bispo que, se para uma pessoa comum mentir já é feio, imagine se esta pessoa é um “bispo” que diz pregar o evangelho cristão ?