segunda-feira, maio 26, 2008

Raposa do Sol: conhecendo um pouco da História - 2.

Adelson Elias Vasconcellos

No post anterior, bem no final, colocamos a disposição do leitor, um link de um vídeo de uma das reportagens que o Jornal da Globo produziu sobre o assunto. Pelo vídeo, se pode perceber que o “laudo técnico” no qual a FUNAI se justifica para manter a reserva em áreas contínuas, era um embuste, uma fraude, tão falso quanto uma nota de R$ 3,00.

Vimos, também, que as etnias reconhecidas pelo governo Lula como residentes e ocupantes da região, “há mais de quatro séculos”, há cerca de um século atrás, apenas uma, os macuxis, eram de fato ocupantes históricos, os demais chegaram muito depois.

Vimos, ainda, que Lula justificou seu ato porque, foi graças aos índios, segundo ele, que aquelas terras se tornaram brasileiras.

Neste post vamos provar que tudo isso se trata da mais deslavada mentira. E que foi graças aos índios macuxis que o país perdeu um contencioso para a Inglaterra, que nos impediu o acesso ao Mar das Antilhas.

O trecho a seguir, foi extraído de um estudo sob o título “Reserva Raposa do Sol: potencialmente uma nova Questão do Pirara”, escrito em 24.04.2008 para a Universidade Federal de Juiz de Fora/MG, e foi escrito por Cláudio Moreira Bento, Historiador e Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil e do Instituto História e Tradições do Rio Grande do Sul. Autor do livro “Amazônia Brasileira –Conquista, Consolidação, Manutenção – História Militar Terrestre da Amazônia 1616 v- 2003).

Tendo em vista a extensão do trecho, deixaremos os comentários sobre ele para o post seguinte, o terceiro desta série.

(...) concluímos que a Região do Pirara que o Brasil perdeu para a Inglaterra por laudo arbitrais em 1904, foi a única perda territorial brasileira em suas questões internacionais.

E como antecedentes das pressões inglesas que culminaram com a incorporação inglesa da Planície do Pirara, recordo as seguintes que coincidiram com a vulnerabilidade da Defesa do Brasil e bem aproveitadas pelos ingleses:

Em 1810 os ingleses pela primeira vez remontaram o rio Essequibo quando foram detidos por um destacamento do Forte São Joaquim do Rio Branco.

Assim que surgiu uma oportunidade,missionários ingleses formaram no Pirara um Forte de Nova Guiné, incluindo índios contratados por exilados do Pará, contrários a Independência do Brasil, mas foram expulsos por militares brasileiros atentos.

Em 1827, quando o Brasil travava a Guerra Cisplatina e desfalcado das 3 divisões que foram obrigadas a retornar a Portugal, bem como se refazendo das lutas para consolidar nossa Independência e do combate a Confederação do Equador em 1824, o governador da Guiana Inglesa aproveitou esta vulnerabilidade para contestar os limites da Guiana com o Brasil.

Em 1837, quando o Brasil enfrentava a Balaiada no Maranhão, a Cabanagem no Pará e a Revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul, o diplomata inglês Lord Palmerston aproveitou esta vulnerabilidade da defesa brasileira declarando “que o Forte São Joaquim havia sempre sido considerado limite entre o Brasil e a Guiana”. Aí teve início a manobra vitoriosa para espoliar a Planície do Pirara do Brasil.

Em junho de 1838, aproveitando ainda a vulnerabilidade militar do Brasil, o reverendo Thomas Yovel criou uma missão no Pirara, de onde foi obrigado a retirar-se 8 meses depois pelo capitão Leal, comandante do Forte de São Joaquim.

A reação inglesa foi a seguinte: comunicaram ao Brasil “que encarregaram a Missão Schoburgk de delimitar a fronteira com o Brasil. E, ao governo da Guiana “ordem para se opor a toda usurpação do Pirara ocupado por TRIBOS INDEPENDENTES (os macuxis, para ali atraídos pelos ingleses).

O Pirara era ocupado por um missionário brasileiro que foi intimado por um oficial inglês para evacuar a área. E o território brasileiro limítrofe foi ocupado por TRIBOS INDEPENDENTES (os macuxis).

O Brasil, sob a agitada Regência, enfrentando intensas lutas internas que ameaçaram transformar o país numa colcha de retalhos, concordou ingenuamente, em retirar do Pirara o seu destacamento militar enviado do Forte de São Joaquim , assim como do território ocupado por TRIBOS INDEPENDENTES e reconheceu a neutralidade dos limites contestados entre o Brasil e a Inglaterra.

Protegido por força militar inglesa, Schoburgk colocou na planície do Pirara marcos de fronteira, sem esperar decisão sobre a área em litígio contestada pela Inglaterra como sendo de 54.697 km².

Em 1888, o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, General Dionízio Cerqueira, autor do clássico “Reminiscências da Guerra do Paraguai”, protestou junto a Rainha Vitória contra a decisão do Tribunal Anglo Venezuelano que traçou os limites Venezuela-Guiana por território do Brasil.

Em 1891, deposição do Marechal Deodoro por uma revolta da Marinha, a Inglaterra reduziu sua pretensão territorial no Pirara a 25.687 km².

Desta área o Brasil renunciou 15.087 km², ao aceitar, em 1904, o laudo arbitral do Rei da Itália, favorável à Inglaterra.

Com isto, o Brasil perdeu o acesso ao rio Essequibo, através do rio Rapumani e,por via de conseqüência, o acesso ao Mar das Antilhas. A Inglaterra ganhou o acesso a Bacia Amazônica, pelo Pirara, descendo o rio Tacutu, afluente do rio Branco. O limite do Brasil no rio Rapumani recuou para o rio Mahú.

Foi injusta para o Brasil a Questão do Pirara.Schoburgk foi agraciado pela rainha da Inglaterra com o título de “Sir”, com toda a pompa e circunstância.

A retirada em Pirara do Destacamento do Forte de São Joaquim que estudamos em artigo na Revista Militar Brasileira, v.106, jan/jun/1975, atraiu para a região desguarnecido militarmente pelo Brasil, faiscadores ingleses de diamantes, o que serviria a Inglaterra para alegar a sua soberania sobre a área do Pirara.

Em 1975, em viagem como aluno da Escola Nacional de Informações, ouvimos exposição do comandante do Comando Militar da Amazônia, General Betlem, quem, em território brasileiro a leste de Airão, foi encontrada uma tribo falando inglês(...)”

(...) “É conhecida a frase: Quem não conhece a História, corre o risco de repeti-la.”(...)


Em nós do COMENTANDO A NOTÍCIA, complementamos: e corre o risco de repetir todos os erros do passado.