quarta-feira, maio 14, 2008

ENQUANTO ISSO...

Antes de sair, Marina fez duras críticas aos biocombustíveis
Agência Estado

Ministra disse que investimento não pode comprometer a segurança alimentar nem a questão ambiental

SÃO PAULO - Antes de deixar o comando do Meio Ambiente, a ministra Marina Silva fez duras críticas aos biocombustíveis na última segunda-feira, 12. O assunto é a menina dos olhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante lançamento do Programa Brasileiro de Inventário Corporativo de Gases de Efeito Estufa, a ministra disse que "o Brasil não quer ser a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) dos biocombustíveis".

E continuou: "Queremos dar nossa contribuição em relação aos biocombustíveis, mas observando nossa capacidade de suporte. E de forma que não comprometa a segurança alimentar nem a questão ambiental", chegou a dizer Marina à Agência Brasil. "Nossa economia depende 50% da nossa biodiversidade. Quem destruiria sua galinha dos ovos de ouro?", indagou em Brasília.

Marina está à frente do ministério desde o primeiro mandato de Lula. Sua saída põe fim a um processo de desgaste que se acentuou no ano passado, quando o atraso na concessão de licenças ambientais pelo Ibama foi apresentado como o grande vilão para o não andamento de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Marina chegou a protagonizar disputas com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o próprio Lula fez críticas públicas à área sob seu comando quando a falta de licenças atrasou o processo de leilão das usinas do Rio Madeira.

O secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, e o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Bazileu Margarido, também estão demissionários, informou uma fonte do governo ao Estado.

A saída do Planalto ocorre cinco dias após o lançamento do Plano Amazônia Sustentável (PAS). Na solenidade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o ministro extraordinário do Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE), Roberto Mangabeira Unger, seria o coordenador do PAS, mas fez uma brincadeira com Marina: "Dilma, eu disse que você é a mãe do PAC. Ninguém como você, Marina, para ser a mãe do PAS. De mãe em mãe, vocês percebem que estou criando a nova China aqui." (Com Marcelo de Moraes, Leonardo Goy e Luciana Nunes Leal)

Enquanto isso...

Falta de álcool afeta seis Estados e o DF, diz Fecombustíveis
Agência Brasil

Presidente de sindicato culpa a falta de estoques nas distribuidoras por escassez do combustível nos postos

BRASÍLIA - Pelo menos seis Estado e o Distrito Federal estão enfrentando problemas de desabastecimento de álcool, tanto o hidratado como o anidro, que é adicionado à gasolina. A informação é da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), que afirma que o desabastecimento está afetando a comercialização de álcool e de gasolina em algumas regiões. Segundo a entidade, os Estados afetados são Minas Gerais, Paraná, Amazonas, Pará, Goiás, o interior de São Paulo e o Distrito Federal.

"Alguns postos, inclusive, foram obrigados a fechar, em meio à falta de álcool hidratado e de gasolina", diz a entidade em nota à imprensa.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), José Alberto Paiva Gouveia, culpa a falta de estoques nas distribuidoras pela escassez de álcool nos postos.

"Houve essa falta porque não tem estoques, e sem estoque a reação é muito rápida. Quando o estoque está baixo como agora, que estamos saindo da entressafra, pode acontecer uma dificuldade de abastecimento", explicou Gouveia.

Ele garantiu, no entanto, que a situação já está sendo normalizada e que não existe risco de desabastecimento. "O que existe é um desconforto do consumidor, que pode chegar a um posto e não ter álcool, ele vai ter que procurar outro que tenha", disse.

Já a Petrobras Distribuidora disse que a chuva dificultou a moagem de cana-de-açúcar e prejudicou a produção do álcool nas usinas. "Dessa maneira, as usinas não puderam entregar o produto conforme previamente contratado", disse a empresa também em nota.

A Petrobras Distribuidora garantiu na última segunda-feira a entrega de 1,8 milhão de litros nos terminais de São Paulo, Barueri e Guarulhos para o abastecimento dos postos da Grande São Paulo e de 800 mil litros de álcool hidratado para o abastecimento dos postos de Belo Horizonte, que corresponde ao dobro da demanda local diária, segundo a empresa. No caso de São Paulo, a BR diz que o volume significa um incremento de 12,5% em relação ao que é consumido por dia.

Para o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Minas Gerais (Siamig), Luiz Custódio Cotta Martins, a chuva é uma "desculpa que a Petrobras deu". "Com a chuva, diminuiu a produção, mas tínhamos estoques", argumentou. Segundo ele não há escassez de álcool, mas sim falta de logística das distribuidoras.

"Hoje temos um estoque de mais de 800 milhões de litros e a produção diária ultrapassa o consumo diário e dá para abastecer o mercado nos próximos 15 dias", disse Martins.

Em nota, o Siamig diz também que são infundadas as informações de dificuldade de retirada do produto das usinas. "As áreas de tancagem são asfaltadas e não impedem que a distribuidora se abasteça do produto", afirmou.

A União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) também disse que não há falta de álcool nem qualquer comprometimento do abastecimento. "As dificuldades para produção que ocorreram no início da safra 2008/09, essencialmente causadas pelo excesso de chuvas, já foram superadas e a produção segue seu ritmo normal", afirmou a entidade, em nota.

Segundo a Unica, eventuais problemas de abastecimento em postos específicos podem estar sendo provocados por causa da prática de algumas distribuidoras de não manter estoques operacionais mínimos compatíveis com o crescimento da demanda.

"Os estoques nas distribuidoras chegaram a estar abaixo do normal no início desta semana, mas em nenhum momento baixaram a ponto de comprometer o abastecimento ou o fornecimento aos postos", diz a nota da Unica.