terça-feira, maio 20, 2008

O resultado dos depoimentos

Adelson Elias Vasconcellos

Mais uma vez a sociedade se obrigou a assistir a palhaçada farsesca de meia dúzia de degenerados que, por deverem “favores” ao governo para o qual se submetem de joelhos, se vêem obrigados a tentar mistificar fatos incontestáveis, como pagamento da ração recebida.

Ora, querer como querem os governistas dizer que NÃO HAVIA DOSSIÊ é querer impor a mentira a qualquer custo, como se verdade fosse.

Basta ver que, o tal banco de dados em que tanto se apegam o governo e seus capachos ou paus-mandados, é produzido em um sistema que somente por senha é possível acessar e se vale de um programa específico, criado apenas para este fim.

O que o descuidado José Aparecido anexou em seu e-mail ao assessor do senador Álvaro Dias, é uma listagem produzida em planilha Excel, programa totalmente diferente daquele que a Casa Civil usa para o seu banco de dados. Ou seja, o banco de dados até pode ter sido produzido, mas não resta a menor sombra de dúvida de que dele retirou-se algumas informações pinçadas e escolhidas a dedo e que foram tabuladas em outro programa.

Assim, o anexo é um produto estranho ao banco de dados da Casa Civil, mesmo que nele tenham informações que aquele contém. Isto prova de forma inequívoca que o dossiê existe, e ponto final.

Porém, qual a estratégia dos capachos do Planalto? Primeiro, tentar a qualquer preço desqualificar o denunciante. Segundo, provar a santidade do denunciado. Terceiro, criar confusão para que não se apure o que é essencial, no caso, quem mandou fazer o dossiê.

E todo este circo vai de encontro ao propósito maior ainda que é afastar a CPI de seu foco principal, ou seja, investigar os gastos abusivos feitos pelo GOVERNO LULA com os cartões corporativos. É isto que interessa. Para isto é que a CPI foi instalada. Qual a justificativa para tantos saques em dinheiro vivo? E, ainda, tentar manter oculto da sociedade a devida e obrigatória prestação de contas que, todo o agente público deve fazer por conta do dinheiro público que gastou. Portanto, não se justifica, a não ser em regimes autoritários, que se crie uma neblina sobre os gastos abusivos da presidência da república com dinheiro público, e estes de fato existem, e ainda querer furtar-se de exibi-los com a cretina desculpa de se tratar de “segurança nacional”. Mas que diabos de “segurança nacional” é esta que ficaria apenas ameaçada pelos gastos deste governo, ao passo que todos os demais nunca precisaram apelar para tamanho absurdo.

Agripino Maia disse que o teatro ali instalado não chegaria a resultado algum porque o que importava saber era quem fez e quem mandou fazer o dossiê e, deixou muito claro, que isto o governo impediria de se descobrir, a qualquer custo. Tanto que Silvio Costa, deputado do PMN, foi incisivo em dizer que ele não deixaria, em hipótese alguma, que a ministra Dilma fosse convocada para depor. Ora, quando se vai investigar qualquer coisa e, de antemão, se eliminam testemunhas e depoimentos, o objetivo deste lado é justamente impedir que se investigue qualquer coisa.

O senador Agripino disse, e estava coberto de razão, que apenas o laudo final da Polícia Federal é que poderá trazer aquelas duas respostas. O resto do que ali se passa é pura perda de tempo. Não só o governo e seus capachos estão ali a serviço da mentira sobre si mesmos, como também não deixarão que se saiba onde Lula e sua corte torram o dinheiro público. E reparem: não é somente a verdade que os governistas estão agredindo, é a própria sociedade. Além disto, serve para tapar a boca dos cretinos em causa espúria o seguinte: após as investigações e perícias que a Polícia Federal fez, o denunciado na prática de crime é o senhor José Aparecido, e não aquele a quem ele enviou o dossiê e que o denunciou.

Faltou aos governistas um pouco de senso do ridículo, e claro, do propósito honesto de servir com dignidade a sociedade que os escolheu como representantes e que lhes paga altos salários. A percepção final é justamente a de que os governistas estão servindo a si mesmos e seu exclusivo interesse, e não a sociedade que é quem os mantém no emprego.