Claudio Magnavita, Jornal do Brasil
No mundo real tudo continua igual: a VarigLog segue como a primeira empresa de aviação do Brasil comandada por estrangeiros. O juiz de São Paulo José Paulo Camargo Magano mantém o fundo de investimentos Matlin Patterson, dos Estados Unidos, na gestão da companhia. O gestor do fundo, Lap Wai Chan, continua rindo das autoridades brasileiras, enquanto o seu preposto Santiago Born tem a gestão oficial e não toma nenhuma atitude administrativa sem o consultá-lo por e-mail.
O dinheiro continua bloqueado na Suíça e a sociedade não sabe o destino dos U$ 86 milhões de dólares. O fundo Matlin Patterson não apresentou a carta de fiança solicitada pela justiça. Os gestores judiciais estão ganhando salários de marajás. Os sindicatos dos aeroviários e dos aeronautas protestam pela demissão em massa, sem o pagamento das verbas indenizatórias.
Os sócios brasileiros afastados do comando da empresa são acusados de pertencerem a uma quadrilha. As rotas internacionais da VarigLog estão sendo transferidas para a Arrow, que pertence ao Matlin Patterson. O escritório do advogado Roberto Teixeira continua representando a VarigLog junto a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e recebendo gordos honorários. O juiz Magano continua sentado sobre o processo, marcando hora e limite de prazo para que as partes possam ver as suas decisões. A Anac continua de braços cruzados, esperando que apareçam novos sócios ou que o juiz determine o que eles devem fazer.
Este quadro é um breve resumo do que vem acontecendo com a VarilogLog nos últimos dias, só que o harakiri cometido pela entrevista da ex-diretora da Anac, Denise Abreu, trouxe um novo componente à questão: sinais de um escândalo político.
O noticiário do dia fez ruir a estratégia de defesa do fogo cruzado que a Anac estava submetida nos últimos dias, principalmente por conta de um festival de problemas que resultou na renuncia do brigadeiro.
Allemander Pereira diante da omissão administrativa da agência ao permitir a existência de irregularidades na VarigLog, a exemplo de ser comandada por estrangeiros, burlando o artigo 181 do Código Brasileiro Aeronáutico. Acrescente ainda o fato de a questão envolver pressão do escritório do polêmico advogado Roberto Teixeira, o Teixeira & Martins, que atuava como representante do fundo Matlin Patterson.
A estratégia da nova Anac era colocar a culpa na administração passada, chegando a própria Solange Vieira a solicitar um auditoria do Tribunal de Contas da União, visando principalmente a apuração nos processos de multas contra as companhias aéreas. O seu alvo era os diretores afastados, transferindo responsabilidades e promovendo uma arrastão em tudo que foi feito no passado.
O Sindicato das Empresas Aéreas, entrou com um mandado de segurança na Justiça Federal em Brasília para que a Anac revele todo o teor das suas atas, ganha um novo sentido agora, quando a falta de transparência aumenta a carga de suspeição, ampliada com as declarações de Denise Abreu.
Resta à Anac, segundo a sua assessoria de imprensa, tomar medidas administrativas que podem resultar até na cassação da licença de operação da VarigLog. Para isso, tem de haver sinal verde da Justiça. Resta a avaliação de que a agência estava engessada entre a pressão do escritório do advogado Roberto Teixeira e própria vontade de justificar sua passividade por estar o caso "sub-judice".
No mundo real, a questão é uma só: o fundo de investimentos Matlin Patterson continua no comando da VarigLog e o chinês Lap Wai Chan, mesmo sem pisar no Brasil, segue dando as ordens na empresa. Tudo como estava antes. A revelação do passado e dos bastidores dos negócios realizados são, por enquanto, "alegorias carnavalescas". Quem manda na VarigLog é Lap Wai Chan e ele esta fazendo literalmente o que quer e rindo do circo que foi armado ao seu redor, sem interferir nos seus planos e ações estratégicas.