O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou a possibilidade de seu governo preparar um pacote de medidas econômicas para amenizar os efeitos da crise dos mercados globais no Brasil. "Não tem pacote", disse o presidente, após deixar a cerimônia com atletas medalhistas olímpicos e paraolímpicos, realizada no Palácio do Planalto.
Apesar de negar a possibilidade de criar um pacote anticrise, o governo federal já tomou algumas medidas para reduzir a influência da crise econômica sobre o País. Na última semana, o Banco Central anunciou duas ações que buscam aumentar a liquidez no sistema financeiro nacional, mantendo R$ 13,2 bilhões no mercado: o adiamento do cronograma de implementação de compulsórios sobre depósitos interfinanceiros de leasing e o aumento para R$ 300 milhões do valor a ser deduzido pelas instituições financeiras sobre os depósitos a prazo, à vista e da poupança.
Lula realizou nesta manhã uma reunião com grupo de coordenação política, integrado pelo vice-presidente, José Alencar, e os ministros da Fazenda, Casa Civil, Planejamento, Justiça, Relações Institucionais e Secretaria Geral. De acordo com o presidente, a situação hoje está mais calma.
Enquanto isso...
Governo investirá mais de R$ 180 milhões na aquisição de trigo, milho e sisal
O governo federal anunciou hoje, através da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a decisão de investir R$ 181,5 milhões na aquisição de trigo, milho e sisal. A medida faz parte da programação mensal da Política de Garantia de Preços Mínimos e foi tomada ontem, durante reunião da comissão interministerial com representantes dos Ministérios da Fazenda e da Agricultura, da Conab e do Banco do Brasil.
A Política de Garantia de Preços Mínimos é um instrumento governamental que busca assegurar aos agricultores um valor suficiente para custear sua safra e fazer investimentos para o ciclo seguinte. O Rio Grande do Sul é um dos Estados com prioridade no investimento feito para a safra de trigo, que terá R$ 100 milhões destinados.
E tem mais isso tudo...
BNDES receberá de R$ 7 bilhões do FGTS para combater crise
O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deverá receber R$ 7 bilhões que hoje estão no Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS), em uma estratégia do governo para conter o agravamento da crise. A expectativa é fazer com que o banco ajude a preservar os investimentos privados na economia e manter o ciclo de crescimento.Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, a decisão de reforçar financeiramente o BNDES veio antes de o Congresso dos Estados Unidos rejeitar o pacote de medidas do governo norte-americano para ajudar o sistema financeiro do país. Além dos R$ 7 bilhões recebidos pelo FGTS, o BNDES já vem recebendo em parcelas R$ 15 bilhões do Tesouro, com base em medida provisória editada no fim de agosto.
Governo reage à crise e antecipa R$ 5 bilhões para a agricultura
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quarta-feira (1º) que o governo não vai fazer um pacote de medidas para enfrentar a crise internacional. "Pacote é coisa do passado. O momento é de tomar medidas específicas, o que já estamos fazendo", afirmou Mantega em coletiva na porta do Ministério da Fazenda, depois de reunião da coordenação política com o presidente Lula.
Entre essas medidas específicas, Mantega citou a antecipação dos recursos à agricultura. Segundo ele, este valor, que será de aproximdamente R$ 5 bilhões, já está sendo liberado pelo Banco do Brasil. "Achamos que mais R$ 5 bilhões resolvem o problema", disse. "As medidas de ajuste estão sendo tomadas. O BB já está antecipando recursos para a agricultura. Vamos colocar mais crédito", disse.
COMENTANDO A NOTÍCIA:
"Pacote é coisa do passado. O momento é de tomar medidas específicas, o que já estamos fazendo", afirmou Mantega, repetindo o mesmo que disse Lula. Reparem o cuidado que esta gente tem na tentativa de descolarem do passado, passado este ligado aos governos Collor e Sarney, época áurea de pacotaços capazes de dinamitar a paz e o sossego dos brasileiros.
Contudo, e mesmo que a crise recém está provocando algumas turbulências na economia do país, eles já saíram a campo esparramando “medidas específicas”. Nada contra. Acho que todas são bem vindas e necessárias. Não tenho dúvidas quanto isso, até porque aqui mesmo reclamei da passividade que o governo Lula vinha mantendo diante da gravidade da situação internacional.
Mas por que se tem esta mania de “mudar” os nomes dos atos? Se pacotes anteriores deram errado, e daí? Pacotes nada mais são do que um conjunto de medidas direcionadas à resolução de crises, ou de dificuldades também específicas. Por que esta balela marqueteira de se mudar o nome das coisas que tem a mesma natureza? Besteira ! Num só dia, vejam acima, quantas medidas foram adotadas para contornar dificuldades de um determinado momento. O conjunto destas medidas é sim um pacote, o que não tira os méritos na sua adoção e execução. O errado, no passado, não era o “pacote” em si, e sim as medidas que eles continham.
Ótimo seria se nossas autoridades largassem de mão estas esquisitices. Fariam papel menos ridículo!