quinta-feira, outubro 02, 2008

Ainda sobre Protógenes e Dantas...

Adelson Elias Vasconcellos

De Gabriela Guerreiro, a Folha Online publicou o desmentido do delegado Protógenes de que tenha recebido ordens presidenciais para investigar Daniel Dantas. Comentaremos em seguida:

O delegado Protógenes Queiroz negou nesta quinta-feira que as investigações que culminaram na Operação Satiagraha, sob o seu comando, tenham sido determinadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O delegado disse que a única participação de Lula no caso foi uma declaração do presidente em apoio às investigações.

"A única situação que envolve o gabinete do presidente da República é que o presidente, no Haiti, elogiou o nosso trabalho", disse.

Protógenes afirmou que "em nenhum momento" o ex-diretor geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Paulo Lacerda orientou a instituição a investigar o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity.

Reportagem da Folha afirma que o delegado teria dito em depoimento ao Ministério Público Federal que o ponto de partida da investigação foram informes repassados ao Planalto pela Abin. Deflagrada em 8 de julho, depois de quatro anos de investigações, a Satiagraha teve como principal alvo o banqueiro Daniel Dantas, preso duas vezes preventivamente por ordem da Justiça, atendendo a pedidos de Protógenes.

O delegado foi afastado em julho deste ano das investigações após supostos excessos cometidos durante a operação --como a exposição da imagem da prisão do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta algemado, de pijamas, em sua casa.

Procurada pela Folha, a Procuradoria da República do Distrito Federal confirmou as declarações de Protógenes sobre a origem da Satiagraha, mas recusou-se a dar mais detalhes sobre o depoimento, com o argumento de que isso poderia atrapalhar as investigações.

O delegado fez uma espécie de "desabafo" nesta quinta-feira depois de receber uma condecoração da Associação Nacional da Força Expedicionária Brasileira pela sua luta contra a corrupção. Protógenes disse que "escândalos fabricados" em favor de criminosos tiraram o foco das investigações da Operação Satiagraha, com o "assassinato" da reputação de pessoas e instituições envolvidas nas investigações sem que o trabalho fosse "compreendido por aqueles que tinham o dever de preservá-los".

O próprio delegado divulgou, em seu blog na internet, que receberia a condecoração. Protógenes levou um discurso pronto para ser lido à imprensa com o seu desabafo. Apesar de direcionar as críticas à Polícia Federal, o delegado em nenhum momento citou nomes dos responsáveis pelo seu afastamento do comando da Satiagraha.

COMENTANDO A NOTÍCIA:
Dois trechos são importantes destacar no desmentido do delegado que a Folha publicou hoje. Seguem em itálico:
"(...) Reportagem da Folha afirma que o delegado teria dito em depoimento ao Ministério Público Federal que o ponto de partida da investigação foram informes repassados ao Planalto pela Abin (...)"

"(...) Procurada pela Folha, a Procuradoria da República do Distrito Federal confirmou as declarações de Protógenes sobre a origem da Satiagraha, mas recusou-se a dar mais detalhes sobre o depoimento, com o argumento de que isso poderia atrapalhar as investigações (...)".

Portanto, fica claro que, a declaração de que havia recebido ordens diretas da presidência, foi dada pelo delegado ao Ministério Público, e não ao repórter da Folha. E, em seguida, a própria Procuradoria da República do Distrito Federal ratificou as declarações sobre a origem das operações, ou seja, a partir do Planalto.

Publicamente, portanto, o delegado jamais poderia admitir que, fora do ambiente das investigações, recebera as tais ordens presidenciais. Seria o mesmo que apontar o presidente como tendo cometido um crime. Imediatamente, sua cabeça seria servida em bandeja dourada.

Sua negativa, deste modo, fica mesmo dentro do script sem, porém, desfazer a informação inicialmente repassada pela Folha e que, em outros órgãos, ela própria acabou confirmando.

Por fim, é preciso entender que este governo que está aí, tem sido useiro em “quebrar” as regras do jogo para atingir seus propósitos de poder. Tem sido contumaz em mudar as leis para obter espaço livre à sua ideologia. Jamais devemos esquecer que, socialistas em geral, justificam os meios que empregam com a glória dos fins que almejam, mesmo que tais fins impliquem em morticínio e outras ilegalidades. Para eles o que conta é fecharem em suas mãos o poder supremo dos destinos dos indivíduos. Eles não compactuam com sociedades em que pessoas tenham a liberdade delas próprias escolherem seus caminhos. Socialistas são seres que se endeusam na beleza cretina que se apregoam de terem o saber e o poder absoluto sobre tudo e sobre todos. Aos contrários, o destino é a eliminação pura e simples, o que corrobora o figurino da prática da mentira, da mistificação e do cinismo mais descarado como instrumentos de cooptação dos desavisados e mal informados, negando a mais cristalina das práticas que se tomem por ilegais.

Conclusão: o delegado, mesmo que a seus pares tenha confessado de como as investigações tiveram início, para o grande público, a quem se outorga o papel de paladino da justiça, não poderia mesmo arrancar a máscara da hipocrisia e mostrar-se como realmente é. Daí que a negação faça parte do seu próprio contexto.