quarta-feira, outubro 28, 2009

Afinal, cadê a oposição?

Adelson Elias Vasconcellos


No início desta edição, comentamos um fato que, a rigor, e em se tratando do senador pelo Ceará, Tasso Jeressaiti, não causa nenhuma surpresa.

Há muito tempo que este blog tem tratado questões relevantes nas áreas da saúde, segurança, economia, infraestrutura, educação que, tivesse o país uma oposição com real espírito público, e já estaria colocando este governo contra a parede. É impressionante ver tanto descalabro ser praticado sem merecer uma posição contestatória de uma oposição que mais parece agir como pertencente à base governista. Chega a ser constrangedor para parte da população que enxerga a mediocridade, sem encontrar uma oposição digna do nome para defender o real interesse do país. Ou será que eles esquecerem que o governo Lula, em grande parte de sua trajetória, é mera continuidade do que o governo FHC plantou? E por que este emudecimento diante de um governo que insiste em capitalizar a exclusividade de uma obra que sequer lhe pertence ou foi por ele construída? E lembrando do comportamento do próprio quando na oposição...

Sinceramente, PSDB e DEM deveriam era se envergonharem deste comportamento passivo e submisso, Há sim um enorme espaço junto a opinião pública não apenas para fazer oposição ao governo Lula, mas também para apresentarem um projeto alternativo que não nos conduza à mediocridade eterna. Muito mais longe do que este blog tem criticado o governo, a crônica de Miriam Leitão para o jornal o Globo, (veja post abaixo), é uma síntese de uma série de descalabros praticados pelo governo Lula, especialmente sobre o programa Bolsa Família, (mas não apenas ele, claro, há muitos outros), que temos tratado há muito tempo como um bolsa caça-votos.

Claro que Miriam focou muito mais a falência dos partidos de oposição do que na do governo atual. Não pertenço ao clube de Lula e seus amestrados, como não pertenço aquela parte da  sociedade que o eleva a 80% de popularidade e quase isso de aprovação. Se o fizesse, enterraria de vez a memória dp passado recente, ajudando a encobrir a verdadeira história do Brasil.

Há muito fatos mal contados. Há muitos crimes encobertos, e a entrevista que Lula concedeu ao Kennedy Alencar, na Folha de São Paulo, mostra bem o caminho escolhido pelo atual presidente para governar sem ser incomodado. Falta a Lula nomeio político, alguém que se comportasse como ele e seu partido quando estiveram na oposição.

Não é de hoje que acuso as oposições de covardes, de falta de discurso, de falta de empenho em pensar num outro Brasil além deste arremedo vigarista que estamos assistindo, de falta de um projeto alternativo que devolva ao Brasil e às suas instituições um mínimo de decência.

E tamanha omissão é prejudicial ao país, porque está nos conduzindo por caminhos sem um mínimo de decoro, sem um projeto de desenvolvimento coerente até com passado mais próximo, quando o estatismo dos militares acabou nos empurrando para 25 anos de estagnação. Lula, ao apostar no mesmo receituário, e mantendo a população mais pobre da pirâmide prisioneira de um programa sem porta de saída, está condenando o Brasil a viver dias ainda piores do que os que, imediatamente, se seguiram a ditadura militar.

De repente, o país perdeu seu senso crítico e sua capacidade de raciocínio. De repente, o estado de direito começa a capengar porque amordaçado pelo capricho de um governante autoritário e mentiroso, e seu partido. As leis são feitas ou são cumpridas conforme o autoritarismo da hora.

Não sei de onde o país emergirá para chutar prá bem longe daqui, tanta imbecilidade, tanto atraso, tanta miopia. É de se esperar que não precisemos bater no fundo do poço desta cegueira.

É salutar observar que, pelo menos parte da imprensa, está acordando para a dura realidade de um governo mistificador, em que a mentira, o cinismo, se tornaram instrumento de governo. Não lembro que Miriam Leitão tenha feito tantas críticas ao governo Lula em outra data. A não ser críticas pontuais, específicas, não de forma tão aberta e compulsiva. Contudo, desde 2005 chamamos o Bolsa Familia de programa eleitoreiro. E, desde sempre, apontamos aqui que Lula não tem nada além de um projeto de poder. Seu governo é dirigido com base apenas em pesquisas de opinião, ou seja, não se faz o que é necessário, e sim o que dá IBOPE. Em outras palavras, Lula só joga prá torcida, mesmo que este jogo vá contra os interesses do país, comprometendo-lhe o futuro.

As intromissões indevidas na economia que dá certo, por exemplo, representa uma canalhice sem precedentes, como é o caso da Vale, (e como já ocorrera com Varag, lembram?), e que o Estadão comenta com propriedade, quando se pretende taxar a exportação de minérios para se prejudicar, de forma consciente e premeditada, a maior ou segunda empresa privada do país, que gera empregos (milhares), renda, divisas (centenas de milhões de dólares), tudo por quê? Apenas questões de foro pessoal. . (veja post nesta edição sob o título “Decisão insensata”).

Por outro lado, sugiro a urgente leitura do artigo do Sebastião Nery, “Os 40 de Lula” , especialmente o que trata da dívida interna e externa, e não apenas pela forma elegante, concisa, primorosa dele escrever, contar causos e expor idéias. Mas pelo conteúdo:. ali está exposto, de forma clara, tudo quanto este blog vem dizendo sobre dívida interna e externa. Deveria ser a primeira questão, a primeira bandeira a ser levantada pela oposição por todo o país, o desmascaramento desta vigarice propagada por Lula e seu partido. É um verdadeiro crime lesa pátria, é um assalto aos cofres públicos. É impressionante também como grande parte da imprensa esconde estas verdades. Que interesses excusos se ocultam por detrás desta omissão irresponsável? Para quem torce o nariz até para os processos de privatizações, mas que renderam investimentos, empregos, renda e avanço tecnológico para o país (a telefonia é o melhor exemplo disto), deveria era calar a boca e se retirar envergonhado da vida pública. Não só isso: deveria era ser preso e proibido de chegar perto de qualquer comício ou campanha eleitoral. Dilma e Lula mentem desavergonhadamente para todo o país e não se vê nem se ouve ninguém com a coragem de peitá-los. Porque se o fizer, a simples apresentação destes números da dívida pública seriam suficientes para desmascarar toda a encenação vigarista e cretina que Lula pratica desde que assumiu o poder.

Quando falamos tempos atrás sobre “ponto de ruptura institucional”, não faltou quem nos atacasse e nos taxasse de loucos, visionários, dentre outras baboseiras mais. O tempo passou e o que vemos hoje? Nossas instituições enfraquecidas, aparelhadas e um Estado trôpego a serviço do projeto de poder de um partido de imbecis políticos. O Congresso é um exemplo disto. Genuflexo, acovardado, submisso.

Ontem expusemos aqui a herança maldita que Lula está plantando para quem o suceder. Chegamos a falar da farra fiscal, lembram? Se os fatos e os números ali apresentados já não bastassem, a história verdadeira da dívida pública, tanto interna quanto externa, emolduram exemplarmente, a podridão que devassa o Planalto e o quanto de riqueza este país está jogando no lixo.

Querem um exemplo sintomático da podridão que acomete nossas instituições? Vejam a declaração a seguir::

- “É natural (sic!) que pré-candidatos ligados ao governo sejam beneficiados (sic) nas campanhas e é comum a antecipação de campanhas em anos pré-eleitorais. Quem está mais próximo da lareira se aquece melhor. Culturalmente no Brasil quem é candidato do Executivo leva vantagem na largada... Em ano pré-eleitoral não é fácil separar com nitidez o que é ação de governo e propaganda eleitoral antecipada”.

Esta afirmação, acreditem, foi feita por ninguém menos que o excelentíssimo presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral),  e membro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Brito.

Não é a toa que o país está do jeito que está, de mal a pior. Sem oposição e com um pensamento destes, o que podemos esperar?