quarta-feira, outubro 28, 2009

Ideia insensata

Estadão

Embora discreta, a reação da China à possibilidade, já admitida pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, ,? de o Brasil taxar as exportações de minérios é uma indicação dos problemas que essa medida, se adotada, criará para o comércio exterior brasileiro e, sobretudo, para as empresas mineradoras do País.

O governo chinês está disposto a convocar uma reunião com o governo brasileiro para tratar da imposição de um tributo adicional de 5% sobre a exportação de minério, pois é o principal cliente da Vale, que, por sua vez, é a maior exportadora mundial de minério de ferro. Fará isso "discretamente", como disse o embaixador da China na Organização Mundial do Comércio (OMC), Sun Zhenyu, ao correspondente do Estado em Genebra, Jamil Chade.

Há uma ironia nessa reação chinesa, como mostrou nosso correspondente. O governo chinês taxa suas exportações de minérios (de magnésio e de zinco, entre outros) para conceder vantagens à indústria nacional que utiliza essas matérias-primas, mas a medida tornou-se "uma faca de dois gumes", como admitiu o embaixador chinês na OMC, pois a China está sendo acusada pela União Europeia e pelos Estados Unidos de proteger ilegitimamente sua produção local. Mas este é um problema da China.

Já o governo brasileiro considera que a taxação provocará um barateamento relativo do minério de ferro no mercado interno, principalmente pela maior oferta doméstica do minério, o que, na sua avaliação, estimulará os investimentos na siderurgia nacional. O governo pressionou a diretoria da Vale, uma empresa privada, ressalte-se, tentou interferir em suas decisões e agora quer forçá-la a apressar os investimentos programados e investir ainda mais na produção de aço, pois, como disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e repete sua ministra-candidata, Dilma Rousseff ,"eu quero que a Vale faça mais, exporte mais valor agregado e menos minério".

Tanto a ideia da taxação das exportações de minérios, como sua justificativa  de forçar a Vale a "exportar mais valor agregado",  embutem equívocos que podem resultar em graves prejuízos para a empresa e para a economia brasileira.

A taxação reduzirá a competitividade da Vale em relação às suas grandes concorrentes australianas, a BHP Billiton e a Rio Tinto. As três respondem por cerca de 70% do comércio internacional do minério de ferro. A vantagem da Vale é o fato de deter áreas ricas em minério de qualidade. Sua desvantagem está na distância do principal mercado consumidor atual, o chinês. Do preço médio do minério de ferro fornecido à China, o frete representa 12% no caso do produto australiano; no caso da Vale, o valor do frete corresponde a 30% do preço final. A taxação imporia um custo adicional ao produto brasileiro.

A ideia em exame pelo governo preocupa o fornecedor, a Vale, e o comprador, o governo chinês. A Vale obteve pouco mais de 85% de suas receitas no primeiro trimestre deste ano com exportações; a China, isoladamente, respondeu por praticamente 40% das receitas totais da empresa. Fortemente dependentes do minério de ferro importado, os chineses não querem pagar mais pelo produto ? daí sua intenção de convocar o governo brasileiro para tratar da medida.

Forçar a Vale a investir na produção de aço, para exportar um produto de valor superior ao do minério de ferro, é um contrassenso. Se ela visse alguma vantagem nesse tipo de investimento, já o teria feito. Ela é líder mundial no setor de exportação de minério, o que lhe assegura alta rentabilidade, muito superior à alcançada pelas siderúrgicas brasileiras. Ela tem participado de companhias siderúrgicas, mas como acionista minoritária, pois essas empresas são também importantes compradoras de seu produto principal, que é o minério de ferro.

Quando insistem em transformar a Vale numa empresa siderúrgica, o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff passam por cima, também, da realidade do mercado, que não poderiam desconhecer. O mercado mundial de aço está saturado e, por isso, as principais siderúrgicas estão cortando seus planos de investimentos. No mercado interno, a capacidade de produção é muito maior do que a demanda. O que a Vale faria com o aço que produzisse?

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:


A ação do governo Lula tem endereço certo: atingir a Vale, comandada por Roger Agnelli. É uma canalhice sem limites, lembrando bem o estilo autoritário e ditatorial de Hugo Chavez. Nem no tempo da ditadura sse viu atitude deste tipo. Ou seja, o governo tomando uma medida com a inteção direta de prejudicar uma empresa nacional, motivado por questões pessoais, nunca de interesse do Estado.

É de seperar que o governo chinês faça pelo Brasil o que o próprio governo brasileiro ewstá deixando de fazer, ou seja, defenda nosso interesse. Esta intromissão infame não tem nenhuma justificativa. Ou acaso a Vale deixou de pagar algum imposto para o governo ? Ou acaso não triplicou por tres seu ganhos e, seus investimentos e geração de empregos desde foi privatizada? Será que o país já não tem problemas internos tão mais urgentes a merecerem maior atenção do governo que ele agora “encontrou” tempo e disposição para se intrometer onde não deve? O mandato presidencial não veio acompanhado da outorga de dono do Brasil.. Governante com tal apetite autoritário merece a alcunha de canalha.