quarta-feira, outubro 28, 2009

ENQUANTO ISSO...

Maior hospital do Amazonas suspende novas cirurgias por falta de medicamentos


Kátia Brasil, da Agência Folha

O Hospital Universitário Getúlio Vargas, o maior público do Amazonas, suspendeu nesta terça-feira novas cirurgias por falta de medicamentos. A direção da unidade, que fica em Manaus, diz que faltam anestésicos, antibióticos, analgésicos, soro e fios cirúrgicos para procedimentos.

Segundo o hospital, os repasses de R$ 1,2 milhão ao ano do Ministério da Educação são insuficientes para custear toda a infraestrutura. Ligada à Universidade Federal do Amazonas, a unidade também recebe recursos do SUS (Sistema Único de Saúde).

Hoje, dos 251 leitos, 95 estão fechados devido à falta de manutenção nas instalações. Estão na lista de espera para cirurgias 1.132 pessoas.

"O hospital vive uma situação caótica perene e não tem recursos nem para funcionar 90 dias", diz o diretor Lourivaldo Rodrigues.

O ministério informou nesta terça que uma comissão fará uma visita ao hospital na próxima semana. A equipe fará um levantamento da situação para formular um plano de ação em conjunto com a administração e com a universidade. Até lá, o ministério não vai comentar o caso, segundo sua assessoria.

Em atividade há 45 anos, o hospital é referência em hemodiálise, ortopedia e neurocirurgia e conta com 160 médicos.


Enquanto isso...

Governadores usam R$ 3,6 bi da saúde em outros gastos

da Folha Online

Por causa de uma brecha na lei, 16 Estados deixaram de aplicar R$ 3,6 bilhões em hospitais, remédios, exames e outras ações de saúde em 2007, informa reportagem de Ricardo Westin para a Folha.

A Constituição determina que os Estados devem destinar à saúde no mínimo 12% de suas receitas próprias. Para atingir o percentual, a maioria dos governadores, porém, "maquiou" seus balanços contabilizando gastos que não foram propriamente com saúde pública. Incluíram nas contas da saúde, para citar exemplos, tratamento de esgoto, plano de saúde dos funcionários estaduais, aposentadoria dos servidores da saúde, alimentação de presidiários e programas sociais do estilo Bolsa-Família.

Os subterfúgios tiraram da saúde em 2007 dinheiro suficiente para sustentar o programa brasileiro de Aids por quase três anos. Com esses mesmos R$ 3,6 bilhões poderiam ser construídos 70 hospitais de médio porte (200 leitos).

O problema é que o mau exemplo vem de cima. O próprio Ministério da Saúde, que também tem investimentos em saúde pública fixados pela Constituição, deixou de aplicar R$ 5,48 bilhões entre 2001 e 2008, segundo o Ministério Público Federal.




***** COMENTANDO A NOTÍCIA:


Muito embora Amazonas não esteja incluída nos 16 estados que deixaram de cumprir a Constituição, até pelo contrário, aparece no topo dentre os que mais verba direcionou para a saúde, a situação da rede hospitalar em todo o país é de descalabro total. E não por não haver recursos. Estamos fartos de contestar aqui argumentos nesta direção. O que falta, não apenas à saúde mas também para todos os demais serviços públicos indispensáveis, é o estabelecimento de prioridades na gestão pública. É total a falta de projetos específicos. Mesmo quando havia a CPMF, o quadro era tão ou mais caótico do que agora. E isto acontece em qualquer estado brasileiro. Saúde, segurança, educação, tratamento de esgoto, são prioridades que governo algum pode dispensar. Mas qual? Melhor gastar 300,0 milhões por ano em um rede de TV que ninguém assiste, do que cuidar da saúde da população.


Interessante é saber que a rede pública de saúde é utilizada, quase que cem por cento de sua capacidade atendimento, pelos mais pobres. Tanto a classe média quanto os mais ricos, geralmente, se valem de seus planos de saúde privada. Alguém precisa avisar ao governo que saúde do pobre também faz parte da coleção de programas sociais. Ou será que o apelo não rende votos?


Aliás, lá atrás, quando Temporão assumiu o Ministério, e passou a trabalhar de maneira dispersiva, o recado já tinha sido dado. A saúde pública precisa muito mais de um gestor do que um marqueteiro...


E a propósito, a quem cabe fiscalizar o cumprimento do dispositivo constitucional? E no caso do não cumprimento, qual a penalidade que deve ser aplicado aos governadores, ou tudo fica por isso mesmo?