quarta-feira, outubro 28, 2009

A lambança de Jeressaiti

A notícia da Agência Brasil que segue abaixo, a mim não causou nenhuma estranheza. Na eleição passada, o senador tucano, Tasso Jeressaiti, que era presidente nacional do partido, portanto, era quem deveria dar o exemplo de boa conduta e fidelidade, resolveu ir contra o candidato de seu partido nas eleições para o governo do Ceará, e para apoiar e se aliar ao adversário, para quem fez campanha e pediu votos. É muita infidelidade !

Agora, relator sobre o pedido de ingresso da Venezuela no Mercosul, dias atrás sinalizou que seu parecer seria contrário, tendo em vista que uma das condições básicas para o ingresso no bloco econômico, é que seus países membros vivam sob o regime do estado democrático de direito, coisa da qual a Venezuela se afastou faz muito tempo.

Até aí nada de mais. Jeressaiti estava apenas indo de encontro ao que determina o regimento que regula o Mercosul. Porém, quando tudo parecia seguir seu curso normal, eis que o senador se saiu hoje com esta: disse que é necessário obter "garantias concretas" de que o "modelo autoritário" representado por Chávez não será exportado. Como é que é? Será que o senador cearense não lê jornais, não assiste a noticiários, não tem um mínimo de informação sobre o que se passa no continente sulamericano? Santo Deus, o que será que aconteceu com Bolívia, Equador, Nicarágua, Paraguai, etc, etc, etc, por acaso não foi justamente a exportação daquele modelo autoritário ? De que garantias fala o senador Jeressaiti, a palavra de Chavez ? Ora, senador, convenhamos, desinformação até poderia ser aceita neste caso, mas ingenuidade? Desde quando se pode crer em promessas de Hugo Chavez ? Ou acaso o senador está esquecido de que foi este mesmo caudilho bolivariano quem incitou o indio de araque da Bolívia, Evo Morales, a simplesmente rasgar o contrato feito com o Brasil sobre o fornecimento de gás? Ou está esquecido de quantas empresas Chavez já tomou à força em seu próprio país? Ou terá o senador esquecido das ofensas com as quais Chavez se dirigiu ao nosso Congresso Nacional, do qual o senador Jeressaiti é um dos membros?

São comportamentos desta “magnitude” que fazem com que Lula desgoverne o país sem que um mínimo de oposição competente lhe seja feita! Acredito até que Lula, em seus melhores sonhos, jamais imaginou ter uma oposição tão boazinha, tão servil, tão ingênua, tão dócil, tão GOVERNISTA...

A seguir, a lambança de um senador que deveria respeitar a inteligência alaheia.

Tasso muda discurso sobre entrada da Venezuela no Mercosul

Tucano, que é relator do tema no Senado e contrário à adesão, deu sinais de que pode mudar de posição

BRASÍLIA - Contrário à adesão da Venezuela ao Mercosul, o senador Tasso Jereissatti (PSDB-CE), sinalizou nessa terça-feira, 27, que pode mudar de posição. Mas para o tucano é fundamental haver uma nova postura do governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez. Para ele, Chávez deve dar garantias de que vai respeitar os princípios democráticos.


Relator do tema na Comissão de Relações Exteriores do Senado, Tasso disse que é necessário obter "garantias concretas" de que o "modelo autoritário" representado por Chávez não será exportado. "Se for possível uma construção em que se aprove a entrada da Venezuela no Mercosul desde que haja garantias concretas de que essa evolução e exportação de modelo autoritário e preconceituoso não será feito", disse, em audiência pública na comissão.


"Estou disposto a estudar para que possamos chegar a um acordo. Mas uma coisa concreta. Estamos dispostos a estudar isso de maneira que possa ser concreta e aceitável diante da nossa visão", acrescentou o senador.


A manifestação de Tasso ocorreu pouco depois do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, ter criticado Chávez. Contrário ao governo do presidente venezuelano, Ledezma disse que Chávez desrespeita a democracia.


Para Ledezma, a adesão da Venezuela ao Mercosul deve obrigar Chávez a seguir as regras do protocolo do bloco que determina o respeito aos princípios democráticos.


"Sou partidário da integração, creio nessa integração. Não se trata de ter ou não Chávez no poder. Quando se discutia o ingresso da Venezuela, estava na Presidência o senhor Rafael Caldeira", afirmou Ledezma.


A votação do relatório de Tasso, que propõe o veto ao ingresso da Venezuela por acreditar que o governo Chávez não é democrático, está marcada para quinta-feira (29). O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), fez um voto em separado argumentando que as razões econômicas é que devem motivar os votos dos parlamentares.


Os governos da Argentina e do Uruguai já autorizaram a entrada da Venezuela no bloco. Mas o governo do Paraguai adiou a discussão para 2010, depois que for definida a decisão brasileira.


Depois de votação na comissão, o relatório sobre o ingresso da Venezuela no Mercosul deve ser votado no plenário do Senado.