sexta-feira, outubro 09, 2009

O calote aplicado a quem paga imposto pelo governo que empresta dinheiro até ao FMI

Augusto Nunes, Veja online





O presidente Lula tem aparecido pouco no emprego para dedicar-se em tempo integral a uma urgência urgentíssima: cumpre-lhe ensinar ao resto do mundo como se faz para acabar com uma crise econômica medonha quando mal começou. Graças ao timoneiro incomparável, vem aprendendo o planeta, o país do carnaval foi o último país alcançado pelas ondas de fabricação americana, surfou com olhar distraído no que aqui não passou de marolinha e é o único que já prospera na praia.

“Saímos da crise melhor do que estávamos quando entramos”, ufana-se há semanas o maior dos presidentes. O Brasil não tem pressa para receber o o dinheiro que emprestou ao FMI, o Banco Central não sabe o que fazer com tanto dólar, sobram verbas para a Copa de 2014, para a Olimpiada de 2016, para a renovação do contrato com a base alugada, para buscar o mundaréu de petróleo no fundo do mar, para o que der e vier. Há dinheiro para tudo.

Menos para devolver a milhões de lesados o que o Imposto de Renda cobrou a mais, informou a manchete da Folha de S. Paulo. Dos R$ 15 bilhões que o governo deve, e jurou restituir ainda neste ano, R$ 3 bilhões ficarão para 2010. O calote golpeou sobretudo trabalhadores da classe média, que não terão dinheiro para pagar as próprias contas porque estão pagando contas do governo sem fundos.

“Tivemos de compensar uma arrecadação menor”, gaguejou com voz de gazua o ministro Guido Mantega, encarregado pelo presidente Lula de executar a tunga em parceria com a Receita Federal. Depois de algumas horas de sumiço, o guardião do cofre reapareceu para tentar iludir em economês os enganados de sempre. ”O que nós fazemos é priorizar a restituição daqueles contribuintes sem problemas, que não estão na malha fina”, fantasiou. ”Também privilegiamos as restituições menores, que se supõe que sejam de uma faixa salarial mais baixa”.

Por confundir a mudez que vem do espanto com o silêncio de quem consente, Mantega resolveu fingir na conversa com os jornalistas que acha estranho tanto barulho por nada. ”Não sei por que estão chamando a atenção para esta questão. Estamos agindo normalmente em relação a isso”. Os tungados acham normal que o governo se comporte como o remediado metido a besta, sempre caprichando na pose de rico comprometida pelo paletó puído. Assim tem sido há quase sete anos. Mas só um anormal de ofício pode querer que milhões de pagadores achem normal o calote que, segundo Mantega, foi aplicado para bancar o prejuízo causado por uma crise que, segundo Lula, não só acabou faz tempo como melhorou o Brasil.

É isso que Mantega quer. É disso que Lula gosta. E também isso jamais conseguirão dos brasileiros que existem fora do rebanho

***** COMENTÁRIO DO NOBLAT:


A reluzente cara de pau do ministro Mantega

Leonardo Souza publicou, hoje, na Folha de S. Paulo que "o governo federal começou a atrasar o pagamento das restituições do Imposto de Renda das pessoas físicas, em sua grande maioria trabalhadores da classe média, para compensar parte da queda de arrecadação de tributos neste ano."

Segundo ele, "de aproximadamente R$ 15 bilhões que seriam inicialmente devolvidos até dezembro, cerca de R$ 3 bilhões só deverão ser liberados no primeiro trimestre do ano que vem".

O que disse a respeito o ministro Guido Mantega, da Fazenda?

Disse que os contribuientes não terão prejuízo com o atraso. Porque o que teriam direito a receber será corrigido a cada mês pela taxa Selic.

Beleza, não?

Comemorem. Soltem fogos.

Se não tiverem dinheiro para isso, peçam emprestado aos servidores da presidência da República que ontem saudaram Lula com uma queima de fogos para marcar a conquista pelo Rio dos Jogos Olímpicos de 2016.

Quando você tem direito à restituição é porque recolheu Imposto de Renda além do devido.

A queda de arrecadação tem a ver com a "marolinha assassina" - e também com o aumento de gastos do governo.

Experimente gastar além do que ganha...

É isso.

Muita gente espera a restituição para pagar dívidas.

As dívidas têm data para vencer.

Não vale dizer a credores: "Minha restituição atrasou por culpa do governo. Segure o que lhe devo".

O credor pode até segurar - mas a que preço?

E se ele preferir executar a dívida?

Queixe-se ao bispo. Ou melhor: a Mantega. Ou ao chefe dele.