domingo, novembro 22, 2009

Leitura, Informação e liberdade

Adelson Elias Vasconcellos

A verdade que liberta está na leitura que ensina e informa.

Vários são os fatores que explicam esta tão “decantada” popularidade de Lula. Já abordamos a questão dos programas sociais. E que se destaque: ninguém aqui é contra os tais programas, mas contestamos, literalmente, a sua condução. Da forma como estão postos, pode-se até apelidá-los de “programa social”, mas estão longe, muito longe de o serem, de fato.

Desde 2006, quando este espaço foi criado, creio que já escrevi uma dúzia de artigos abordando este tema. E sempre a nossa crítica não foi pela eliminação dos programas, e sim pela correção de rumos. Apresentamos inúmeras idéias que, se colocadas em execução, representariam um grande salto para seus beneficiados. Evidentemente, como tendência, o objetivo final seria torná-los desnecessários. Mas isto é outro papo.

Esta introdução é para encaminhar uma outra razão do populismo crescente de Lula. E, acredito mesmo, seja quiçá a razão principal. O tema até poderia ser Educação, mas o fato é que trataremos da consequência da Educação - desde que se trate de uma educação de qualidade. É a questão da leitura.

Ainda na campanha eleitoral de 2006, fizemos um cálculo que demonstrava e deixava bem claro que, se grande número de brasileiros tivessem a prática da leitura, ou a base dos que lêem fosse maior, certas asneiras e tolices paridas pelas esquerdas nunca vigariam. Não entre nós.

E, quando falo de educação de qualidade, por certo, estou jogando no lixo este sistema atualmente adotado pelo MEC, de fazer da educação brasileira um centro de doutrinação ideológico partidária. Vimos, há poucos dias, um destes exemplos, em questões do ENADE. Mas ele não é o único mau exemplo. Qualquer exame avaliativo do ensino em seus diferente níveis, traz questões daquele tipo repugnante. Vestibulares de universidades públicas? Estão atolados em questões vigaristas e manipuladoras. Vergonhoso é muito pouco para qualificar o que se está praticando. Estão roubando, com doutrina eivada de mentiras, a capacidade das futuras gerações em fazer escolhas diferentes das que as esquerdas acreditam como certas. É uma lavagem cerebral bem ao estilo dos regimes mais ditatoriais e autoritários que o mundo já assistiu.

Já comentamos e demos exemplos dos conteúdos dos livros didáticos admitidos pelo MEC. Puro lixo, pura falsificação, pura manipulação da própria história.

A manipulação da verdade, uma das ferramentas de cooptação que as esquerdas adotam como estratégia no mundo inteiro, pode ser percebida até na propaganda asquerosa e vigarista que o governo federal exibe nos veículos de comunicação, quando não do seu uso descarado em algums, no sentido deles “pouparem” o governo de críticas mais contundentes..

E por que eles conseguem, no Brasil, vingar sua empulhação? Primeiro, porque o Brasil ainda ostenta uma das taxas de analfabetismo mais altas dentro do  próprio continte sulamericano. Segundo, dentre os que conseguem ler e entender o que lêem, nem todos tem fácil acesso à informação. Naquele cálculo que fiz em 2006, comprovei que, apenas, cerca de 10% da população, pode, de fato, demonstrar algum nível de informação minimamente satisfatório.

E isto faz uma enorme diferença quando se tenta quebrar os elos que aprisionam grande parte da população do país nas armadilhas, não apenas das esquerdas, mas da classe política em geral. Claro que esta “libertação”, com o tempo, fará o povo jogar no espaço os maus políticos, ou grande parte deles. Mas este é um processo de longo prazo. Até lá, muito safado ainda fará fortuna à custa da desinformação dos eleitores brasileiros. E muito canalha conseguirá, também, praticar, com recursos do Estado, um vexatório culto à personalidade. Método este em curso, no caso de Lula. Até que se tire a máscara de hipocrisia com que se apresenta ao país, teremos que aguentar muita porcaria ainda...

Um estudo, cujos resultados foram apresentados pelo Estadão, feito pelo Instituto Pró-Livro confirma que o brasileiro lê pouco. Reparem: são 77 milhões de não leitores, dos quais 21 milhões são analfabetos. Já os leitores, que somam 95 milhões, leem, em média, 1,3 livro por ano.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a população lê, em média, 11 livros por ano. Já os franceses leem sete livros por ano, enquanto na Colômbia, a média é de 2,4 livros por ano. Os dados, de 2005, são da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), que integram o Instituto Pró-Livro.

Ora, quando cerca de 50% da população de um país, não lê absolutamente nada, de que forma ela poderá se defender do proselitismo político, por exemplo? Certa ocasião, em meio a um debate entre amigos, afirmei que a melhor defesa de um povo para fortalecer e defender sua democracia é a informação. A leitura liberta as pessoas, lhes dá a ferramenta necessária para se proteger de maus políticos, de maus governantes, de cretinos que lhes tentam assaltar a vontade com manipulação indecente, com mentiras canalhas, com mistificações deprimentes. A verdade que liberta está na leitura que ensina e informa.

Assim, um politico mau caráter só conseguirá fazer sucesso valendo-se da ignorância da comunidade que o cerca, ou de sua combinação com a falta de informação. Por isto, Lula sempre afirma, em seus discursos, que o povo não se pode deixar levar pelos que ele denomina de “formadores de opinião”, ou então as esquerdas, quando se referem aos seus críticos já os rotula como “imprensa golpista”. O que se insinua com tal vigarice? Que todos quanto divergem dos canalhas são golpistas, são maquiavélicos.

É certo que, dia após dia, mais e mais pessoas se tornarão leitoras, se informarão melhor pelo maior acesso à internet. Mas, antes que se libertem dos grilhões da escravidão mental em que foram mantidas durante tanto tempo, o discurso daquela infame advertência é uma apelação asquerosa que logrará certo êxito. Assim, eles tentam desqualificar os contrários, antes que estes demonstrem o quanto ele são canalhas que mentem, trapaceiam, manipulam, mistificam.

O estudo ainda traz um dado assustador: entre os 95 milhões de leitores brasileiros, 75% disseram que sentem prazer ao ler um livro, mas 22% sustentaram que leem apenas por obrigação. Apenas 7,47% da população brasileira compram livros não didáticos e destinam à literatura o equivalente a 0,05% da renda familiar. O pouco orçamento destinado à leitura se reflete em que 60% dos brasileiros nunca abrem um livro.

Reparem: apenas 7,47% da população compram livros não didáticos. E estejam certos, é neste diminuto universo que se situam os poucos brasileiros que se mantém informados do que acontece além das fronteiras de suas comunidades. Assim, aqueles 10% que eu havia indicado em 2006, ainda era muito, perto da realidade.

Não me surpreende, portanto, estes 82% de popularidade de Lula. É fruto, infelizmente, da grande ignorância e desinformação de praticamente 85% da população brasileira. O resultado do levantaqmento é bem indicativo desta verdade.

Ou então, por que vocês acham que Lula e os petistas fazem tanta questão de amordaçar a imprensa? Isto é próprio de regimes autoritários. Neles, a censura é praticada, às vezes até de forma muito violenta, justamente para impedir que a população tenha acesso à informação que não as baboseiras que o partido permite divulgar que, como todo o auto retrato, é bastante colorido. É deplorável? Claro que é, razão pela qual compete aqueles que ainda se mantém livres e não cooptados, lutarem para ampliar os 7,45% de leitores informados. Um povo educado e informado, acreditem, não se deixa escravizar pela ideologia do atraso com que as esquerdas tentam se impor.

Os números que o estudo revela, demonstram esta verdade. Assim, Lula e petistas, enquanto estiverem no poder, lutarão com todos os recursos e artimanhas de que puderem dispor, para impor mordaça à imprensa. Eles acreditam que podem pensar por nós, melhor do que nós mesmos...Lembram do artigo que escrevemos sobre o tal COFECOM  e a proposta do petê? Lembram da pérola, da jóia preciosa contida naquela proposta? Vale registrar aomenos esta passagem do artigo: "...Ou vocês acham que quando eles se referem a “(...)Defende intervencionismo na produção de conteúdo(...)”, eles estão querendo dizer o quê? Eles até podem dar o nome que quiserem à pilantragem que pretendem impor, mas que, em linguagem decente, isto não tem outro significado que não seja CENSURA..." A íntegra do artigo está aqui.

Eles nutrem um ódio terrível à liberdade de expressão, e as cretinas estratégias de que se utilizam para golpearem esta liberdade, trazem o rótulo enganador de “democratização dos meios de comunicação”. Isto é apenas o atrativo principal para atrair os incautos a provarem do veneno que escorrem de suas mentes doentias.

Não basta apenas atacá-los pela informação, devemos nos manter vigilantes para alertar suas tentativas espúrias de privar os cidadãos de suas liberdades, a de informação e expressão principalmente.

Claro que a escola e a família devem ter papel destacado neste processo. Filhos que crescem vendo seus pais dedicarem tempo à leitura, ou mesmo que os incentivam a comprarem .livros de seu gosto, ou que assistem seus pais lendo não apenas livros, mas também jornais e revistas, acabam gerando em si mesmos o saudável hábito da leitura. E este exercício, não pode se circunscrever apenas a livros didáticos, quanto maior a diversificação de assuntos e temas, melhor.

Uma das desculpas mais corriqueiras que ouço de certos pais é a de que os livros são caros no Brasil. De minha parte, eu digo que não são, poderiam até serem mais baratos. Mas, ainda assim, há bons livros e a preços acessíveis. Além da preguiça, vejo alguns destes pais gastarem R$ 30,00 ou R$ 40,00, comprando cervejas para o fim de semana e não acham isto caro. Porém, um livro de R$ 30,00, para eles representa uma fortuna. Questão cultural? Questão de hábito? Talvez.

Mas reparem num detalhe: quando um presidente se ufana de seu ignorância, confessa que nunca lê jornais porque sente azia, que se vangloreia de não ter lido livro algum em toda a sua vida, que glamouriza seu próprio analfabetismo, está passando qual exemplo para as novas gerações? E não apenas isto: um presidente que adora martelar contra intelectuais, que adora desqualificar jornalistas, não tem competência para comandar a verdadeira revolução de informação de que o Brasil necessita para não se tornar mais escravo de canalha de qualquer espécie, inclusive dele e de seu partido.

Para encerrar: pena é que, dentre aqueles 7,45%, tenha um grande contingente de pilantras que, apesar de ouvirem o presidente se gabar de sua ignorância, ainda o aplaudem e o felicitam com um “é isso mesmo!” “Dá-lhe Lula!”. É uma parte da imprensa genuflexa, que adora beber nas arcas do tesouro alguns abonos especiais...

Pobre país cujo povo é escravizado pela FALTA DE CULTURA. Que é mantido nas trevas da ignorância, do analbetismo, da desinformação. Pior, ainda, quando governado por quem faz disto tudo um projeto de poder. Este povo, acreditem, está condenado a jamais ser livre! A história, mais do que tudo, está cheia de exemplos para comprovar a tese, mas, se ninguém a lê, ou pouquíssímos dela tomam conhecimento e têm acesso, a escravidão acaba sendo tachada de “isto é uma questão cultural”. Mentira. É o contrário. É sintoma de falta de cultura, isto sim.

Quanto a índices tão altos de popularidade, é bom lembrar: Hitler, na Alemanha nazista, quase chegou aos 100%, Mussolini, na Itália fascista, beirou a unanimidade. Mais recentemente, no Iraque, Saddam Hussein chegou a 96%. Poderia ainda elencar mais uma dúzia de exemplos, porém estes aí já bastam para afirmar o seguinte: não é o índice de popularidade que avaliza a deformidade ou integridade (moral, principalmente) do governante da ocasião. A diferença é que, nas democracias quem é contra, não acaba na prisão ou assassinado pelo regime. Já nos regimes autoritários, bem sabemos, a história é outra, e bem mais cruel. Os cubanos, escravos dos irmãos Castro, que o digam...

Ler, se informar o mais que se puder, para se conhecer a verdade, eis o caminho da liberdade porque,  fora disso, não se tem salvação.