Adelson Elias Vasconcellos
Ainda sob os escombros da eleição fraudulenta que reconduziu Ahmadinejad ao poder, ainda sob os protestos da oposição que denunciava a vigarice ao mesmo tempo em que era repelida a cacetete e a bala (a de verdade, que mata, não a de borracha), afora as centenas de prisões e a censura enraivecida à imprensa mundial, Lula reconheceu o pleito como "normal", reconheceu o eleito e a vida seguiu em frente. Já Honduras, sob um clima absolutamente normal conforme a imprensa mundial (sem nenhuma censura) e cerca de 300 observadores internacionais atestaram a legitimidade do pleito, não contou com reconhecimento algum, e hoje, em reunião da cupula do Mercosul, Lula voltou a rebater e acusar o país hondurenho, negando-se em reconhecer o presidente eleito legitimamente e sem que houvesse o menor resquício de fraude.
Fizeram coro a esta verdadeira agressão Argentina, e vejam, o bufão do Chavez. Peraí: Chavez, em reunião de cúpula do Mercosul? O que ele estava fazendo lá? Tanto quanto se saiba a Venezuela ainda não faz parte do Mercosul (e sequer merece, de acordo com o protocolo de criação do bloco econômico), mas o delinquente lá estava dando pitaco. Pois é, prá ver, né, se mesmo antes de ser aceito o cretino já se intromete indevidamente em assuntos que não lhe compete, imaginem depois de aceito?
Chavez, a exemplo de Lula e Morales, receberam de braços abertos o carasco iraniano. E hoje, numa teatro boçal, esnobaram o presidente eleito de Honduras. Antes de acusarem Honduras, deveriam ter lido os jornais e, especificamente, a página internacional sob a nova onda de manifestações de protestos no Irã, e a desmedida e brutal reação do governo iraniano. Ontem, segunda-feira, marcou o Dia do Estudante, em homenagem a três jovens mortos durante o regime do xá. Mas muitos aproveitaram a data para realizar o maior protesto dos últimos meses contra o governo, duramente reprimido pelas forças de segurança com cassetetes e gás lacrimogêneo. E o recado foi claro, leiam: "De agora em diante, não iremos demonstrar misericórdia com relação a quem age contra a segurança nacional. Estes serão confrontados com firmeza", disse o promotor Gholamhossein Mohseni-Ejei, segundo a agência oficial de notícias Irna.
Os protestos desta semana, embora menores, ecoam as manifestações ocorridas depois da eleição presidencial de junho, que segundo a oposição foi fraudada. Desta vez, porém, a atmosfera parecia mais radical, com gritos contra o regime clerical, e não só contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad.
Os protestos contra a fraude das eleições, enfrentados com violência pela polícia e a milícia Basij, ligada à Guarda Revolucionária, deixaram ao menos 20 mortos, dezenas de feridos e cerca de 2.000 presos. A oposição chegou a denunciar abusos nos presídios contra os opositores, mas a acusação foi rejeitada por Teerã. O Conselho dos Guardiães do Irã, órgão responsável por ratificar o resultado do pleito, aceitou fazer uma recontagem parcial dos votos para acalmar a oposição, mas confirmou a reeleição de Ahmadinejad depois de afirmar que a fraude em cerca de 3 milhões de votos não era suficiente para mudar o resultado das urnas. Khamenei endossou a vitória de Ahmadinejad.
Como o dia também era para Amorin expressar sua diatribes, depois da vigarice que tentou aplicar em relação a intromissão do Itamaraty em Honduras, achando que era pouca cretinice, encontrou brecha para sacar mais uma estupidez, agora em relação ao Irã.
Ignorando simplesmente os acontecimentos daquele país, Amorin deitou falação sobre a desavença entre o Irã e os países ocidentais no que diz respeito a questão nuclear. Do alto de sua deprimente sabedoria, afirmou que "...O Brasil fará o possível para restabelecer o diálogo do Irã com os países ocidentais."
Ora, diante do comportamento grotesco do governo brasileiro na questão hondurenha, nem o senhor Amorin tampouco Lula tem autoridade moral para intermediar o que quer que seja em relação ao Irã. E por uma simples razão: eles só reconhecem e consentem com um dos lados, a tal ponto que Lula, em visita à Alemanha, diante da chanceler daquele país, e em termos ordinários e delinquentes, afirmou que nem Estados Unidos tampouco Rússia tinham moral para exigir que o Irã não fabricasse arsenal nunclear. Esquece Lula que tanto os Estados Unidos quanto a Rússia não ficam todo o dia jurando destruir uma nação soberana, como faz o Irã em relaçao a Israel, tampouco financiam o terrorismo internacional. Com tamanho destrambelhamento, não é possível consentir colocar armas nucleares em mãos de um maluco irresponsável como Ahmadinejad. Sendo assim, que outros argumentos vigaristas terá Lula para se intrometer numa questão que não lhe diz respeito? O Irã não é um país único no mundo, deve respeitar os princípios e os acordos internacionais tanto quanto qualquer nação. Sua recusa em submeter sua usina atômica a inspeção internacional é um despropósito que, inclusive, foi condenado por Rússia e China, seus leais parceiros.
Se numa questão menor, como a crise hondurenha, fomos incompetentes em costurar um acordo minimamente razoável dada nossa intransigência injustificável, nesta que é uma questão que atinge interesses de todas as nações desenvolvidas do planeta, além do discurso canalha e inconsequente, que outro atributo nossa diplomacia possui para tentar intemediar um restabelecimento de diálogo? Quem desrespeitou o protocolo internacional foi o Irã, quem ameaça seus vizinhos é o Irã, quem dá um pontapé na história é o Irã, quem financia o terror e é o culpado direto pelo assassinato de centenas de inocentes no mundo inteiro pelas ações de pura barbárie, é o Irã. Ora, quem foge do diálogo e se fecha a qualquer tipo de entendimento é o próprio Irã, e não as nações ocidentais. Como sentar-se à mesa para negociar com alguém que simplesmente se nega ao diálogo? Amorin deveria ao menos ter um pingo de juízo para se conscientizar de que esta mania de "grande potência anã" do governo Lula, é de um ridículo sem conta.
Da mesma forma Lula, em relação a Honduras e a Venezuela. A admissão desta última no âmbito do Mercosul, é assinar o atestado de óbito do bloco. Chavez não tem a menor condição de participar de foruns em que educação, honra, moral sejam princípios norteadores das relações. Sua intromissão só servirá para criar confusão, intriga e dissensão. E, no que diz respeito a Honduras, a ignorância e a vigarice de Lula em relação a todo o episódio, só serve para demonstrar ao mundo que, em termos de política externa, ainda não conseguimos sair do jardim de infância. E o que é pior: só aceitamos parcerias quando firmadas com caudilhos, terroristas, narcoterroristas, ditadores, em suma, gente da pior espécie. Nossa moral neste campo continua sendo a de mais baixo nível.
Portanto, em questões como a crise no Oriente Médio entre palestinos e judeus, ou na delicadíssima questão nuclear que conflita nações ocidentais com o Irã, o melhor que deveríamos fazer seria ficar longe dos holofotes. Não temos competência, nem conhecimento histórico dos fatos que colaboraram para o surgimento dos confrontos, tampouco estofo moral para aparecermos na cena como "potência conciliadora". Como disse, esta mania de "grande potência anã" não passa de um desvario. E, como tal, só serve para nos causar dor de cabeça, sem que conheçamos o remédio capaz de ao menos atenuar seus efeitos. De tanto procurar sarna para nos coçarmos, acabaremos entrando de gaiato em assuntos que não nos darão nenhum retorno positivo. Até porque vale alguém perguntar a Amorin e Lula: o que vocês tem a ver com isso? Vão procurar a turma de vocês, gente medíocre!!!