Adelson Elias Vasconcellos
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, continua refugiado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Em entrevista à rádio Globo nesta segunda (7), Manuel Zelaya, que se encontra há 78 dias no local, disse que fica lá “enquanto contar com o apoio brasileiro”. As instituições - Corte Suprema e Congresso - derrubaram Zelaya em 28 de junho, porque o mandatário deposto tentou alterar a Constituição na marra. No último domingo houve uma nova eleição e o líder do opositor Partido Nacional, Porfírio Lobo, ganhou a disputa.
Ocorre que, no meio político de Tegucigalpa, surgiu a informação de que o governo brasileiro deu um prazo de até 27 de janeiro próximo para que o presidente deposto de Honduras, Manoel Zelaya, desocupe a nossa embaixada, lembrando que no dia 29 assumirá a presidência de Honduras Porfírio Lobo, eleito recentemente. Dentre tantas derrapadas da política externa da trinca Amorim, Top-Top Garcia e Samuel Pinheiro, talvez a questão Honduras tenha sido a mais destrambelhada. E, quiçá, a mais imprudente, uma vez que se permitiu que um estrangeiro praticasse, de dentro de uma embaixada brasileira, política partidária e incitamento à violência, o que, de resto, é vedado pela constituição brasileira. E, mesmo assim, a nossa oposição (?) permaneceu murcha, omissa, fora do lugar.
Zé da Laya aterrissou na nossa embaixada conduzido pelas mãos de Chavez e a conivência criminosa do governo brasileiro. O Zé nem asilo político pediu, porque seu desejo era continuar interferindo na política interna de seu país e, para tanto, precisava ter um canal de acesso que lhe permitisse participar políticamente tentando retornar ao poder. Nossos condutores da política externa aceitaram o bufão e seus seguidores, sem nem sequer se aterem ao motivo que levaram as instituições hondurenhas a depô-lo do poder. Não se deram ao trabalho de lerem o que determinava a constituição daquele país. Simplesmente recepcionaram o Zé por ele ser aliado de Chavez, por praticar a defenestrada política do populismo bocó, por se considerar, o Zé, um dos membros do clube do cretinismo latino-americano.
Estavam certos Amorim & Cia. de que conseguiriam impor sua receita vigarista em uma nação soberana e democraticamente constituida. Aposta de alto risco que, como se viu, deu com os burros n'água. E, apesar das eleições livres e sem sobressaltos conforme testemunharam mais de 300 observadores internacionais que lá estiveram, Lula ainda se recusa em reconhecer o presidente eleito. Mas, já se antevia, que na questão hondurenha, Lula acabaria isolado e abraçado ao inquilino bufão. A forma escandalosa com que o governo brasileiro tentou interferir em assuntos internos de um país onde vigora o pleno estado de direito democrático, é uma das coisas mais degradantes na história da nossa política externa . Coisa de que devemos tratar de esquecer.
Quando Zé da Laya chegou na embaixada, trouxe consigo cerca de 300 seguidores. Hoje não há mais do 20 deles a lhe fazer companhia. Não conseguiu sequer impedir que seu partido concorresse às eleições gerais condenadas por ele e apontadas como fraudulentas. Hoje, o Zé está negociando seu exílio em El Salvador ou na Nicarágua.
Todo o episódio da participação do governo brasilseiro na questão interna de Honduras está eivado de vigarices e ilegalidades. E, se aqui se praticasse política com seriedade, se a classe política brasileira não fosse tão alienada quanto irresponsável, e o mínimo que poderia acontecer seria a abertura de um processo por crime de responsabilidade contra Amorin e Lula.A tentativa de fraude do Zé da Laya à constituição de seu país, levou Lula e Amorin a fraudarem visivelmente as leis brasilseiras, principalmente a nossa constituição. E, tudo ficou por isso mesmo.
Agora, o que farão com a presença incômoda do golpista? Que Amorin, Lula e Chavez achem uma solução para o problema que eles criaram e patrocinaram. Que o acomodem na Venezuela, em Cuba, no Equador, na Bolívia, onde acharem melhor. Mas que aprendam a lição: nem todas as nações admitem serem emporcalhadas por ideologias do atraso. Honduras fez sua opção pela democracia, pelo estado de direito, pelo respeito às suas instituições.
É triste e, ao mesmo tempo, constrangedor observar a que baixo nível desceram as instituições brasileiras. Lentamente, vão perdendo o rumo e a exata noção do papel que deveriam desempenhar, a tal ponto que, além de omissas, se entregam sem resistência ao total ridículo.