Adelson Elias Vasconcellos
Se houvesse um prêmio para um "garganta profunda" no governo Lula, seria difícil competir com Celso Amorin e Tarso Genro. Ambos, em matéria de asneiras e basbaquices, são insuperáveis. E, entre os dois, talvez houvesse um empate técnico. Menos mal que, quando um fala, o outro se cala. Os dois produzindo sandices ao mesmo tempo, seria um pouco demais para qualquer estômago.
Assim, enquanto Genro nos poupa de suas cretinices em relação ao italiano assassino, Amorin não deixa por menos: compensa a ausência do parceiro e ainda acrescenta uma dose extra de vigarice.
No post abaixo, em que comentamos a atrapalhada do governo Lula no caso de Honduras, ficou claro que a posição do Itamaraty era de um ridículo imenso. E que, após 78 dias de hospedaria na embaixada brasileira em Tegucigalpa, não sabiam nossas autoridades o que fazer com o Zé da Laya, cada vez mais isolado em seu próprio país.
Não só isso: a posição do Brasil em relação a crise política hondurenha, além da barbeiragem atroz, também nos deixaria, por sua intransigência inconcebível, isolados em relação ao restante do mundo.
Mas sendo Amorin quem é, até porque este é uma ação comum no governo Lula, não poderia se deixar levar por atitudes humildes, ou seja, reconhecer e aceitar seu erro. Tenta-se agora roubar a cena com afirmações esdrúxulas que, nem o mais imbecil dos seres vivos, seria capaz de acreditar.
Participando da reunião de cúpula no Mercosul ao lado de seu chefão, Amorin saiu-se com esta: "...o Brasil procurou facilitar o diálogo".
Como se a vigarice já não fosse extrema, Amorin achou por bem acrescentar: “Talvez não tenham sido produzidos todos os resultados que se esperava, mas se o Brasil não tivesse dado abrigo [a Zelaya] estaria tudo parado. O Brasil contribuiu para firmar a democracia no nosso continente. A situação nos preocupa, mas Honduras vai encontrar uma solução”.
Dá para acreditar? Antes, o Brasil sentou-se junto com Venezuela no âmbito da OEA e clamou que a comunidade internacional fechasse as portas para o governo de Micheletti. Depois, negou-se a intermediar o acordo entre Zé da Laya e Micheletti, porque não reconhecia Micheletti como presidente, e sim como golpista, e cobrava o imediato retorno de Zé da Laya ao poder. Diante do impasse criado pelo Itamaraty, os Estados Unidos resolveram por um ponto final, acertando e costurando um acordo que pudesse garantir certa ordem naquele país, entregando às instituições representadas pelos outros dois poderes, Legislativo e Judiciário, a decisão de devolverem ou não Zé da Laya ao poder. Tanto, que o Brasil criticou duramente os americanos. Pelo acordo, também se garantiu a realização das eleições para a presidência, e que estavam marcadas para 29 de novembro antes da deposição do chapeludo.
Desta forma, preservando-se a normalidade democrática, entregou-se ao povo hondurenho o direito de escolherem seu próprio destino. Mesmo assim, o governo brasileiro permaneceu irredutível e não apenas condenou as eleições, como não reconheceu até agora o presidente eleito em eleições livres e diretas. E Amorin vem falar que, graças ao Brasil, o diálogo foi facilitado, que a ação criminosa do governo brasileiro contribuiu para firmar a democracia no nosso continente? Tenha a santa paciência, Amorin, vá ser vigarista assim lá na Venezuela ou lá em Cuba, mas nos poupe de tamanha babaquice!!!
O que o Brasil queria, comandado por Lula e secretariado por Amorin e Marco Aurélio Garcia, era justamente golpearem a normalidade democrática de Honduras, exigindo que Zé da Laya, o golpista verdadeiro desta lambança, fosse reempossado na presidência daquele país.
Tentar agora, depois de tanta m... produzida, ficar bem na foto, é no mínimo indecoroso, para não se dizer coisa pior. E por que ainda não reconhecemos o presidente eleito, num evento que a comunidade internacional reconheceu como legítima? Diferente foi a atitude de Lula reconhecendo a vitória de Ahmadinejad, no Irã, diante do reconhecimento de eleições fraudulentas e do massacre pela polícia dos manifestantes em protestos contra a vigarice perpetrada! É isto que Amorin quer cunhar como "contribuição à democracia"?
Melhor faria o Itamaraty, desgovernado por Celso Amorin e seus capangas, se calasse a boca e tomasse decisões com um mínimo de decência. Melhor faria se, em atendimento ao que dispõe a constituição brasileira, deixasse de se intrometer em assuntos internos de uma nação soberana. E, melhor faria, ainda, se antes de tomar partido em favor de A ou de B, em situações semelhantes, ao menos tomasse conhecimento do que determinam as leis de um determinado país.
Sem dúvida, em matéria de "garganta profunda", a turma de Lula é insuperável, como nunca dantez...