sexta-feira, dezembro 11, 2009

Imoralidade explícita !!!

Adelson Elias Vasconcellos

Bem, nada me resta acrescentar sobre a posição (cretina e desumana) do governo Lula em relação ao aumento para os aposentados e pensionistas do INSS, cerca de 26,5 milhões de pessoas, todos da iniciativa privada, proposto através de projeto de autoria do senador Paulo Paim-PT/RS. Já expusemos em vários artigos nossa posição. Contudo, quando de cafajestagem, sem dúvida, a Câmara de Deputados sempre consegue se superar.

O projeto do Paim não é apenas justo, é a recuperação da degradante corrosão praticada através dos anos sobre os benefícios, com milhões de casos em que a corrosão reduz à metade o valor original do benefício concedido. Portanto, não se está praticando nenhuma caridade ou nenhum favor. Está se corrigindo uma flagrante ilegalidade.

Sob o ângulo que se analisar a posição do governo, ela nunca se justifica. O aumento DEVE sim ser concedido. Mas o governo não quer, porque não quer. Simples assim.

Nos diversos artigos que já postamos aqui, afirmamos que os aposentados e pensionistas do INSS, provenientes da iniciativa privada, tem sido tratados como trabalhadores de quinta categoria, nada além de simples dejetos humanos dos quais o governo gostaria de se livrar. Exemplo disso, reportagem hoje do Jornal Nacional, sobre a carga tributária incidente sobre medicamentos que, quem os usa, não o faz por esporte, mas por absoluta necessidade, e que foi tratada pelo ministro Mantega com absoluto desdém. Para este senhor, justiça tributária é algo de menor importância. Para Mantega, o panetone pagar imposto menor que os medicamentos, é visto como absolutamente normal, e sobre este assunto, o governo não perderá seu tempo.

Vendo que sua intransigência poderá acarretar prejuízo a sua crescente “popularidade”, Lula prepara uma armadilha que, sob a aparência de “aumento real”, fica, na verdade, abaixo da proposta do senador Paulo Paim. Seria uma espécie de mínimo do mínimo. Ao invés de corrigir a injustiça flagrante, o governo acena com uma pequena esmola.

Na notícia a seguir, da Folha online, vocês tem a proposta do governo Lula e a reação da Confederação Brasileira dos Aposentados e Pensionista. Voltamos depois.

Aposentados e CUT criticam aumento de 6,2% dado pelo governo
A Cobap (Confederação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas) e a CUT (Central Única dos Trabalhadores) criticaram ontem a decisão do governo de conceder ganho real de apenas metade do aumento do PIB em 2008 aos aposentados que ganham mais do que o salário mínimo e a forma de dar o reajuste por meio de medida provisória, a ser editada na próxima semana.

"O governo está tramando por baixo do pano para apunhalar os aposentados. Mas, na eleição [de 2010], os segurados do INSS vão se lembrar de todos os deputados que participarem dessa armação", afirmou Warley Martins Gonçalles, presidente da entidade. A Cobap defende o mesmo índice real de reajuste do salário mínimo para todos os aposentados.

O ministro José Pimentel (Previdência Social) confirmou ontem que governo irá editar ainda neste mês uma medida provisória para conceder o reajuste acima da inflação para os benefícios de aposentados e pensionistas, conforme a Folha antecipou ontem. O reajuste vale a partir de 1º de janeiro.

A CUT (Central Única dos Trabalhadores) não concorda com o índice apresentado pelo governo. A central quer ganho real de 80% do crescimento do PIB, o que daria reajuste de cerca de 7,55%. Pela decisão do governo, o reajuste será de 6,2%.

"Além disso, queremos uma política séria de valorização do mínimo que também favoreça os aposentados que ganham o piso do INSS", disse Artur Henrique, presidente da CUT.

O PSDB e o DEM vão manter a pressão no Congresso para que entre na pauta de votação o projeto de lei nº 1/2007 com a emenda garantindo o mesmo aumento do mínimo para todos os aposentados.

"O governo tem medo de perder e está falando em medida provisória com reajuste menor, mas o que os aposentados querem mesmo é o aumento igual ao do mínimo", disse Ronaldo Caiado (DEM-GO).

O PMDB afirmou que apoia a decisão do governo e que a votação do projeto de lei com a emenda que estende o aumento do mínimo para todos os aposentados não é uma prioridade no momento. Segundo o PMDB, o mais adequado é mesmo a edição de uma medida provisória para garantir o reajuste dos aposentados.

O presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados da Força Sindical, João Batista Inocentini, disse que o índice de reajuste não é o ideal, mas que as negociações com o governo podem gerar avanços importantes para os aposentados.

"Com o aumento, vem a promessa de uma política de valorização dos benefícios. A médio prazo, poderemos recuperar muito das nossas perdas. Não podemos esquecer que a proposta do governo é de aumento real, coisa que há muito tempo os aposentados não têm", disse Inocentini.

Como já previa a proposta de Orçamento para 2010 enviada ao Congresso em agosto, para os 18,5 milhões de beneficiários que ganham um salário mínimo, o ganho real a partir de janeiro será de 5,1%, equivalente ao aumento do PIB de 2008.

Já os 8,3 milhões que recebem acima do piso previdenciário terão apenas metade do reajuste, ou seja, 2,55% acima da inflação de 2009.

"A partir de agora, quem ganha mais do que o mínimo também tem o direito de participar do crescimento econômico", afirmou Pimentel. No entanto, um projeto já aprovado pelo Senado e pronto para ser votado pelo plenário da Câmara garantia para todos os beneficiários o reajuste pelo PIB total.

Para o senador Paulo Paim (PT-RS), autor da emenda, os aposentados que recebem mais do que o mínimo terão reajuste menor por causa da omissão dos deputados. "O Senado fez a sua parte aprovando os 100%, mas faltou à Câmara assumir a responsabilidade. Depois, nas eleições, todo mundo vai pedir voto para os aposentados."

*** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Há quatro momentos no texto que grifamos. O primeiro, a reação indignada do presidente da Confederação dos Aposentados. Já o segundo, terceiro e quarto momentos grifados, representa o que há de mais repulsivo e flagrante desrespeito para com um contingente humano formado por mais de 26,5 milhões os quais, por mais de trinta anos, trabalharam duro e honestamente para cobrir as contribuições que lhes era exigida para merecerem uma aposentadoria no mínimo decente quando chegassem à velhice. A posição do PMDB, então, não pode ser mais sórdida e desprezível do que foi, por absoluta falta de espaço. Para quem goza dos privilégios imorais como a classe política, de fato, o aumento das aposentadorias deve ser um estorvo, por isso para os canalhas o aumento não é uma prioridade no momento.

Já o camarada da Força Sindical, acha que a esmola já basta, nada de justiça. Este cretino só diz esta barbaridade porque o governo é do Lula. Fosse de algum partido contra o qual Lula e PT fizessem oposição, e por certo o cafajeste já poria a tropa na rua para gritar palavras de ordem contra a decisão de se conceder aquilo que o PMDB não considera prioridade do momento. Talvez a corja só considere prioridade às vésperas da eleição...Tudo a ver!

Já para o ministro da Previdência, ele acha que a esmola é um favor que faz para os aposentados,m ao afirmar que ..."A partir de agora, quem ganha mais do que o mínimo também tem o direito de participar do crescimento econômico”. É mesmo, senhor ministro? E onde foram parar os trinta e cinco anos de contribuição? E os mais de trinta anos de serviços, serviram para quê, seu pústula? Ninguém, senhor ministro, pode conceder um direito que, por lei, já foi conquistado através do trabalho e das contribuições. Os aposentados não estão, repito, pedindo nenhum favor, estão pedindo aquilo que a lei lhes assegurou ao se aposentarem, e que o governo agora não quer reconhecer! Eles não precisam que um ministro babaca feito o senhor, lhes venha praticar proselitismo vigarista e vagabundo, porque parte da riqueza que o senhor ministro hoje pode desfrutar neste país, foi conseguida através do trabalho suado destes 26,5 milhões de senhores e senhoras que dignificaram com seu labor honesto o significado da palavra cidadão/cidadã.

E esta mesma Câmara que se dói compungida em TER que debater um projeto que repõe um direito conquistado, da forma mais sórdida, e na calada da noite de segunda feira, aprovou um aumento, vejam vocês, para os funcionários da ...própria Câmara, com os seguintes índices – vejam só a belezura de gesto desta gente humanista: o aumento é válido para os 6,8 mil funcionários da casa, sendo 15% para concursados, inclusive os inativos, ou seja, os aposentados “deles”, e de 33% para os cargos de indicação política. Ou seja, para quem estudou, fez concurso e entrou pela porta da frente menos da metade, para os que entraram pela porta dos fundos, fruto do nepotismo e fisiologismo canalha, para estes vagabundos apadrinhados, um aumentinho básico de “só” 33%. Para os aposentados da iniciativa privada, além de uma banana podre, eles acham que 6,2 % tá de bom tamanho e, até porque, este aumento não é prioritário!

Talvez aos aposentados, para quem o governo acena com a esmola dos 6,2%, lhes falte a energia necessária para saírem às ruas em protesto. A vida calejada lhes ensinou a terem educação e se portarem como cidadãos civilizados, ao contrário de sindicalistas e mst’s da vida bandida, que devidamente abastecidos com as arcas do Tesouro pago por todos nós, até porque lhes sobra tempo bastante por não trabalharem, promovem arruaças, badernas, gritaria, selvageria em defesa de suas benesses gratuitas.

Mas, por certo, senhor presidente, a estes 26,5 milhões de cidadãos e cidadãs, não faltará sabedoria na hora de votarem. Muitos até nem são obrigados, mas, por certo, saberão reconhecer o desrespeito e o descaso com que estão sendo tratados em seu governo, e se farão presentes para devolverem tanto o desrespeito quanto o descaso. E, antes do senhor querer reclamar do resultado, primeiro prove da banana podre que, hoje, o senhor lhes está oferecendo, e faça bom proveito.