quarta-feira, dezembro 30, 2009

Irã confisca corpos de opositores mortos por temor de mais protestos em funerais

da Associated Press, no Cairo (Egito)


As autoridades iranianas disseram nesta segunda-feira que não vão liberar os corpos de cinco manifestantes da oposição mortos nos confrontos da véspera, incluindo o sobrinho do líder da oposição. A medida visa evitar que os funerais sejam utilizados como plataforma para mais manifestações, depois da morte de ao menos oito pessoas neste domingo, em confrontos violentos entre manifestantes e forças de segurança no Irã.

Ativistas e sites da oposição dizem que o governo prendeu ao menos oito figuras proeminentes da oposição, incluindo um ex-ministro de Relações Exteriores, em uma tática para esvaziar os protestos --mas que pode alimentar ainda mais a tensão no país.

As forças de segurança iranianas aumentaram a pressão nesta segunda-feira contra os manifestantes da oposição que, há mais de uma semana, ocupam as ruas das principais cidades do país em protesto contra o governo de Mahmoud Ahmadinejad.

Os manifestantes aproveitaram a aglomeração nas ruas para o funeral do aiatolá dissidente Hossein Ali Montazeri para renovar os protestos contra o governo.

A Guarda Revolucionária, a elite das forças armadas iranianas, e a milícia islâmica do Basij anunciaram nesta segunda-feira que estão "totalmente prontos" para intervir, um dia depois de ao menos oito opositores morrerem em violentos confrontos com as forças de segurança.

A polícia iraniana usou gás lacrimogêneo nesta segunda-feira para dispersar os seguidores do líder da oposição, Mir Hossein Mousavi, que se aglomeravam para lhe dar as condolências à morte de seu sobrinho, Ali Mousavi, um dos oito mortos nos enfrentamentos entre as forças de segurança e a oposição.

O Conselho Superior de Segurança Nacional do Irã confirmou nesta segunda-feira que oito pessoas morreram durante os enfrentamentos da véspera. Não foram divulgadas as identidades das vítimas.

Foi a primeira vez que pessoas morreram nas ruas desde os violentos protestos ocorridos pouco depois da controversa eleição presidencial de junho passado, que mataram 70.

Protestos se espalharam por várias partes do Irã, incluindo a cidade santa de Qom. Manifestações também ocorreram em Shiraz, Isfahan, Najafabad, Mashhad e Babol.

Nenhuma das informações foi confirmada por outros órgãos de imprensa, já que o governo iraniano proibiu a atuação da imprensa internacional em manifestações da oposição.


Distúrbios
Os confrontos dos últimos dias marcam a resistência dos opositores à reeleição de Ahmadinejad. O ultraconservador presidente foi reeleito em pleito do dia 12 de junho passado, com cerca de 63% dos votos contra 34% do principal candidato da oposição, Mir Hossein Mousavi.

A votação foi seguida por semanas de fortes protestos da oposição por fraude. Os protestos, enfrentados com violência pela polícia e a milícia Basij, ligada à Guarda Revolucionária, deixaram ao menos 20 mortos, dezenas de feridos e cerca de 2.000 presos.

A maioria deles já foram libertados, mas mais de 80 foram condenados à até 15 anos de prisão por participação nos protestos e na violência após o pleito, segundo o Judiciário. Cinco pessoas foram condenadas à morte.

A oposição chegou a denunciar abusos nos presídios contra os opositores, mas a acusação foi rejeitada por Teerã

O Conselho dos Guardiães do Irã, órgão responsável por ratificar o resultado do pleito, aceitou fazer uma recontagem parcial dos votos para acalmar a oposição, mas confirmou a reeleição de Ahmadinejad depois de afirmar que a fraude em cerca de 3 milhões de votos não era suficiente para mudar o resultado das urnas.

Com agências internacionais