Adelson Elias Vasconcellos
Bem, não preciso reafirmar aqui o quanto é ruim para o país, as linhas mestras com que o governo Lula conduz a política externa brasileira.
Se internamente há os incautos que ainda não se deram conta dos malefícios que tanto atraso são capazes de provocar, externamente, ao menos no mundo civilizado, as posições brasileiras, cada dia mais claras, já não causa mais espanto: como venho afirmando, a máscara de Lula, lá fora, finalmente, caiu.
Nesta aventura quixotesca em que se meteu, para servir de interlocutor entre judeus e palestinos, visando por fim ao conflito que não termina nunca, e tão cedo não terminará, Lula fez tudo o que seus mentores, Amorin e Garcia, lhe instruíram, ou seja, seguiu o roteiro errado ao bom senso.
Quando Lula cobrado por Ângela Merkel, da Alemanha, deu aquele discurso imbecil e desafiador, afirmando que os Estados Unidos ou quem quer que seja tinha moral para exigir do Irã o não acesso ao armamento nuclear justamente por terem arsenal nuclear, ficou claro para o mundo que o Brasil sob o comando de Lula, tomara partido dos bandidos, não dos mocinhos.
Mais tarde, recebendo o tirano do Irã no Brasil, entre sorrisos, abraços e reverências mil, novamente Lula se esquivou de tratar do que realmente interessava. Culminou a imbecilidade com o comportamento indecente e asqueroso em relação à Cuba e seus dissidentes políticos.
Apesar de dizer que ninguém deve se intrometer em julgar as leis cubanas, Lula, é bom lembrar, tentou apoiar Manuel Zelaya em sua tentativa de golpear as instituições hondurenhas. E de tal sorte se intrometeu, que até hoje, o governo brasileiro não reconheceu o presidente eleito em eleições livres e democráticas.
Mas Lula e Amorin são assim mesmo: diante de países democráticos, eles torcem o nariz e julgam o que não ambos não têm nem competência nem tampouco moral para julgar. Já com a escória do mundo, não há tapas, só beijos... Claro, contando com generosos recursos do BNDES ...
Volto a questão de judeus e palestinos. Lula seguiu viagem para se apresentar aos envolvidos como mediador do diálogo Já critiquei a postura brasileira na intromissão em um assunto que não nos diz respeito. E a crítica não foi apenas pela questão da distância, mas também por absoluta falta de conhecimento histórico dos fatores determinantes para os desentendimentos.
Ainda assim, se a boa vontade de mediação fosse prá valer, até se poderia interpretar como saudável a iniciativa brasileira. Contudo, a coisa começou mal e vai continuar assim. Antes de viajar, Marco Aurélio, o auxiliar presidencial do Top-Top, já afirmava que a participação do Irã seria importante para a solução do conflito. Logo quem... Primeiro, que o maior desejo do Irã é justamente a destruição total de Israel. Segundo, sabidamente, conhecemos que o Irã financia, acintosa e criminosamente, ações terroristas em pelo menos três países, sendo o responsável direito pela divisão provocada entre os palestinos. Ora, como pode alguém pensar que, num passe de mágica, sem nenhum antecedente a justificar tal expectativa, o Irã irá se bandear para a turma do bem? Delírio supremo!!!
Segundo: nem bem Lula pisou em solo israelense, e já deu uma rateada feia: negou-se em depositar flores no túmulo do jornalista Theodor Hezrl, nada menos do que o fundador do Movimento Sionista, que nunca matou ninguém, movimento do qual resultou a criação do estado de Israel, em sessão histórica da ONU, em 1948, comandada por ninguém menos do que o brasileiro Oswaldo Aranha. No discurso que proferiu no Parlamento israelense, nenhuma palavrinha respeito. Contudo, o homem que se nega em criticar (e condenar) o regime tirânico dos irmãos Castro, achou por bem criticar a decisão de Israel de construir 1.600 casas no lado Oriental de Jerusalém, na Cisjordânia. Antes, precisou ouvir pesadas críticas quanto a aliança que está construindo com o Irã.
Ora para quem quer mediar, ou pelo menos tem consigo a intenção em fazê-lo, deve guardar as críticas, para negociações internas, junto aos interlocutores. Nunca deve fazê-lo de forma aberta. Deve ainda, respeitar os símbolos sagrados de cada um dos lados, não ignorá-los. Claro que o chanceler de Israel se sentiu ofendido, e por conta disto, se negou em, comparecer a sessão legislativa em que Lula discursou. Porém, sua atitude foi apenas conseqüência da recusa de Lula em ignorar a existência de um dos fundadores da pátria judaica.
Mais tarde, Lula ainda viria condenar a existência do muro que separa judeus e palestinos, muro este que reduziu drasticamente as ações terroristas na região.
Bastou, porém, mudar para o lado de cá, já se dispôs a inclusive promover a criação de um fundo de arrecadação de recursos em favor dos palestinos. Claro, nenhuma crítica a estes. Ora, tal comportamento insinua o quê? Que Lula é o menos capaz de intermediar o que quer seja, pela simples razão de já ter tomado partido de um dos lados envolvidos no conflito.
Portanto, esta ação esdrúxula, megalômana e ridícula de se apresentar como interlocutor, sem ter competência, moral e conhecimento histórico para tanto, só servirá para diminuir o respeito da comunidade internacional em relação ao Brasil, respeito que, diga-se, foi tão duramente conquistado justamente pelo comportamento de seriedade que mantivemos nos últimos 15 anos. Não devemos confundir boas intenções com capacitação. Não podemos querer intermediar coisa alguma, já inclinados em favor de um dos lados envolvidos no conflito.
Se de um lado, a ridicularia desserve em favor do Brasil, de outro, pelo menos exibe ao mundo, uma vez mais (como se não houvesse tantas evidências) o quanto o senhor Lula não passa de aventureiro e mistificador, sempre propenso a propor alianças com a escória política mundial. Como já afirmei outras vezes, espero que a comunidade internacional saiba separar Lula e seus bandoleiros do verdadeiro Brasil. Não podemos ser confundidos com a visão estúpida de um governante destrambelhado que não aprendeu que a riqueza de um país se dá também no campo dos valores e da honra. Assim, nosso “profetinha” do diálogo deve ser encarado mais como uma figura exótica e incomum, do que como a caracterização generalizada do que pensa e sente o povo brasileiro.
Afinal, cretinos existem em todos os lugares. Mas eles são apenas exceções, e não a regra geral.