quinta-feira, setembro 30, 2010

Abuso do poder político: é hora do TSE agir, mas sem "tempero"!

Comentando a Notícia

Um artigo intitulado O TOM DO RECADO, da jornalista Miriam Leitão, para o Globo, é um relato não de um acontecimento que tem se repetido nesta campanha, e que começou com o envio de e-mail para alguns empresários e sobre o qual já comentamos.

O recado é bem claro: trata-se de uma extorsão visível contra os empresários ou que não fizeram ou que tenham se negado em fazer doações financeiras para a campanha de Dilma Rousseff.

Este é um assunto sobre o qual tem se falado e comentando muito e que deveria ou mereceria que a Polícia Federal já estivesse investigando, não aquelas investigações fajutas, feitas para não se chegar a nada. Mas daquelas sérias, capazes de, se constatado o crime e culpados, levar esta gente prá cadeia.

É inadmissível que se utilize esta forma de coação para arrecadação de doações para campanhas políticas  que, por definição, deve ser livre, feitas de espontânea vontade.

O que estamos presenciando é definitivamente uma coação. Tal procedimento se caracteriza em crime, deve ser investigado com extremo rigor por Polícia Federal, Ministério Público e Justiça Eleitoral. Fica a vista de todos o abuso do poder político em nome de uma candidatura, utilizando-se recursos e instituições do Estado em ações partidárias, que além de imoral, é pratica criminosa a ser exterminada de qualquer jeito.

Antes da leitura do artigo da Miriam, que considero uma denúncia bastante grave a merecer apuração imediata – E SÉRIA – reproduzo a seguir texto publicado pelo jornalista gaúcho Políbio Braga em seu blog. Preste atenção aos detalhes e às confirmações quanto aos e-mails, cartas, telefonemas, a caracterizar verdadeira extorsão em favor da campanha de Dona Dilma.

Dinheiro para a campanha: conheça a pressão petista sobre as empresas gaúchas.

Somente nesta quinta-feira, no jornal O Sul, a jornalista Miriam Leitão deu de mão na carta que o PT está entregando para empresários, “pedindo” dinheiro para a campanha de Dilma. O editor foi o primeiro a revelar o inteiro teor da carta e teve a mesma percepção de Miriam Leitão:

- O teor da carta mais parece um aviso do tipo “estamos de olho em você".

. Como se sabe, os empresários dependem diretamente dos financiamentos do BNDES, do Banco do Brasil e da Caixa Federal para quase tudo.

. Um industrial que não quis se identificar para o editor, entregou cópia da carta.

. A carta é assinada pelo ex-prefeito de Diadema, José de Fillipi Júnior.

. Não se trata de uma carta-circular, porque o ex-prefeito de Diadema usa um tom bem customizado, já que se refere a investidas anteriores que fez aos mesmos empresários para os quais dirigiu o novo pedido de dinheiro. Em alguns casos, ele cobra ajuda de maneira bastante brusca, dando a entender que possui um bom cadastro da empresa:

- Naquele momento (em 2006), sua empresa não aceitou o convite para contribuir com nossa campanha... contribuir ... é uma ação de cidadania corporativa.

OPINIÃO DO LEITOR:

Nós aqui, já recebemos uns 06 e-mails com a tal carta, seguido de telefonemas, insistentes E INCONVENIENTES. Como já diria o "Profeta": NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESTE PAIS..........Este tipo de pressão ocorreu. Nenhum outro candidato fez qualquer pressão, enviou carta,e-mail ou telefonou.

Cassiano Lima Fisher, Novo Hamburgo, RS.

Agora, se o, leitor tiver um tempinho livre, releia as matérias da Revista Veja quando o semanário publicou as denúncias sobre as lambanças na Casa Civil. Reparem no depoimento dos empresários que foram alvo da extorsão praticada pelos grupos de lobistas e vejam para o que se destinava o dinheiro que estava sendo cobrado. Pura coincidência? E, senhores, isto é o que se pode saber diante da coragem de alguns que se aventuraram a confessar ao país a extorsão contra eles praticadas. Quantos mais existirão Brasil afora, que não tiveram a mesma coragem de confessar, mas que sofreram a mesma pressão?

Segue agora o artigo da Miriam Leitão e vejam a que ponto a indecência e imoralidade políticas estão conduzindo o país.

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O tom do recado

A pergunta feita a um empresário, numa conversa com várias pessoas, foi: "É verdade que emissários do PT telefonam para empresas avisando que sabem quem não está fazendo doações para a campanha?"

O empresário respondeu: "Para mim, telefonaram e foram pessoalmente dizer que notaram que eu não tinha feito doação na última eleição nem tinha feito ainda nesta."

Eu ouvi essa conversa estarrecedora. Esse tipo de encaminhamento do pedido de doação, se estiver generalizado, é uma forma de ameaça.

A frase: "Notamos que você não fez doação na última eleição e ainda não fez nesta" pode ser entendida pelo que está embutido: estamos de olho em você.

O Estado, hoje, é quem concede a maioria do crédito; o BNDES aumentou de forma extravagante suas concessões de empréstimo subsidiado e a arbitrariedade de suas escolhas dos "campeões", que o faz negar créditos a alguns e conceder em excesso a outros que, na visão do banco, estão mais aptos a vencer a competição global.

A mistura é explosiva: de um lado, um Estado com poder de vida e morte sobre as empresas; de outro, emissários do partido do governo com uma ameaça embutida na formulação do pedido.

Hoje, um dos grandes riscos que a sociedade brasileira corre é exatamente esse poder excessivo do Estado, controlado como donataria pelo partido do governo. O Estado é o grande comprador, o grande financiador, o grande sócio em qualquer empreendimento. Como ficar contra ele?

Por outro lado: ficando a favor dele, que grandes vantagens se pode ter! Os empresários só falam mal do governo se seus nomes não aparecerem; todos eles estão sendo beneficiados por alguma grande obra, algum grande contrato, alguma licença; ou sonham ser beneficiados no futuro.

Um dos maiores empresários do país foi chamado para uma conversa cheia de ameaças indiretas por ele ter feito declarações contra uma das polêmicas obras que promete ser sorvedouro de dinheiro público.

O governo cooptou movimentos sociais, sindicalistas, parte do movimento cultural, através da distribuição de benesses, patrocínios, contratos e financiamentos. Mas a cooptação dos empresários é mais direta.

Algumas empresas não têm capacidade alguma de bancar os empréstimos que recebem, ou outras são viabilizadas por aderirem aos grandes projetos em que todo o risco é público.

Nas sombras de um Estado gigante, tudo viceja, como os intermediários de negócios, mesmo que eles não tenham delegação para entregar o que prometem. Com um Estado todo poderoso, qualquer espertalhão pode dizer que é a ligação direta com quem decide e pedir uma comissão para isso.

Mesmo que não houvesse casos de corrupção, comprovadamente ligados ao governo, ainda assim, seria o ambiente certo para a propagação dos casos nebulosos de pedidos de propina.