A notícia que segue abaixo, vem de encontro a tudo o que tenho dito sobre o governo Lula: quando o escândalo de corrupção ou de qualquer outra malvadeza bate às portas do gabinete presidencial, sempre se usará a máquina pública para acobertar o mal feito e manter os culpados impunes.
O caso Erenice Guerra não seria diferente. O caso da violação dos sigilos já denotava o modo delinquente de se conduzir as investigações ao ponto extremo de não se concluir coisa alguma.
A forma como o governo conduziu o caso Erenice é vergonhoso sob qualquer ângulo que se queira analisar com seriedade. Enquanto a Polícia Federal protelou, empurrou com a barriga, e praticou seu jogo de cena habitual, a exemplo dos casos de dossiês, em 2006 contra Serra e mais adiante contra FHC, as investigações sempre deixaram para depois, quando o caso já tivesse saído do foco do noticiário, os testemunhos mais importantes. E a CGU, sempre pronta a atender os baixos interesses do Planalto, tratou os casos com tanta velocidade que, antes mesmo da Polícia Federal dizer um “a”, ela se encarregava de emitir parecer em favor dos delinquentes.
Ou seja, uma vez mais, o governo Lula, se utilizando de forma criminosa dos aparelhos de Estado, incorporou o roteiro de jogar prá baixo do tapete sua própria sujeira.
E que tal se o governo enviasse os tais contratos para serem auditados pelo TCU? Talvez não houvesse interesse, já que o TCU não é da “turma” do Planalato!!!
E não se espere da Polícia Federal coisa muito diferente. O desespero desta gente sempre foi ser confrontada com a verdade sobre si mesma, razão pela qual além da pretensão de amordaçarem a imprensa, para impedirem que ela noticie a pilantragem cometida no centro do poder, se valem do instrumentos de Estado para acobertarem seus crimes. Lamentavelmente, e mais uma vez, o crime organizado no poder venceu mais uma batalha da sua imensa coletânea de crimes praticados contra o Estado e contra a sociedade. Eles continuarão metendo a mão de forma livre, leve, solta e totalmente impune. Não me peçam para acreditar que este país não caminhe rapidamente para sua total degradação político-institucional. Os fatos estão todos aí para quem quiser enxergar. Tiririca é país onde vivemos, onde os palhaços somos todos nós.
O texto é de Leandro Colon, para O Estado de S.Paulo.
CGU blinda Erenice Guerra às vésperas da eleição
Órgão anunciou fim de auditorias em contratos citados em escândalo que derrubou ex-ministra
BRASÍLIA - A três dias das eleições, a Controladoria-Geral da União (CGU) anunciou a conclusão de auditorias em contratos mencionados no escândalo que derrubou Erenice Guerra da chefia da Casa Civil. O resultado da CGU blinda Erenice, não aprofunda o tráfico de influência de seus parentes, e não aponta qualquer indício de ligação dela com os episódios investigados. No máximo, admite que ela já foi sócia de um escritório contratado pelo governo.
As auditorias da CGU começaram no dia 14 de setembro a pedido do presidente Lula em meio ao movimento para dar respostas políticas durante o escândalo que levou à queda do braço-direito da ex-ministra e presidenciável Dilma Rousseff (PT). Em apenas duas semanas e às vésperas da eleição, o órgão do governo apresentou seus principais resultados, favoráveis para Erenice.
Para a CGU, o episódio que culminou com a queda da ex-ministra não teve qualquer irregularidade contratual. O empresário Rubnei Quicoli acusa integrantes da Casa Civil de tentarem intermediar o pedido de financiamento - para um projeto de usina solar - feito pela empresa ERDB ao BNDES. A CGU não aborda isso e explica: "A CGU concluiu que o pleito de financiamento teve o tratamento técnico previsto nas normas internas do BNDES e que o mesmo não foi aprovado por não atender aos requisitos exigidos pelos normativos internos daquela instituição financeira".
Segundo a controladoria, não houve também qualquer irregularidade na compra do remédio Tamiflu, no ano passado. De acordo com a revista Veja, Vinicius Castro, ex-assessor da Casa Civil, recebeu R$ 200 mil de propina pela compra do medicamento. A CGU também afirma que não houve falhas nas multas aplicadas à Matra Mineração, empresa ligada ao marido de Erenice.
A CGU investigou ainda a contratação - revelada pelo Estado - do escritório Trajano e Silva Associados pela Empresa de Pesquisa Energética, vinculada ao Ministério de Minas e Energia. Uma irmã de Erenice, Maria Euriza, era funcionária do órgão e autorizou, em agosto de 2009, a contratação, sem licitação, do escritório, cujo um dos sócios era um irmão delas, Antônio Alves Carvalho. A CGU afirma que ele entrou oficialmente na sociedade só em novembro. Só que o advogado Márcio Silva, um dos sócios do escritório, informara por escrito ao Estado que o irmão de Erenice era sócio desde fevereiro do ano passado. Márcio Silva, aliás, é o advogado de campanha de Dilma.
A CGU revela que a própria Erenice já foi do quadro societário dessa banca. a auditoria admite falhas no processo de contratação sem licitação, mas minimiza o episódio, fazendo apenas recomendações. "A CGU está recomendando à EPE maior cuidado e precisão no enquadramento das hipóteses de inexigibilidade de licitações e recomendando que a empresa fundamente suas futuras contratações com base em amplas pesquisas de preço". Segundo a CGU, todos os relatórios serão enviados à Polícia Federal.
A auditoria da CGU aponta problemas num contrato entre o Ministério das Cidades e a Fundação da Universidade de Brasília (FUB), que teria o envolvimento de José Euricélio Alves de Carvalho, irmão de Erenice. Diz que há irregularidades de R$ 2,1 milhões pelo pagamento de um produto que não atendeu à demanda do ministério. A CGU, porém, não diz que o irmão de Erenice seria o culpado direto por isso. Faz somente uma ressalva: "O que se tem até o momento é constatação de que ele foi assessor na Secretaria Nacional de Transportes e Mobilidade Urbana (Semob) do Ministério das Cidades, e contratado pela Editora UnB, em períodos próximos e seguidos, na época dos fatos", diz.
