sexta-feira, setembro 17, 2010

Aviso ao PMDB: com PT não existe divisão e, sim, submissão.

Comentando a Notícia

Sob o título “PMDB reage ao ex-ministro e fala em divisão de poder”, com textos de Eugênia Lopes , João Domingos, no O Estado de São Paulo, lemos a reação do PMDB quanto ao discurso de José Dirceu.

Bem, não sei qual será a atitude do PMDB caso se consuma a vitória de Dilma, como sucessora de Lula. Mas de uma coisa podemos ficar seguros: as emoções fortes começarão já no dia seguinte. O fisiologismo do PMDB é algo que, se de um lado, tem beneficiado a sigla, para se manter no poder como aliado, independente de partido ou ideologia, de outro, pode se transformar numa armadilha para si mesmo. Claro que o grupo dirigente do partido, não liga para escrúpulos. Eles ocupam espaço, roubam e desviam milhões sem ligar para ética ou moralidade, e seguem em frente. Para o PMDB não tem essa de governar para o Brasil. O conceito máximo que abraçam segue em direção oposta: é governar o Brasil para eles, e só.

Tudo bem que o presidente não seja do partido, mas nacos do governo, há muito, passaram a ser suas capitanias hereditárias. Contudo, a ideia central de comando, estando o PT no poder, e fortalecido por uma eleição que se desenha como extraordinária, além do crescimento da representatividade do partido nos estados e Congresso Nacional, só serve para alimentar e fortalecer seu projeto totalitário. Jamais o PT aceitará dividir o “poder”. Neste sentido, seus dirigentes só aceitam a submissão, sem concessões de espécie alguma. O que eles podem conceder ao PMDB, como disse, são nacos do Estado para o PMDB administrar e se deliciar. Nada além disso.

Segue o texto do Estadão.

'Dilma, se eleita, exercerá certamente uma relação mais próxima não só com o PT, mas também com o PMDB e os aliados', diz Alves

Numa reação imediata à pregação de José Dirceu de que, se eleita, Dilma Rousseff dará ao PT mais poder do que o partido tem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), lembrou ao deputado cassado pelo escândalo do mensalão que o eventual governo da ex-ministra não terá a exclusividade dos petistas. Será dividido com o PMDB e com todos os partidos da aliança de Dilma.

"Dilma, se eleita, exercerá certamente uma relação mais próxima não só com o PT, mas também com o PMDB e todos partidos aliados que a ajudaram a se eleger", contra-atacou Alves. Por força dos acertos com as legendas coligadas, Dilma será obrigada a ter uma convivência mais estreita com os partidos aliados, lembrou o deputado.

A cobrança do líder do PMDB, figura fundamental na costura da aliança com Dilma, ocorreu porque, na segunda-feira, Dirceu disse, num encontro com petroleiros petistas em Salvador, que a eleição de Dilma é mais importante para o projeto político do PT porque ela representa o partido. Lula, na opinião, é duas vezes maior do que o próprio PT.

Assim, ofuscaria o partido, coisa que Dilma não fará, porque, segundo ele, "não era uma liderança de grande expressão".

As declarações de Dirceu pegaram de surpresa também os petistas. O secretário de Comunicação do PT, deputado André Vargas (PR), cobrou silêncio de Dirceu. "O aconselhável é que todos nós, eu, qualquer dirigente do PT, o José Dirceu, falemos pouco, falemos menos ou não falemos de jeito nenhum. Se queremos ajudar a campanha, todos nós temos de falar o mínimo possível", disse Vargas. Quem fala pela campanha nacional é o presidente do partido, José Eduardo Dutra, reafirmou Vargas. "Nosso porta-voz é o Dutra. Não é o José Dirceu."

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), atribuiu as declarações do ex-ministro a um "arroubo de linguagem". "Isso deve ter sido uma figura de linguagem. Para querer estimular a militância, ele usou um pleonasmo (repetição de um mesmo termo) para criar uma situação. Acho que nem ele (Dirceu) concorda com ele", afirmou Vaccarezza. Para o líder, o PT já desfruta de "muito poder" com Lula na Presidência. "O Lula é o PT", disse.

Na avaliação de lideranças de oposição, as declarações de José Dirceu refletem a verdade política do momento. "O PT está esperando ter um controle maior do Estado, caso Dilma seja eleita. O Lula tem uma autonomia maior porque ele é maior que o PT", argumentou o deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP).

O deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA) é outro que concorda com as declarações de Dirceu. "O Lula é mesmo maior que o PT. Ele não se vê obrigado a ceder às pressões do PT, principalmente da ala radical e dos mensaleiros."

"Vale-tudo".
Sob críticas, o ex-ministro procurou justificar os argumentos usados na reunião com os petroleiros no blog que tem na internet. Com o título "O vale tudo", Dirceu afirmou que suas declarações foram "completamente deturpadas e tiradas de contexto". "Eu disse que a eleição de Dilma representa um esforço coletivo ainda maior do que a do presidente Lula."