sexta-feira, setembro 17, 2010

Entidades condenam ataque à imprensa. Mas só isso é muito pouco. É preciso agir!!!

Comentando a Notícia

Com texto de Patrícia Campos Mello, para o jornal O Estado de São Paulo, vem a informação da reação de indignação de algumas entidades sobre o discurso de José Dirceu, na Bahia, sobre seu ataque à imprensa.

É impressionante como esta gente ainda consegue estranhar ou se dizer surpresa pelo que diz o chefe da quadrilha do mensalão, na opinião do Procurador da República, muito embora sempre defendi que o chefe fosse outro, quando jamais Dirceu fez segredo prá ninguém sobre o que ele entende sobre liberdade de imprensa. Aliás, nem ele muito menos ninguém do PT.

Nesta semana, acredito ter lido na Folha de São Paulo, o próprio comitê de campanha de Dilma Roussef afirmou que não deverão divulgar o texto de seu programa que, como é sabido, se for o verdadeiro, aquele que a candidata seguirá a risca se eleita, inclui propostas e projetos de cerceamento à liberdade de imprensa, além de se tentar enfraquecer os grandes veículos de comunicação que eles, de forma estúpida, entendem existir monopólios. O que será que passa na cabeça dos petistas, a exemplo de Dirceu, para se difundir a ideia vigarista de monopólios dos meios de comunicação? Provem onde se localiza tal monopólio, identifique para que o país conheça uma realidade sobre si mesmo que apenas os petistas veem. Isto é só pano de fundo para justificarem o ataque que estão urdindo já há bastante tempo não para acabar com o “monopólio” mas para acabarem com a liberdade de imprensa e sua independência de informar, principalmente, as pat6ifariasa nos antros do poder, seja ele de qualquer partido, direita ou esquerda.

Portanto, o que tais entidades deveriam fazer além de denunciar e de mostrar indignação, é evitar que haja espaço para manobras deste tipo, é informarem a população brasileira do golpe urdido nos planos do PT, é não se curvarem diante das ameaças, chantagens, cooptação e extorsão, a exemplo do que já denunciei aqui, em relação às doações para campanha política.

Mostrem com clareza ao povo brasileiro, e numa linguagem acessível ao seu entendimento, prejudicado pela falta de escolaridade da maioria da população, porque não interessa à classe política dar instrução principalmente para os que votam, que o perigo quanto ao cerceamento ao direito da livre manifestação, é uma ameaça que atingirá a todos. Mostrem o prejuízos que podem causar a falta de informação, ou a informação deturpada e manipulada pelos tiranos. Façam esta mensagem chegar a todos os cantos do país. Aí sim, criarão um cenário de dificuldades para que tais golpes à democracias possam ser desferidos. Se impedi-los de alcançarem seus propósitos autoritários for impossível, que pelo menos lhe ofereçamos resistência honrada. Perder a guerra é até possível, perder a dignidade é que é vergonhoso. Assim, não podemos consentir com nenhuma facilidade para os inimigos da democracia.

Segue o texto do Estadão.

Entidades ligadas à defesa da liberdade de expressão condenaram as declarações do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Em uma palestra na Bahia, na segunda-feira, Dirceu criticou o que chamou de "excesso de liberdade" da imprensa. "O problema do Brasil é o monopólio das grandes mídias, o excesso de liberdade e do direito de expressão e da imprensa", afirmou o ex-ministro.

"É lamentável, não se imagina que um homem público possa fazer uma manifestação tão absurda", disse Ricardo Pedreira, diretor executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ). Segundo Pedreira, não há concentração no setor, porque há mais de 3 mil jornais no País, dos quais 500 diários.

"Dirceu parece desconhecer que a liberdade de imprensa beneficia os cidadãos, não os donos dos veículos. Espero que esse pensamento não prospere no Brasil, pois se trata de uma negação da democracia."

Já o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Schröder, concorda que existe concentração na mídia, por causa da ausência de regulação adequada. "A mídia se comporta como um partido político no Brasil, trata-se de uma opção equivocada da mídia brasileira de atuar de forma partidária", afirma.

Segundo ele, no entanto, não se pode falar em "excesso" de liberdade de imprensa, como fez Dirceu. "Liberdade de imprensa não é uma invenção dos donos dos veículos de comunicação, é a base da democracia."