sexta-feira, setembro 17, 2010

O discurso do Zé

Comentando a Notícia

José Dirceu, ex- da Casa Civil, o laranja do chefão, e o espelho retrovisor da Dilma, resolveu que era hora de acabar com o cinismo. Enquanto assessores de Dilma tentavam esconder do público o seu verdadeiro programa de governo, aquele que vão lhe obrigar a cumprir, e que até deve estar rubricado, porque o “oficial” , o do TSE, é jogo de cena, o Zé, com toda a “honestidade” de quinta, resolveu acabar com o mistério. Deitou falação para sindicalistas, na Bahia, para mostrar que o programa não nada tem de misterioso. Depois de consultar as pesquisas e certificar-se de que a eleição tá no papo, e em seguida conferir nos búzios que o PT continuará no poder, pegou o microfone e divulgou com todas as tintas, o verdadeiro programa da Dilma. Segue o discurso. Retornaremos depois para comentar o pensamento deste “democrata” forjado nas escolas de Fidel Castro, o cubano das liberdades. Segundo o Beabá comandante, em Cuba, a sua democracia só impõem um dever, e concede um direito ao cidade: o dever de concordar sempre com Fidel, e o direito a não ter direito.

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"A eleição da Dilma é mais importante do que a eleição do Lula, porque é a eleição do projeto político. Ela nos representa. A Dilma não era uma liderança que tinha grande expressão popular, eleitoral, uma raiz histórica no país, como o Lula foi criando, como outros tiveram, como o Brizola, o Arraes e tantos outros. A direita teve aqui mesmo uma liderança que foi o ACM, independente do fisiologismo, do abuso de poder, contudo era uma liderança popular, tanto é que era popular na Bahia. Então, ela é a expressão do projeto político, da liderança do Lula e do nosso acúmulo desses 30 anos, porque nós demos continuidade ao movimento social. Se nós queremos aprofundar as mudanças, temos que cuidar do partido, dos movimentos sociais, da organização popular. Temos que nos transformar em maioria. Não somos maioria no país, nós temos uma maioria para eleger o presidente até porque fazemos uma aliança ampla."

"Nós somos um partido e uma candidatura que coloca em risco o que eles tão batendo, todos articulistas da Globo escrevem e falam na TV, todos os analistas deles: a noção das garantias individuais e da Constituição, que nós queremos censurar a imprensa, que o problema no Brasil é a liberdade de imprensa? Gente do céu. Como alguém pode afirmar do Brasil é(...). Não existe excesso de liberdade. Pra quem já viveu em ditadura(...) Dizem que nós queremos censurar a imprensa. Diz que o problema é a liberdade de imprensa. O problema do Brasil é excesso, bom, é que não existe excesso de liberdade, mas o abuso do poder de informar, o monopólio e a negação do direito de resposta e do direito da imagem. A Constituição não colocou o direito de resposta e de imagem, a honra, abaixo ou acima da proibição da censura e da censura prévia, corretamente, ou do direito de informação e da liberdade de imprensa, de expressão. São todas cláusulas pétreas."

"A mídia agora já começa a discutir a nossa política, se vai fazer ajuste, se não vai; se vai estatizar ou não vai; se vai fazer concessão ou não vai.

E começa a discutir se o PT está sendo desprestigiado ou não. Aquilo que nós temos de maior qualidade, que é o Lula, eles querem apresentar como negativo, porque o Lula é maior que o PT. Eles é que não têm ninguém maior que o partido deles. Ainda bem que nós temos o Lula, que é duas vezes maior que o PT.

O PT teve 17% de voto em 2002/2006 para a Câmara, que calcula a força de um partido no mundo todo. Não é o voto majoritário. Vai ter agora 21%, 23%, eu espero, tudo indica. Tem que ter 33% em 2014.

É lógico que o PT é um grande partido, tem força político-eleitoral, social. Nós já temos um acúmulo de políticas públicas, de experiência. Então, nós temos que consolidar as nossas organizações populares."

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Esta mania de desmentirem o que de fato eles disseram... Este, senhores, é um método. Na verdade, pelo menos é assim que se conta, Dirceu desconhecia da presença de jornalistas na tal palestra. E fiz questão de destacar e grifar a primeira frase que ele proferiu, não para desmentir o seu posterior desmentido. Não. Aquele frase representa exatamente o seu sentido mais amplo que, não apenas representa qual a direção que será tomada pelo governo Dilma, se eleita. O PT nunca teve um projeto de país, um projeto de governo, um projeto, em suma, para o Brasil e seu desenvolvimento. O que ele sempre teve, e aqui sempre afirmamos e insistimos nesta tecla, é um projeto de poder, centrado no assalto à instituições de Estado para servirem ao partido.

As propostas sempre serão direcionados para tal propósito, mesmo que se afastem do interesse maior do país. Eles jamais renunciarão suas teses, Jamais abrirão mão de seus interesses autoritários em favor de um projeto de fortalecimento das instituições, de solidificação do regime democrático, do estado de direito, de liberdades e garantias individuais. Para os petistas, é preciso acabar com a oposição, e com a liberdade de indivíduos e grupos de defenderem ideias contrárias ao pensamento totalitário que defendem. É o regime comunista em estado puro, porém, modelado pelo receituário ditado por Gramsci. O assalto ao poder moderno, dispensa o suo de armas. Será feito por dentro, sem resistências.

Por que, então, TODOS os programas e projetos advindos de sua banca trazem esta marca demoníaca de cerceamento à liberdade de expressão? Por que este ranço, às vezes disfarçado, estilizado, mas ainda ranço autoritário de atacar os veículos de comunicação, não com o fim de “democratizá-los” constante do discurso hipócrita e vigarista, mas de3 se atacar e acabar com sua liberdade e independência.

Não foi por outra razão que o governo Lula, ainda no primeiro mandato tentou criar mecanismos para impor este cerceamento. No segundo mandato, mudando sua tática de guerra, tentou de forma canalha, impor sob o pomposo título de Plano Nacional de Direitos Humanos, o mesmo receituário autoritário. Precisou recuar em razão da forte reação advinda de alguns grupos não cativos do PT ainda existentes na sociedade. Mas o alerta ficou: para o petistas valerá sempre a máxima de que recuar, sim, mas desistir jamais.

E porque Dirceu se refere a Dilma como sendo uma eleição mais importante do que a de Lula? Justamente, porque Lula sendo maior do que o partido, eles conseguiu frear os instintos e projetos mais autoritários de seu partido com a força que Dilma não tem e não terá junto aos militantes petistas. Mas Lula resistiu não porque não seja autoritário a exemplo de seus companheiros. Resistiu justamente porque, tendo melhor percepção político do que os companheiros, ele mediu a temperatura da sociedade para avaliar qual o momento certo de aplicar o golpe. E não se dispôs a pagar o preço político alto, movido apenas pelo instinto animal de seus partidários. Ele soube ler que o momento não era adequado. Era preciso avançar um pouco mais sobre o Estado e suas instituições, e ainda implementar políticas públicas capazes de impor seu receituário ideológico. Como resultado, ele soube avaliar que um pouco mais de espera com ações que corroessem por dentro nossas instituições mais representativas, seria bem menos arriscado de encontrar resistências. Por isso Lula é maior que o PT, e só por isso o projeto político de poder tão sonhado caminha para dar certo.

E que se registre: o discurso de Dirceu é um sinal claro do que se tentará impor ao país sob a batuta de Dilma. Nada ali está sonegado, escondido, oculto, ou disfarçado. Ele é e será o fio condutor de como o PT se guiará doravante para atingir seu ideal totalitário. Se alguém via nas advertências algo ilusório, algo pode abrir os olhos e ver comm nítida clareza que a ameaça à democracia brasileira é real.

Há tempo para se evitar a ruptura institucional do país? Muito embora eu acredite que ela já tenha começado a romper alguns laços , como a fragilização das instituições do Estado pelo aparelhamento partidário que nele se instalou, talvez ainda se consiga evitar a ruptura total. Contudo, e mesmo não acreditando que, dado o cenário atual, haja resistência suficientemente forte capaz de impedir a consecução dos ideais petistas, precisaríamos saber quem é suficiente audaz para comandar o movimento para obstar, com eficiência, a ruptura total.