Ricardo Noblat
Se a Receita Federal soube em 20 de agosto que o sigilo fiscal da filha de José Serra javia sido violado, conforme reportagem publicada, hoje, pelo jornal O Estado de S. Paulo, teve tempo suficiente para investigar o caso e sair na frente tomando as providências cabíveis. Não o fez.
Poderia, por exemplo, ter procurado o cartório que reconhecera a assinatura de Verônica Serra na procuração que permitu ao contador Antônio Carlos Atella Ferreira acessar as declarações de imposto de renda dela no período 2007/2009.
Então ficaria sabendo que Verônica jamais teve firma no cartório e que, portanto, a procuração não passava de uma fraude grosseira. O passo seguinte seria buscar informações sobre o contador Antonio Carlos. Moleza.
Uma consulta aos arquivos informatizados da Receita mostraria que Antonio Carlos chegara a ter ao mesmo tempo cinco CPFs - três em São Paulo, um no Paraná e outra em Rondônia. Cada pessoa, um CPF. Por que alguém se valera simultâneamente de cinco? Que sujeito era esse?
A folha corrida de processos respondidos por Antônio Carlos pode ser montada pesquisando-se os sites de tribunais país a fora. Nada que exigisse de um funcionário aplicado não mais do que meio expediente.
A Receita apostou que o Caso Verônica permaneceria encoberto - quando nada até depois da eleição de três de outubro. A aposta não foi somente dela.
É impossível que o ministro da Fazenda não tenha sido posto ao par do assunto. E também o seu superior, o presidente da República. Não se tratava de um caso qualquer.
Por omissão, o governo tornou-se cúmplice do contador Antonio Carlos.
Rolará alguma cabeça para que amanhã não se diga que o governo tentou ignorar um crime. Mas foi o que ele fez.