Petista defende que Receita apure fatos antes da eleição
O Estado de S.Paulo
Dilma Rousseff defendeu que a violação de sigilos na Receita seja apurada "de forma drástica e antes da eleição". "Para mim importa ser antes da eleição, porque estou sendo acusada de forma sistemática", afirmou em entrevista ontem ao SBT Brasil. Demonstrando desconforto, a petista disse entender a indignação de Serra com as violações dos sigilos da filha e de outras pessoas filiadas ou ligadas ao PSDB.
"Agora, a partir daí chegar à conclusão que a responsabilidade é da minha campanha ou da minha pessoa é outro problema. Ele tem de provar", desafiou.
A candidata acusou tucanos de, no passado, terem sido responsáveis por vazamento de informações sigilosas, como o "vazamento de dívidas de deputados junto ao Banco do Brasil no momento em que se estava votando a emenda de reeleição de Fernando Henrique Cardoso" e de "dados absolutamente sigilosos sobre a direção da Petrobras" na época da CPI da estatal.
ENQUANTO ISSO...
Investigação pelo caminho mais longo
O Globo
Receita envia pedido de apuração ao MPF em Brasília, em vez de SP, após confirmar que procuração é falsa
Ao anunciar ontem o pedido de investigação ao Ministério Público, a Receita escolheu o caminho mais longo. Em vez de enviar o caso para apuração em São Paulo, onde os fatos aconteceram, remeteu o original da procuração falsificada em nome de Verônica Serra para o Ministério Público Federal de Brasília, que acompanha as investigações da PF.
Na representação, também há citação aos quatro CPFs de Atella Ferreira cancelados por multiplicidade.Os documentos do contador foram retirados em São Sebastião (SP), Ribeirão Pires (SP), Santo André (SP), Porto Velho (RO) e Bandeirantes (PR).
O anúncio foi feito pelo secretário da Receita, Otacílio Cartaxo, que fez um pronunciamento, lendo, sem responder a perguntas. Ele falou depois de o cartório e Verônica terem declarado que o papel aceito pela Receita era falsificado.
Para a oposição, a investigação em Brasília — e não em São Paulo — é uma manobra para atrasar a apuração do caso.
Um ministro que acompanha os desdobramentos das investigações disse ao GLOBO que não existe possibilidade de que o caso seja encerrado antes do primeiro turno das eleições.
Um dos tucanos que tiveram o sigilo quebrado ilegalmente, o vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, afirmou que a Corregedoria está sonegando informações no processo administrativo:
— Para mim estão sonegando documentos porque entre outras coisas não existia informação no processo de esquema de compra e venda de dados, nem referência a dona Lúcia (servidora de Santo André) e também não havia registro sobre Verônica Serra.
A Advocacia Geral da União recorreu à Justiça Federal para impedir que o vice-presidente tucano tenha acesso aos informações do processo administrativo da Corregedoria da Receita. De acordo com o advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, Eduardo Jorge busca tumultuar o processo:
— Temos que garantir a investigação. Ele apresenta uma série de pedidos que atrapalham os trabalhos. Queremos que se chegue ao fim com a responsabilização dos culpados.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Eis aí o caso típico de que o discurso oficial não corresponde aos fatos reais. Ora, se tem realmente interesse de apuração rápida para o caso, por que se escolhe justamente o caminho mais longo para o esclarecimento? Claro que Dilma, de forma cínica, faz afirmações para fugir do assunto, uma tentativa maquiavélica de não se ver envolvida e comprometida. Porém, como sabemos que, por detrás desta roseira há muito chumbo grosso sendo escondido, quanto mais cedo chegarmos a verdade, mais característico ficará o crime feito com motivações eleitorais. Então, tenta-se barrar qualquer ação que possa elucidar e esclarecer o mais novo escândalo do governo Lula, dentre centenas de outros, de forma rápida e eficiente.
A esta altura, sabemos que o governo tentou vender uma versão como oficial como cortina de fumaça, e que nada tinha a ver com o que de fato aconteceu, que, aliás, era do conhecimento do Planalato. Também se conhece a tentativa da Receita – comandada pelo Planalto – de preservar os funcionários envolvidos. E, ainda, ficou flagrante a tentativa do governo Lula de blindar a sua candidata, afastando o caso para longe de seu comitê de campanha, ora tentando, a exemplo de Lula, classificar tudo como "falsidade ideológica", ora, a exemplo de Dilma, classificando o crime grave contra a Constituição, como “mal-feito”.
Não me iludo com a tentativa do governo Lula e dos petista em parecerem “honestos” e "limpos" numa lama sórdida em que suas digitais são visíveis, aplicando métodos criminosos de praticarem política para fraudarem eleições em seu favor. Quem se ilude são alguns “juízes” que fingem julgar causas em desfavor do governo com certa seriedade mas que, no fundo, acabam engavetando tudo que se refira a crimes do Executivo. São capazes de ver uma causa que não existe, para porem de lado o foco principal das ações que lhes cabem julgar, a exemplo do que fez o ministro Adilson Passarinho da Corregedoria do TSE. A ação era uma, ele julgou outra, misturou tudo num mesmo balaio e engavetou o assunto. Aliás, espero que o PSDB recorra da decisão e force para que o assunto seja julgado por outros “juízes”, já que estamos diante de um crime que não pode simplesmente permanecer impune.
E estejam certos: tudo o que o PT, o governo e a candidata não querem é que o caso seja investigado e julgado às pressas. E, se possível, que não se chegue a resultado algum. Porque se houver alguma seriedade na investigação, estes três, governo, PT e Dilma terão muito o que explicar à sociedade brasileira. É sempre oportuno lembrar que estamos lidando com criminosos contumazes e profissionais. Sendo assim, não podemos conceder a eles a consideração que eles não nos dariam fossem os papéis invertidos.
Mas convém que os tucanos fiquem em estado de alerta: em 2002, conforme reportagem publicada pela Revista Veja, edição 2178 de 18 de agosto, há uma longa e esclarecedora entrevista com Wagner Cinchetto, em que ele faz uma revelação que esclarece bem como o PT consegue intrigar aliados com ações criminosas suas, tomando sempre o cuidado de não deixar digitais, fazendo parecer que um aliado agiu contra o outro. Um caso exemplar desta “performance” foi o caso Lunus contra Roseana Sarney. Reparem no que disse o Cinchetto, um dos maiores especialistas dentro do PT na montagem de dossiês contra adversários políticos; “(...) Como os documentos que a gente tinha vinham de processos internos do governo, a relação era mais ou menos óbvia. Também se dizia que o Ciro tirava votos do Serra. Portanto, a conclusão era lógica: o material vinha do governo, os tucanos seriam os mais interessados em detonar o Ciro, logo...No caso da Lunus, que fulminou a candidatura da Roseana, aconteceu a mesma coisa. (...)”
(...) Aquela situação da Roseana caiu como uma luva. Ao mesmo tempo que o PT se livrava de uma adversária de peso, agia para rachar a base aliada dos adversários... Até hoje todo mundo acha que os tucanos planejaram tudo. Mas o PT estava nessa.(...)
Portanto, não surpreenderia que as tais “investigações” acabassem culpando alguém da própria oposição. Fiquem espertos, minha gente!!!