Adelson Elias Vasconcellos
Se alguém chegasse hoje ao Brasil sem conhecer do caso, e julgando apenas pelas declarações da gente do governo, do PT e da campanha da Dilma, se perguntaria se houve, de fato algum crime, tamanha a desfaçatez, o cinismo e a pantomima com que todos eles se comportam aos holofotes.
Dilma, Padilha, Lula, Eduardo Cardozo, Eduardo Dutra, todos agora se mostram indignados com o pedido feito ao TSE, em ação movida pela coligação de José Serra, para impugnação da chapa governista. Padilha, o ministro das Relações Quase-Insitucionais, chega ao cúmulo de gritar: ”É golpe”. Dilma, que não era candidata antes, mas nunca deixou de ser, enche-se de brios para proclamar: “Uso eleitoral”
A falta de compostura desta gente chega a doer no fígado de qualquer pessoa com um mínimo de vergonha na cara,.
Vejamos os fatos como eles realmente são, desde o início.
Primeiro, faz dois anos que Lula saiu país afora proclamando em todos os palanques pelos quais desfilou garboso, que Dilma, a mãe do PAC empacado, seria sua sucessora. Isto não é uma opinião, é um fato real. Basta que se revise todos os discursos que fez ao longo deste tempo. Portanto, em setembro de 2009, quando se fez a primeira agressão à Constituição na questão dos sigilos, mesmo que oficialmente não tivesse sido empossada no trono da sucessão, Dilma já era candidata, sim. Ponto.
Naquele mesmo mês, setembro de 2009, as pesquisas a apontavam com menos da metade das preferências do eleitorado quando comparado à José Serra. Sabiam até as moscas do Planalto, que Serra seria o candidato da oposição. Sua vantagem no placar das pesquisas impunham ao governo Lula ações precisas na tentativa de, primeiro, alavancar a candidata governista, e segundo, se todas as ações de governo não se mostrassem suficientes para alavancar sua candidatura perante o eleitorado, o ataque a Serra, para demonizá-lo perante a opinião pública, já deveria estar devidamente pronto. Ou até uma intrigazinha entre Serra e Aécio, valeria a pena dado o custo / benefício da operação.
É neste cenário que renasceu a ideia de dossiê. Nunca uma peça deste tipo é montada de última hora. Não se trata apenas de se reunir informações, mas, substancialmente, de se saber como, quando e onde usá-las importa ainda mais.
Mais adiante, soube-se que um bunker, instalado no comitê de campanha de Dilma, em Brasília, manteve contato com ex-delegado para que investigasse a vida de Serra e outros nomes tucanos que constavam de um livro de um ex-jornalista, Amaury Ribeiro Junior, e que trabalhava para Luiz Lanzetta, componente do comitê de Dilma, Isto está devidamente registrado e documentado em reportagem da Folha de São Paulo.
Todos estes fatos acima, são o que são, isto é, são FATOS. Aconteceram mesmo! Não se trata de papo furado ou futrica. Tudo está ao alcance de todos.
A questão do comércio ilegal de dados fiscais vazados de dentro da Receita Federal, sabe-se bem, eram vendidos à luz do dia, na Santa Efigênia, em São Paulo, há muito tempo. Isto a imprensa vem informando rotineiramente e, até onde se sabe, jamais se viu de parte da Receita Federal, a adoção de medidas, fosse para investigar ou para reprimir a ilegalidade, abrindo processos administrativos ou até solicitando à Policial Federal que tomasse as providências necessárias para se chegar aos criminosos e puni-los.
Somente após a denúncia feita pela própria imprensa quanto ao vazamento de dados de tucanos, dentre eles nada menos do que o vice-presidente do PSDB, é que a Receita entrou em campo.
E de que forma a sua Corregedoria tem atuado ? Impossível negar: tem sido da pior maneira possível. Tem-se a nítida sensação de que está uma operação abafa, com todos os ingredientes indispensáveis para não se chegar a lugar algum.
Dilma acusa a oposição de uso eleitoral sobre o assunto. Porém é de se perguntar a dona Dilma, se houve ou não crime de violação do sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB. Houve? Bem, a própria Receita Federal admite que sim. Depois, é de se perguntar: por que, no lote de sigilos fiscais violados, não aparece uma viva alma ligada ao PT?
Ora, em sendo assim, qualquer ilação é possível, mas o que não se pode negar é a existência do crime. Isto não. E se os tucanos acusam que o crime tem conotação política, é porque tem indícios para tanto: as informações sigilosas foram parar nas mãos de gente do partido de Dilma, e ligadas ao seu comitê de campanha. Dona Dilma será capaz de negar isto?
Nesse mesmo sentido, não tem cabimento as afirmações de Alexandre Padilha o ministro das Relações Anti-Constitucionais de sair esbravejando de que, a justa reclamação e indignação dos tucanos que são VITIMAS – atenção, Padilha, os tucanos são vítimas, viu? – se trata de um golpe eleitoral. Ora, se golpe eleitoral houve foi contra os tucanos, não foram eles que violaram ilegalmente dados fiscais protegidos pela Constituição, estes dados não foram encontrados em poder de gente ligada ao partido PSDB, estes dados obtidos de forma criminosa foram encontrados em poder de petistas. Então que absurdo de golpe eleitoral poderiam os tucanos estarem armando contra si mesmos? Vá prá casa, Padilha, e deixe de rosnar tolices que agridem ao bom senso de qualquer um!!!!
Mas o rol de asneiras não poderia terminar sem duas pérolas. Uma, da lavra de Dona Dilma. Ao se referir, hoje, à quebra do sigilo fiscal de Verônica Serra, filha de José Serra, e de mais quatro pessoas ligadas ao candidato do PSDB, Dilma saiu em defesa da Receita Federal e disse assim:
- O que pode haver é mal-feito, em qualquer instituição pode haver mal-feito. Acho que o mal-feito tem que ser punido, as pessoas responsáveis têm que ser castigadas quando apurada sua responsabilidade. Mas a instituição tem que ser preservada.
Que a candidata me desculpe, mas mal feito é a galinha botar um ovo com duas gemas. No caso específico o que se produziu foi UM CRIME, dona Dilma. C-R-I-M-E. Violou-se sigilos de contribuintes, que se acham protegidos pela CONSTITUIÇÃO. E, no caso específico de Verônica Serra, o que se viu, além do crime de violação, foi falsidade ideológica, também, no caso da procuração falsa. Portanto, temos já dois C-R-I-M-E-S. E não este singelo, boçal e imbecil mal-feito a que se refere Dilma. O que foi mal-feito, neste caso, foi o fato de que os dois crimes é que foram mal-feitos, porque descobertos pelas suas vítimas. (Santo Deus, e pensar que esta criatura ainda poderá governar o Brasil por quatro anos!!!).
A segunda pérola é a operação cretina do governo que apresentamos no post anterior, na coluna ENQUANTO ISSO... É quando o discurso não corresponde aos fatos. De um lado, diz tanto o governo de Lula quanto a suaq candidata, terem o maior interesse que as investigações sejam rápidas. E, de outro, por debaixo dos panos, se monta o esquema do embromation, com o propósito, claro e específico, de que não se chegue a resultado algum, nem antes nem depois das eleições, a exemplo do que aconteceu com os Aloprados, em 2006..
Portanto, retornando a questão colocada no título: houve ou não houve CRIMES? Os sigilos de tucanos e da filha de Serra foram ou não violados? É simples, não é? Pode o governo, os petistas e a candidata Dilma negarem este fato? Podem?
Mas, se para esta questão temos a verdadeira resposta, e que já é de conhecimento público, há indagações que, temo, pela sua importância, jamais chegaremos a saber. São elas:
a.-) Quem, de fato, encomendou os dados sigilosos, de Verônica Serra, Eduardo Jorge e os demais tucanos, junto à Receita Federal? Ou seja, para qual “cliente” se destinavam as informações fiscais?
b,-) Quem falsificou a assinatura de Verônica Serra e os registros do cartório?
c.-) Qual pessoal de Brasília e Minas, no dizer do estelionatário Antonio Carlos Atelha, se destinavam o lote de informações sigilosas?
d.-) Quem mais fazia parte do lote de 18 pedidos de violação da “encomenda”?
Creio que, enquanto não se chegar ao mandante, não se terá a clareza que o caso exige. E, dentro deste contexto, toda a ilação é possível, menos a de se querer culpar a vítima pelo crime que sofreu, como pretendem o governo, os petistas e a candidata. Assim, torno a perguntar: podem o governo, Dilma e os petistas negarem de que houve crime de violação de sigilos? Podem?