sexta-feira, setembro 03, 2010

Governo tenta fabricar receitas com truques contábeis

Míriam Leitão, O Globo

O governo passa o tempo todo tirando coelho da cartola para fabricar receitas contabilmente e esconder despesas usando as estatais. Um desses casos: ele vai aumentar o capital de BNDES e Caixa com ações da Petrobras para que esses bancos possam emprestar mais para a própria Petrobras. Depois, vão participar da capitalização da petrolífera. E a Caixa antecipou receitas de quase R$ 1 bilhão para o próprio governo. Essa é uma das operações.

Todo dia o governo apresenta uma novidade. As empresas emprestam uma para as outras, construindo uma ideia de que há equilíbrio, lucro e capacidade de emprestar. O superávit primário tem caído, porque estão aumentando os gastos públicos.

No passado, esses empréstimos entre estatais deram muita confusão e houve um longo trabalho para sanear tudo. Mas isso está sendo perdido com esse excesso de criatividade do governo Lula no fim do segundo mandato para tentar esconder os rombos e fabricar receitas. Tudo isso afeta a credibilidade da política fiscal, o que é muito ruim, e pode provocar outros prejuízos.

O caminho, nos últimos 20 anos, vinha sendo de aumentar a transparência das contas públicas, que é melhor para a democracia.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
O alerta que a Mirian nos traz é muito sério. Significa dizer que, independente de quem seja eleito para sucessão de Lula, será obrigado a adotar um drástico aperto fiscal. Não podemos continuar neste oba-oba sob pena e risco de jogarmos fora todo o esforço feito pelo país nos últimos 15 anos.

Aliás, esta advertência nem é nova: há muito tempo que se tenta chamar a atenção das autoridades econômicas para o excessos de gastos inúteis, que eu tenho chamado de pura ostentação, que não nos traz nenhum proveito ou lucro, e ainda por cima só serve para desviar recursos de onde eles são mais essenciais como educação, saúde, segurança e infraestrutura.

Lula adora mostrar os números de seu governo, tentando, com isso, provar que ele investiu mais. Contudo, ele esquece em quanto aumentou a arrecadação federal desde assumiu?  Assim, fica fácil, pois com mais dinheiro em caixa, é natural que se aplique mais nas áreas afetas ao governo federal. Porém, é preciso reparar que, apesar da brutal arrecadação,os investimentos públicos em relação ao PIB foram menores em seu período do que no de FHC. E se repararmos, veremos que a saúde pública está pior, a qualidade do ensino está deteriorada, a segurança pública nem se fala, e quanto a infraestrutura perguntem aos usuários.  

Infelizmente para o país, tivemos 8 anos de pura embromação. E olhem que o Brasil que Lula encontrou  é muitíssimo superior ao que FHC precisou enfrentar , sem contar com seis anos exuberantes da economia mundial que Lula pode experimentar, ao contrário de seu antecessor.

É lamentável que a herança que Lula delega ao seu sucessor seja a de engessar meio mandato no mínimo para voltarmos a uma situação confortável. Governante que age desta forma, além de incompetente, é absurdamente irresponsável.