Leiam a notícia a seguir, por Isabel Braga, para o jornal O Globo. Comento em seguida:
Investigação é uma coisa, eleição é outra, diz PF
Isabel Braga, O Globo
O ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, e o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, afirmaram nesta quinta-feira que as investigações sobre a quebra de sigilo fiscal de tucanos na Receita Federal são isentas e não estão pautadas pela eleição.
Segundo o ministro, as investigações estão sendo conduzidas dentro do tempo certo que uma investigação exige. Corrêa acrescentou que a Polícia Federal está respeitando "o devido processo legal e o princípio da qualidade da prova".
A eleição não pauta a Polícia Federal. A Polícia Federal segue com operações pelo Brasil afora, e esse caso não pode, em razão do calendário, ser acelerado. O que nos pauta é o devido processo legal e qualidade da prova.
O que nos estamos imprimindo é um esforço diante da centralidade que isso ganhou no momento sensível que vivemos. Sabemos que esse caso tem uma angustia na sociedade, então estamos colocando mais servidores - disse o diretor-geral da PF.
Corrêa acrescentou ainda que a PF trabalha em sigilo, regra de qualquer inquérito, e que neste caso há a imposição de sigilo Justiça. Segundo ele, as diligências necessárias estão sendo feitas para que a PF cumpra todos os "preceitos legais" e apresente um resultado numa investigação que "se tornou um caso de interesse de toda a sociedade."
O ministro da Justiça não quis se alongar sobre o tema e evitou falar sobre a hipótese de afastamento do secretário da Receita Federal , Otacílio Cartaxo:
- A Polícia Federal tem uma investigação aberta, isenta, que está sendo produzida com celeridade, mas dentro de um ritmo normal. Tem tempo certo para investigação de provas, tempo necessário para segurança que se quer ter nesse tipo de investigação. (A saída de Cartaxo) é uma avaliação do Ministério da Fazenda.
Corrêa e o ministro Barreto participaram nesta quinta-feira de assinatura de convênios de cooperação entre o Ministério da Justiça e o Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília.
COMENTO:
Não por mera coincidência, estamos completando nesta semana, quatro anos em que veio ao mundo o caso dos Aloprados. Bem mais consistente do que o mais novo escândalo petista na praça, o discurso dado pela mesma Polícia Federal à época, por um outro ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, mas que parece ter sido clonado pelo atual ministro, tudo, em suma, parece repetir-se. Nada mudou, até a vítima principal é a mesma, o ex-governador José Serra.
E qual foi o resultado prático daquele discurso todo de quatro anos atrás? Apesar do crime, do objeto do crime e da existência conhecida dos criminosos, resultou num inquérito, que também foi levado para depois das eleições e ninguém, pasmem, acabou punido. Até pelo contrário: todos os petistas permanecem onde sempre estiveram, aninhados nas gordas tetas do poder.
E a “esplêndida” conclusão do inquérito em 2006, mesmo diante de tantas provas e evidências, resultou em um sonoro deboche para os crentes no senso de justiça dos petistas: para os amigos do poder, a lei que se dane. Isto é, foi tudo devidamente arquivado sem conclusão de coisa alguma.
Neste caso dos sigilos, há provas do crime, há milhares de vítimas, mas alguém espera que as investigações resultem em se declarar quais são os verdadeiros culpados e que estes, se descobertos, sejam punidos? Esqueçam, ou se iludam à vontade. O Partido do crime organizado no poder jamais pune os seus capangas. Pelo contrário: os agracia com outras benesses e privilégios.
Um parênteses: o mensalão já se arrasta há cinco anos. O escândalo veio à tona ainda no primeiro mandato de Lula. De lá para cá, ele já foi reeleito, está terminado seu segundo mandato e não se sabe quando o processo será destravado pelo ministro Joaquim Barbosa, do STF. E os mesmos mensaleiros estão todos aí, como se nada tivesse acontecido.
Retomando, Lula, em mais uma das muitas declarações estúpidas, disse que São Paulo precisa mudar, que não podem eleger para governador mais uma vez os tucanos e que o PSDB não sabe governar. Se não soubesse, evidentemente, que os paulistanos já teriam trocado . Se não o fizeram, é porque os tucanos não apenas sabem governar, como governam com competência. Lula não pode se arvorar em ser o juiz das escolhas que o povo faz. Pode discordar, mas não lhe compete julgar a opinião de milhões de pessoas. Até porque, São Paulo não apenas é economicamente muito bem resolvida, mas seu povo tem nível de escolaridade e senso de informação bem mais elevados do que a gente da Nordeste. Ou não? Ou se poderia dizer que, pela mesma régua com que Lula julga as escolhas dos paulistas, poderíamos julgar a escolha em Dilma, por exemplo.
Além disso, a sorte do Brasil foi que, antes de Lula e sua turma chegarem ao poder, foram os tucanos que tiveram a missão dura de pôr ordem na casa, garantindo a estabilidade econômica e políticas sociais para redução da pobreza, além de fortalecerem as instituições democráticas, dando-lhes a resistência necessária para impedir que o PT instalasse seu regime de terror. E a prova dos absurdos que eles pretendiam para o Brasil – e ainda pretendem - são as inúmeras tentativas de impor censura à liberdade de expressão, a tentativa de impor a mordaça ao judiciário, o plano maquiavélico de Direitos Humanos e os projetos resultantes dos Confecoms de merda que resultaram em inúmeros projetos que, num provável governo Dilma, vão sim, violar mais este preceito constitucional, que é a livre manifestação do pensamento.
Nem vou perder tempo em analisar o restante da fala que, como sempre, é delinquente, mentirosa, excessivamente agressiva e preconceituosa. Infelizmente, Lula, seja como candidato a qualquer coisa ou como presidente, tem mantido, em palanques, a mesma postura falsa e demagógica de sempre, parece mais animador de auditório do que qualquer coisa. Não sabe o que significa a palavra respeito. E não sabe por ser mau caráter.
E, por mais que, feito cão raivoso, ele tenta rebater as acusações sobre a questão dos sigilos, até agora sequer desculpou-se junto às vítimas, como ainda sequer determinou que se pare com o assalto à constituição e às instituições, que estão praticadas praticadas por gente do seu partido. Até pelo contrário: além de negar, sistematicamente, os crimes, alimenta, pela omissão, que eles prossigam delinquindo de forma continuada, além, é claro, de culpar às vítimas. Sempre haverá uma recompensa para agraciar seus contumazes aloprados. E isto se repete desde 2003.
Quanto a história contada pelo estelionatário Antonio Carlos Atella, continua me parecendo cada dia mais surreal, o que me dá convicção ainda maior quanto à característica de crime político eleitoral por detrás das violações de sigilos da filha e genro de Serra e dos tucanos envolvidos na ação criminosa.
Lula pode tentar enganar a todos quantos ainda não acordaram e não têm consciência da sua delinquência política. Pode achar que a história que tenta reescrever a seu favor permanecerá intocável eternamente. Mas não haverá popularidade suficiente que consiga ocultar, eternamente, o cidadão cafajeste que sempre foi. Por mais simpático que possa parecer. Os tiranos de Cuba, riam sobre cada corpo que assassinavam. Tanto quanto estes, todos os tiranos sentem incomparável prazer em torturar, matar, delinquir. Lula sente um prazer incontido em reverberar por todos os seus poros a sua compulsão indomável à mentira, à demagogia barata e ordinária, a seu comportamento repulsivo de vigarista de quinta categoria. Acha que, pelo fato do povo brasileiro ser constituído por uma imensa maioria de analfabetos e desinformados, todos podem ser induzidos pela sua arrogância e ignorância a lhe servirem de capachos. Nada mais ilusório do que se imaginar acima do bem e do mal. Nada mais grotesco do que um tirano se imaginar inatingível. Nada mais vulgar do que imaginar que a sua torpeza pode ser entendida como atributo de caráter. O tempo ensinará a Lula que o poder o corrompeu e o iludiu quanto à sua própria dimensãoinsignificante. A história tem ensinado que não há perdão para aqueles que fazem da tirania seu fio condutor sobre os povos que um dia governaram. Se Fidel, mesmo agonizante, pode descobrir isto, Lula, por certo, descobrirá esta verdade talvez em menos tempo.
E, por favor, não me peçam para condescender com Lula apenas por se tratar de Lula. Tanto ele, quanto qualquer outro, que se utilize de crimes para assaltar a constituição, garrotear as instituições democráticas e aparelhar o Estado em favor de um partido, para favorecer seu projeto de poder, é tirano, sim. E, por isso mesmo, não merece, nem de minha parte tampouco de todos os quantos defendam os reais valores da democracia e do estado de direito pleno, a menor condescendência. Devem ser tratados por aquilo que realmente são: escória.
Digo isto não apenas por conta da violação de sigilos que só por si já são crimes graves o suficiente para justificar a crítica: mas porque este tipo de crime tem sido comum e revela, no seu conjunto enorme de crimes semelhantes, um método de governança que só beneficia uma parcela ínfima da sociedade, o detentor do poder e sua corte que , feito mariposas diante da lâmpada acesa, circula em seu entorno, genuflexa e submissa. De trapaceiros e vigaristas, o país já tem mais do o necessário. Não precisamos de um representante desta categoria instalado na presidência da República.