quinta-feira, setembro 16, 2010

A reabertura do Global 2041 e o preço das reservas

O Estado de S.Paulo

A dívida externa brasileira em julho era estimada em US$ 235 bilhões. Com a reabertura da emissão de bônus - Global 2041 -, a dívida externa pública federal aumentará de US$ 550 milhões, valor que em princípio será acrescido às reservas internacionais.

O Tesouro Nacional aproveitou um momento favorável para reabrir a emissão do Global 2041 em dólares.

Na primeira emissão, realizada em 15 de setembro de 2009, o Global 2041 captou US$ 1,275 bilhão. A reabertura da emissão permitiu, agora, captar US$ 500 milhões na Europa e US$ 50 milhões no mercado asiático, com uma demanda total que atingiu US$ 2,5 bilhões.

O sucesso da nova emissão se deve à existência de reservas internacionais elevadas (US$ 265 bilhões). Ela foi feita ao preço de US$ 106,40 do valor de face, isto é, com um ágio que oferece aos investidores uma remuneração de 5,202%, o que no contexto atual do mercado financeiro mundial é muito atraente para os investidores estrangeiros.

Na primeira emissão o retorno para os investidores havia sido de 5,80%, superior ao da segunda emissão. A remuneração de agora foi mais favorável ao Brasil por causa da continuidade da crise na Europa, que torna os investidores menos exigentes.

Logo depois da colocação dos títulos brasileiros o dólar se valorizou, em razão da desvalorização do iene japonês. O governo está se empenhando em oferecer uma garantia maior, dada a perspectiva do déficit nas transações correntes do balanço de pagamentos, que tende a crescer regularmente.

A questão é saber se as reservas já não alcançaram um nível suficiente, em vista do custo que representam para o País, uma vez que são aplicadas com remuneração de cerca de 2% nos EUA, enquanto na última operação custaram 5,2%. E, quando são compradas no mercado cambial brasileiro, exigem a emissão de títulos cuja remuneração é a taxa Selic.

O Banco Central (BC) intervém para conter uma valorização excessiva do real ante o dólar, mas o que se verifica é que a valorização se mantém, favorecendo as importações, enquanto as exportações estão caindo.

Cabe analisar a questão cambial de um ângulo mais amplo para evitar a deterioração da balança comercial, que se faz acompanhar de uma desindustrialização do País.

Ao BC compete descobrir instrumentos melhores do que as compras à vista de dólares no mercado, como também seria necessário pensar num alívio fiscal muito mais importante para os exportadores.