Por Eliane Cantanhêde, para Folha De S. Paulo. Comento em seguida.
Erenice Guerra era da liderança do PT na Câmara, uma fábrica de dossiês contra Collor, Itamar, FHC, Ibsen Pinheiro (que despontava como presidenciável) - enfim, contra tudo e todos.
Dali, os dossiês vazavam para as redações e para as então temidas CPIs, de boa lembrança. Os autores eram os "puros"; os que caíam na rede eram os "impuros". Com o tempo, autores, vítimas e réus foram se misturando perigosamente.
Não há mais "puros", a população conclui que todos são "impuros".
Da fábrica de dossiês, Erenice pulou para a Secretaria de Segurança Pública do DF no governo Cristovam Buarque (então PT), enquanto usava laranjas para abrir justamente uma empresa privada de investigação, segurança e vigilância. Ou seja: de dossiês.
E não é que ela foi galgando degraus até chegar ao Palácio do Planalto, aboletar-se como secretária-executiva na principal pasta do governo e dali fabricar o dossiê, ops!, o "banco de dados" contra Ruth e Fernando Henrique Cardoso?
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Reparem na naturalidade com que a colunista da Folha vai empilhando informações sobre a atuação de Erenice Guerra na fabricação de dossiês para o PT, de como tais dossiês chegavam ao conhecimento público e, principalmente, contra quem eles eram montados.
Para dizer o que diz, Eliane deve ter, ou bons informantes, muito bons, aliás, ou este é um conhecimento que se tornou de domínio público entre os jornalistas que trafegam por Brasília, mas que só agora nos é revelado.
Num caso ou noutro, não pode haver na imprensa quem estranhe, portanto, as acusações que são feitas pela montagem de dossiês, pelo PT, tanto em 2006, no episódio conhecido como Aloprados, tampouco agora, quando se noticiou a existência de um bunker instalado no comitê de campanha de Dilma, para atingir José Serra.
Sendo assim, por que a grande imprensa insiste em fazer vistas grossas chegando ao cúmulo de referir-se a tais episódios sempre com a cretinice de “suposto dossiê”? Que saco!!! Ou se sabe e se noticia como DOSSIÊ, ou se não sabe, que não se fique criando ilações sobre fantasias. O direito de informar impõem seriedade e respeito para com o leitor, obrigando que a imprensa trabalhe com o fato real, e não com suposições que mais prejudicam e confundem do que esclarecem.
Portanto, seja a colunista da Folha ou qualquer outro jornalista que teve acesso ou conhecimento da tal fábrica de dossiês, montado pelo PT dentro do Congresso, com o propósito de atingir de forma caluniosa adversários políticos, tem por DEVER DE OFICIO vir a público e informar. O que não pode é, mantido seu silêncio, continuar colaborando, de forma direta, para a degradação dos costumes políticos do país.
E interessante: por que este fato, sobre atuação e participação de Erenice Guerra na montagem de dossiês pelo PT e sua distribuição pelos diferentes órgãos de imprensa, dentro do Congresso, só vem ao conhecimento público, quando praticamente ela está de saída do ministério de Lula? Por que, quando ali foi colocada em lugar de Dilma, não se noticiou esta parte "pouco recomendável" de seu curriculum? Caramba!!!!