Se você repararem bem, o Brasil, em 2010, simplesmente não anda. Está parado esperando o término das eleições. Tudo que precisa ou pede decisão está, inapelavelmente, transferido para depois das eleições. Judiciário precisa julgar se a Lei Ficha Limpa vale para este pleito? Só vai definir depois das eleições. O Congresso, lotado até a borda de questões urgentes para tratar? Vai se reunir – se ainda o fizer – depois das eleições. Na administração tudo que depender de decisão do senhor Luiz Inácio, simplesmente esqueçam: só depois das eleições. Como antes das eleições, havia a pré-campanha – excrescência verde amarela exclusiva – depois, veio a campanha do primeiro turno, a campanha do segundo turno, e aí o que temos? O país está simplesmente parado. Nada é feito, nada se decide.
Exemplos? Ah, têm muitos. Vejam duas questões que dependerão da decisão de Lula: o caso do extradita / não extradita de Cesare Battisti, e a compra dos caças para Aeronáutica, apesar de que já terem montado “um relatório” para apontar os pontos positivos e negativos, e apesar de já sabermos de antemão qual será o escolhido, mas, e a decisão? Só depois da eleição. Para antes só se decidiu aquilo tudo que podia ter peso retumbante nas eleições, aquilo que se podia vender para o público alvo, no caso, o trouxa do eleitor-contribuinte, de preferência beneficiário do bolsa família. O que poderia provocar ruído, bem, empurra-se com a barriga para depois que a eleição passar, de preferência, com a eleição de Dilma. Nunca na história do país, se viu tanto uso descarado, abusivo e ilegal da máquina pública em favor de uma candidatura como está se convertendo esta eleição. E o que é pior: nunca se presenciou tanta omissão e negligência de parte dos órgãos que deveriam resguardar o cumprimento da lei, no caso TSE e Ministério Público, como agora o país todo vê, quase incrédulo e totalmente sem ação.
Nos últimos dias, o país foi sacudido por mais escândalos ocorridos na central de escândalos do governo Lula, chamado Correios. Ali, a qualidade dos serviços cai na proporção inversa em que se avolumam os gastos em publicidade, e na divulgação de falcatruas. E, o que é mais impressionante: até agora, dentre tanta podridão que já se divulgou, não se tem conhecimento de um único envolvido que esteja sendo processado, condenado ou preso.Todos soltos, todos impunes.
E eis que chegam duas informações surpreendentes: de um lado, conforme informa Lauro Jardim em sua coluna Radar online, Revista Veja, “(...) os Correios não param de aumentar o número dos seus comerciais de TV desde 2007. Segundo o site Controle da Concorrência, há três anos a estatal tinha apenas cinco anúncios publicitários veiculados em Globo, Record, Rede TV!, Band e SBT. O número pulou para 56, em 2008; 955, em 2009; e, este ano, de 1º de janeiro a 8 de outubro, chegou-se a 1 104 comerciais nas principais emissoras do país (...)”.
Ou seja, ao invés de gastar o dinheiro do contribuinte para melhorar a eficiência dos serviços, a opção federal é gastar em publicidade para fazer de conta que é eficiente um serviço em franca degradação. E como desgraça pouca é bobagem, o governo Lula ainda faz questão de deteriorar ainda mais a qualidade dos serviços da EBCT naquilo que estiver ao seu alcance fazê-lo. Neste sentido, a estatal teve seu orçamento de investimentos (execução de obras e compra de equipamentos) reduzido em 2011, em relação à 2010. De acordo com a proposta orçamentária da União encaminhada ao Congresso Nacional, a estatal responsável pela administração dos correios em todo o país terá R$ 500 milhões no ano que vem. O valor é 22% inferior ao previsto inicialmente para 2010, R$ 640 milhões. Os investimentos foram reduzidos em áreas consideradas fundamentais para o desempenho da empresa, como obras de adequação de infraestrutura de produção e distribuição e manutenção e aquisição de itens de informática, teleprocessamento, veículos, máquinas e equipamentos. Desde 2003, ou seja, desde que Lula chegou ao poder, no entanto, a ECT anda a passos lentos. Neste período, a estatal desembolsou R$ 1,9 bilhão de um montante previsto de R$ 4,3 bilhões, ou seja, 45% do total. Em 2000, 2001, e 2002, ou seja, governo Fernando Henrique, os investimentos da estatal foram acelerados. Do R$ 1,5 bilhão previsto nos três anos, em valores correntes, R$ 1,4 bilhão foi aplicado, 93% do total.
Para o secretário-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (FENTECT), José Rivaldo, a ECT está sofrendo um “desmonte” elevado de funcionários que prejudica os serviços prestados à população. Segundo ele, o governo mudou a diretoria da empresa, mas a política administrativa continua semelhante, sem novos investimentos. “Até agora, a empresa não contratou os 6,5 mil funcionários prometidos via concurso. Há muito tempo não se investe em novas tecnologias e não são oferecidos treinamentos aos servidores”, critica.
A segunda noticia surpreendente, e ruim também, é sobre a mudança de cadeiras na estatal. Lula cogita demitir David José de Matos, nomeado para os Correios em agosto. Foi à presidência da estatal por indicação da ex-ministra Erenice Guerra, recém defenestrada da Casa Civil. Junto com David, analisa-se a hipótese de mandar ao olho da rua o diretor comercial da empresa, Roberto Takahashi, também ligado a Erenice.
Então, sabendo da necessidade, por que diabos o governo ainda não fez a assepsia? É que Lula receia que a dança de cadeiras prejudique a candidatura de Dilma Rousseff. Ou dito de outro modo: para fazer a sucessora, Lula é capaz de quase tudo, menos de acomodar o interesse do contribuinte acima da conveniência eleitoral.
Assim, fica difícil entender que a campanha de Dilma tenha enveredado pelo caminho da comparação entre os governos FHC e Lula. O caso dos Correios, além da safra generosa de escândalos que ocorrem desde a chegada de Lula ao poder, o modo incompetente e irresponsável como as diferentes administrações que por ali passaram levaram a estatal à atual situação, bem que poderiam ser melhor exploradas pela oposição.
Se é para comparar, que se compare tudo logo de vez. Assim como se compare o Brasil que FHC recebeu em 1995, com o que ele entregou a Lula em 2003.
Como parece que a oposição ainda não despertou para tanto, a gente bem que poderia mandar uma carta aos eleitores relatando toda esta porcaria que está sendo cometida na EBCT. Mas, peraí: a ideia até que é boa, mas do jeito que o Correio anda, periga o eleitor receber a certa só depois do Natal, e aí já terá acontecido a eleição...
Portanto, se alguém tem esperanças de que o Correio volte à antiga forma,melhor sentar e esperar: assim como tantas outras questões, só depois das eleições. Que se dane o Brasil, para Lula o país é que menos importa. O importante é o poder!
