quinta-feira, outubro 14, 2010

Haja tapete para tanta sujeira...

Adelson Elias Vasconcellos

O governo Lula, antes de encerrar este ano da graça de 2010, precisará fazer uma licitação para a compra urgente e inadiável de um tapete maior no gabinete presidencial, com o propósito de abrigar mais algumas “lambanças” cometidas sob sua administração. Sei não, mas periga faltar tapete suficiente para abrigar tanta porcaria e sujeira.

Ontem publicamos aqui a notícia de que a estatal venezuelana de petróleo, a PDVSA, apesar de todas as declarações, festas, solenidades e foguetes e rojões soltos por Hugo Chavez e Lula, não colocou um centavo sequer na parceira feita com a Petrobrás, para a construção da refinaria no Pernambuco.

Vimos, na semana passada, uma extensa reportagem da Revista Exame, sobre as razões para quatro bancos e agências internacionais, terem publicados relatórios negativos sobre a estatal Petrobrás, razão porque rebaixavam suas recomendações para investimento. Interessante é que os mesmos bancos participaram da mega operação de capitalização da Petrobrás e, somente após o fechamento das operações, é que divulgaram seus relatórios negativos. Não sei se a CVM – Comissão de Valores Mobiliários adotará alguma medida, mas fica claro que, a divulgação dos relatórios negativos sofreram alguma forma de pressão do governo federal para serem divulgados apenas a operação de capitalização ter se encerrado. O que vale dizer: os investidores foram enganados. Legal ou não, vale a discussão, mas eticamente trata-se de um deslize imperdoável.

Hoje, sustentado pela afirmação grotesca de Dilma no debate da Band, domingo passado, o presidente da estatal, vem a público dar uma declaração estúpida e que o faz merecer, inclusive, uma ação judicial. Disse José Gabrielli que (...) "Para o governo FHC, a Petrobras morreria por inanição. Os planos do governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso eram para desmontar a Petrobras e vendê-la"(...).

Baseado em quê relatório ou documento Gabrielli tirou esta conclusão estúpida, o presidente da Petrobrás não demonstrou, não mostrou, não provou. Apenas fez uma afirmação leviana e deixou a bola pingando na risca do gol, para que a imprensa amestrada vá encher a paciência de José Serra, o candidato da oposição.

De um lado, a estupidez de Gabrielli tira de cima da companhia quatro notícias ruins, a dos relatórios negativos de rebaixamento terem sido divulgados, espertamente, apenas depois das operações de capitalização – o que é uma fraude grotesca, como se vê - , a do rebaixamento propriamente dito, o que é danoso para o conceito da empresa no mercado, a queda acentuada que se verifica nos últimos meses - perdas de 30% - nas ações da estatal e o calote do aprendiz de tirano, Hugo Chavez, comprometendo o cronograma de implantação da refinaria no Pernambuco, uma das promessas de campanha do Lula, ainda em 2006. Aliás um parênteses: na sua propaganda de campanha para reeleição, na tevê, Lula apresentava a refinaria como “obra pronta”. Foi Alckmin quem o desmascarou : apresentou o terreno vazio com uma placa onde se lia “futuras instalações”...

Assim, fica claro que, sempre que o governo Lula se ver confrontado com a incompetência de sua gestão, haverá um cretino de plantão pronto a espalhar a mentira para mudar o foco de atenção, ou se utilizará a máquina pública para conter qualquer investigação a respeito.

Exemplo disto é o caso Erenice com seu “bolsa família” muito particular, e o tráfico de influência praticado dentro da Casa Civil, ao tempo em que Dilma Rousseff era a ministra chefe. Quando a imprensa trouxe a público toda a lambança, o governo Lula se indignou. De um lado, Lula saiu a campo berrando contra a imprensa – como se a imprensa fosse a culpada dos crimes cometidos na antessala da presidência -, e a candidata Dilma saiu chutando as canelas de todo mundo dizendo que todo o noticiário não passava de um “factoide”. Do evento resultaram 6 demissões dentro do gabinete, inclusive a ministra. Dado que os fatos eram tão claros, o governo montou o circo: determinou a “apuração urgente” de investigações a cargo da Polícia Federal. E num cinismo esplendoroso, Lula e Dilma saíram dizendo com cara de pessoas sérias – e tem quem acredite, lógico -, que eles tinham o máximo de interesse e pressa das investigações e que elas deveriam acontecer antes das eleições do primeiro turno.

Depois, o que se viu foi a repetição exata do roteiro do evento de 2006 conhecido nacionalmente por “Aloprados”. Primeiro, a Polícia Federal não “encontrava” os filhos de Erenice para prestar depoimento. Foram marcados para depois de 03 de outubro. Depois, o empresário denunciante só foi ouvido, também depois das eleições. Anunciou-se perícia nos computadores da Erenice, mas até aqui eles permanecem lá no mesmo lugar em que se encontravam, não foram recolhidos. Nenhum documento foi apreendido para investigação. Mas faltava o toque final da embromação: como nesta semana se soube que o caso Erenice foi determinante para impor um segundo turno, imediatamente a Polícia Federal foi “usada” em favor de Dilma Rousseff, a candidata do Lula: disse, sem nenhum pejo, o delegado federal Roberval Vicalvi, responsável pela embromação (ops!), digo, pela investigação, que será preciso prorrogar o prazo, já que, pelos testemunhos colhidos, não foi possível chegar a nenhuma conclusão. Interessante é que o delegado só chamou os filhos da Erenice e o empresário denunciante. A Erenice até aqui sequer foi “convidada” a prestar esclarecimentos, como também, ainda não se viu no noticiário, cenas espetaculares de agentes vasculhando armários e gavetas de casas e repartições públicas, tão comuns em casos semelhantes, porém distantes dos gabinetes do Planalto. Tampouco há notícia de pedidos de busca e apreensão de documentos e computadores. Em suas últimas declarações, Dilma Rousseff informou que, eleita, cuidará para que o ‘Erenicegate’ seja levado às últimas consequências.

Pelo andar da carruagem, as “últimas consequências” parecem ser a do “...arquivamento do caso por falta de evidências que comprovem o cometimento de crimes..”, exatamente como ocorreu em 2006, com os Aloprados, apesar de se ter o tal dossiê fajuto, a mala com a “irrisória” quantia de 1,7 milhão de reais, apesar dela ter apreendida em poder de um petista, apesar das gravações da própria PF que levaram ao flagrante no interior de um hotel, etc., etc.,etc...

E se resultar o pleito resultar com a eleição de Dilma, fiquem certos de que o final já estava escrito na estrela.. do PT, o partido do governo organizado para o crime, ou milhões de crimes. Como queiram... O caso termina com o crime engavetado e sem criminosos punidos.

Assim, de embromação em embromação, o governo Lula vai empurrando mais dois casos imundos, dentre dezenas de outros tantos, para debaixo do tapete. Isto, em parte, explica o desespero de Lula em querer ganhar esta eleição nem que seja na marra. Teme que, ao sair, sendo seu sucessor sendo alguém da oposição, antes de assumir, resolva fazer uma limpeza para desinfetar a sala presidencial. Porque se o fizer, vai entupir o sistema de esgoto do Planalto para retirar tanta lama e tanta podridão lá armazenada desde 2003...